Bruna Beber

Posted in idéia não tem dono on Novembro 8, 2009 by marimessias

sugar blues

um corpo em chamas
rolando pela escada
de incêndio do meu prédio
era você
vírgula
meu bem
vírgula
era você
interrogação

eu avisei para não brincar
de molhar meus barcos
de papel

eu avisei que não se pode viver
como se faltassem
poucos dias para o carnaval

você indo embora com o foco da coqueluche
e aliviando a vizinhança
você subindo aos céus com os passarinhos mortos
por crianças más
com estilingue

era você se desfazendo
na doce baforada
da janela aberta
numa manhã de calor

era você em pó
em papel picado
no tapete do asfalto
na roupa branca dos médicos
e no antigo toldo do açougue
do andar de baixo

agora eu vou rezar pela sua alma
por um emprego novo
e por um vício a menos
enquanto passeio pela cidade
num ônibus circular
numa quarta-feira de cinzas.

Lembro quando li esse poema da Bruna Beber pela primeira vez: tava chovendo em SP, eu tava sentada no sofá super confortável do Rony com ele e Desi. Falavamos muita besteira e bebíamos um pouco de cerveja. Ao mesmo tempo eu estava lendo a revista online da Não Editora, o texto do Mandagará e lá eu li sobre essa poeta contemporânea [mas mesmo, não contemporânea, tipo, RUBEM FONSECA] e achei legal. Fui procurar mais coisa e li esse poema e pensei: CARAI, uma mulher poeta mais jovem que eu que detona. Foi massa. Sabe coisas raras e massa? Esse tipo de massa.

Imagino que seja um poema antigo, mas me agrada. Vários outros me agradaram, além desse. Mas esse foi o primeiro que eu li e pensei: pqp. E o primeiro pqp, sabe, fica marcado.

Então é isso. Tem vídeo de brinde, peguei do blog dela. Se divirtam.

A idade da RZÃO

Posted in quotes da rapeize on Novembro 6, 2009 by marimessias
mari diz :
cara
tem um programa britânico de sexo
que é BIZARRO
Eduardo diz :
no gnt né?
mari diz :
isso.
tão falando sobre pessoas que fizeram botox e vão gozar
e dizem IM COMING e ficam :)
Eduardo diz :
HAHAHAHAHAHAHHAH
mari diz :
sério, tu ta perdendno o mundo do gay porn
Eduardo diz :
tem certeza?
mari diz :
hahahahha
agora no programa tem um cara com seus 19 anos, fazendo teste pra ser ator
é o sasha GAY
Eduardo diz :
HAHAHAHHAHA

Então

Posted in degredo no olimpo, deveras pessoais, idéia não tem dono on Novembro 6, 2009 by marimessias

Religion has wrought untold misery in human affairs. For the most part, it has been a squalid tale of bigotry, superstition, wishful thinking, and oppressive ideology.

Esse é o começo do livro do Terry Eagleton, Reason, Faith & Revolution. Certamente era a idéia ter um nome que soa satírico pros leitores dos bestsellers atuais. Bom, mas como comecei o dia falando sobre deus, zeus, eus, terminarei assim. Na verdade, nem terminarei assim, mas vamos brincar de ser épicos.

Eu venho de uma longa saga auto-imposta de busca de religiosidade. Algumas pessoas desejam profundamente ser famosas, ricas, inteligentes ou sei lá o que, meu desejo sempre foi acreditar em alguma coisa. Mas acreditar com aquele toque religioso, onde tudo se encaixa, o mundo faz sentido, como no relato de BDSM divino de Santa Teresa que já postei aqui e termina assim:

É uma carícia de amor tão doce que acontece então entre a alma e Deus que peço a Ele, em sua bondade, que a faça sentir aquele que pensa que estou mentindo

Mas, claro, quanto mais eu tentava, mais eu fracassava. O que, incrivelmente, nunca me fez deixar de gostar muito de temas religiosos, que sempre estarão entre meus assuntos favoritos.

Ocorre que, como política, religião é uma bela teoria com uma prática inviável. Por mais afudê que seja o fundador de uma escola de pensamento, ela sempre se desvirtua pelos caminhos da média que constitui as agremiações e afins. Mas, ei, assim é o mundo.

Um dia eu tive minha epifania de que deus, zeus, eus, enfim, tudo, era meu Deu e me quedo nessa idéia até que mude. Como eu vejo, todo sistema de crenças, independente de qual seja, é uma manifestação de fé. E nisso incluo os ateus e louvadores da ciência. Sobre os últimos, falei aqui [eu gosto desse post].

Mas digo tudo isso pq queria voltar ao próximo livro que comprarei, aquele de nome aparentemente paradoxal, do Terry Eagleton. Segundo li, no livro ele explica os motivos pelos quais acredita que os novos ateus são uns burrões e também por quais motivos vê IESUS como um revolucionário, ainda que em um sentido não prático, da causa marxista [Terry é um dos novos marxistas, esse corrente que dragou pessoas tão incríveis pra uma idéia tão not incrível].

Li milhões de saudações ao livro, dizendo que ele é uhu e ouié. Mas li tanta gente falando que nunca tinha pensado nisso, sobre Jesus ser um revolucionário que me dei conta que a maior parte das pessoas não pensa sobre esse assunto como um todo.

Olha, sinto por você, então divido um pedaço do livro que achei por aí e espero que todo mundo fique numa vibe mais anarco punk breve voltará.

Jesus, unlike most responsible American citizens, appears to do no work, and is accused of being a glutton and a drunkard. He is presented as homeless, propertyless, celibate, peripatetic, socially marginal, disdainful of kinsfolk, without a trade, a friend of outcasts and pariahs, averse to material possessions, without fear for his own safety, careless about purity regulations, critical of traditional authority, a thorn in the side of the establishment, and a scourge of the rich and powerful. Though he was no revolutionary in the modern sense of the term, he has something of the lifestyle of one. He sounds like a cross between a hippie and a guerilla fighter. He respects the Sabbath not because it means going to church but because it represents a temporary escape from the burden of labor. The Sabbath is about resting, not religion. One of the best reasons for being a Christian, as for being a socialist, is that you don’t like having to work, and reject the fearful idolatry of it so rife in countries like the Unites States. Truly civilized societies do not hold predawn power breakfasts.

Gainsbourg

Posted in idéia não tem dono, ieieie on Novembro 5, 2009 by marimessias

Era uma vez Gainsbourg, príncipe louco de um mundo demasiado restrito para si. Ele escondia sua vulnerabilidade atrás de uma insolente agressividade que, à imagem de seu coração e de sua face, não representava mais do que parte superficialmente visível desse iceberg fervente e generoso.

[antes que vocês pensem que isso é sobre vocês, egocêntricos pessoas do meu Brazil] Serge Gainsbourg por Brigitte Bardot [roubei do @bfernandes]

beijosiligar

R.I.P Lévi-Strauss

Posted in idéia não tem dono, o mundo (essa folia) on Novembro 3, 2009 by marimessias

[e junto foi o N-Gage, R.I.P.²]

seibel diz :
é muito mais fácil tu te desapegar de uma coisa que tu acha que já não existe.
EPITÁFIO.

Have the courage to be destructive

Posted in idéia não tem dono on Outubro 29, 2009 by marimessias

Sheeps are in agreement, but sheeps have no will… So do have the courage to be destructive, and you shall soon see what marvellous flower of unison shall shoot up out of the fertile ashes.

Max Stirner

Aceitarás o amor como eu o encaro?

Posted in idéia não tem dono on Outubro 28, 2009 by marimessias

Aceitarás o amor como eu o encaro?…
…Azul bem leve, um nimbo, suavemente
Guarda-te a imagem, como um anteparo
Contra estes móveis de banal presente.

Tudo o que há de melhor e de mais raro
Vive em teu corpo nu de adolescente,
A perna assim jogada e o braço, o claro
Olhar preso no meu, perdidamente.

Não exijas mais nada. Não desejo
Também mais nada, só te olhar, enquanto
A realidade é simples, e isto apenas.

Que grandeza… a evasão total do pejo
Que nasce das imperfeições. O encanto
Que nasce das adorações serenas.

Mário de Andrade

Oh, Mário <3

Jornada

Posted in maconha, rubens ewald tchora on Outubro 24, 2009 by marimessias

district_nine

Anos atrás eu trabalhei com pessoas que não entendiam a importância do herói. Essas pessoas achavam que nossa ficção com super-heróis [a única esfera conhecida de heróis pra eles] era uma fuga da realidade, no sentido de que projetaríamos em seres sobrehumanos nossas frustrações, desejos, sonhos. E isso era desprovido de esperança de realização, já que somos apenas humanos.

O que eles não entendiam no meu ponto de vista é que o herói é o próprio homem abismado. Nós somos obcecados por imagens heróis desde sempre e não acho que deixaremos de ser, pq acho que acreditamos que somos todos, potencialmente, heróis.

Como o Shaun, do Shaun of the Dead.

Nesse sentido eu também acredito que a jornada do herói é a jornada do próprio homem abismada. Os percalços pelos quais passamos para nos tornar quem somos, o grande belo e terrível de quem somos.

Ano passado eu falei aqui sobre o que eu considerava que ia dominar o novo heroismo: uma figura mais Batman e menos Superman; mais chaotic neutral que chaotic good. Um sujeito não exatamente ilibado, mas que estava envolvido com sua causa, pessoalmente envolvido e, desse envolvimento inicial surgiriam desdobramentos que o amplificariam. Ele não abriria mão de si em nome de algo maior, ele seria parte do algo maior, cada vez mais, um pedaço do todo. E reconhecer isso em si era o próprio heroismo dele. Talvez chegando ao ponto de as identidades secretas darem espaço ao orgulho da identidade de desviante. O freak pride heróico.

Enfim, maconhismos. Mas o que pode ser mais cotidiano e menos sobrehumano que isso, nénão?

E é nessa onda que eu vou falar brevemente de District 9 e dessa jornada comovente. Então, se ainda não viu, alerto aos possíveis spoilers e peço que leia depois de ver.

O personagem principal do filme, Wikus, parte de uma ingenuidade quase idiotizada para um conhecimento tão profundo de si mesmo que chega a ser desolador. Sabendo que não seria aceito como o que era antes de sua transformação mas, também, notando que não era somente o que veio depois, Wikus abraça sua dualidade, ainda que involuntariamente, se transformando em um personagem absoluto.

É como se ele descobrisse a si pelo todo e, em suas máculas, construisse uma pureza mais verdadeira, uma pureza com conhecimento, escolha, não alheia.

District 9 é, claro, como tudo que envolve heroismos diversos, uma bela noção de altruismo. Mas é, mais que isso, uma aula de compaixão, coisa que só existe pela alteridade. Como naqueles documentários onde o sujeito fica 10 dias numa prisão para dizer como são as coisas lá, Wikus vira o outro para ver o outro, sem deixar de ser ele mesmo.

O filme, obviamente, uma referência ao apartheid, não é chato, babaca, cabeçudo ou raivoso. É entretenimento trimassa, do tipo que fica na tua cabeça por mil anos e te leva a pensamentos tão distantes de aliens e Johanesburgo quanto vegetarianismo e cristianismo.

Por isso, pra mim, District 9 sucede onde Inglourious Basterds fracassa.

Fácil, embora difícil

Posted in idéia não tem dono on Outubro 21, 2009 by marimessias

A ti boas coisas falarei, ó Perses, grande tolo!
Adquirir a miséria, mesmo que seja em abundância
é fácil; plana é a rota e perto ela reside.
Mas diante da excelência, suor puseram os deuses
imortais, longa e íngreme é a via até ela,
áspera de início, mas depois que atinges o topo
fácil desde então é, embora difícil seja.

Hesíodo [os trabalhos e os dias]

Fail better

Posted in deveras pessoais, idéia não tem dono, nadavê véiô on Outubro 19, 2009 by marimessias

MOMENTO AUTO-AJUDA DE SI MESMA: FIZ MERDA, MAS SORRÜ

O mundo certamente não é um lugar pacífico, easygoing. O mundo das nossas cabeças e pequenos problemas reproduz a estrutura do mundo que vivemos, logo, o mesmo se aplica. Ou, ao menos, assim deveria ser. Muitas vezes é o contrário e nos perdemos em emaranhados sem sentido/motivo, cuja unica função é nos guiar pela mão até as portinholas do Hades. É o caso clássico de viver dentro ou fora da cabeça. Acredite, estive lá e não é um lugar bonito. Não no Hades, que não sou Orfeu, claro. Algumas pessoas aprendem a minimizar os danos de fora com o mundo de dentro, são as sortudas. E sorte, como diz o cientista, não tem relação alguma com sorte.

Mas o que eu queria dizer, mesmo, é que tem uma quote clichézona do Beckett assim:

Ever tried. Ever failed. No matter. Try again. Fail again. Fail better.

E, nesse sentido, valem todas as máqsimas de vida que eu carrego no peito, que me lembram o quanto eu tive que ser teimosa (coisa que sempre me disseram ser meu pior defeito) pra poder chegar no momento interno no qual me encontro, um momento de, veja bem, sonho americano, alegria não eufórica. É, no caminho deu merda e, ja diria a profecia:

You can’t always get what you want, but if you try sometimes you just might find you get what you need. Ouié, wuhu.

Junot_wao_coverE tudo isso eu trago para falar do livro em prosa que mais me agradou nos últimos muitos tempos. Chama-se The Brief Wondrous Life of Oscar Wao. Prometo não lançar spoilers, tendo em vista que o livro é muito melhor que a maior parte das vidinhas marromeno que tenho visto por aí, ie, ficção de superar a realidade, ie, LEIAM. De toda forma, Wao é um  adolescente nerd de cabelo ruim que vive no mundo da cabeça. Sim, bem parecido com todos que devem estar lendo isso, olhando em flashback. E, além de um ser interessantíssimo, Wao é um doce de criatura e nos cativa e nos fazer odiar o autor que não fez todos os capítulos narrados por ele.

*minha teoria*

E, enfim chegamos onde eu queria chegar. O autor, Junot Diaz, ganhou um pulitzer com esse livro. Eu lia nas biografias dele que ele escreveu um conto ducaralho (nunca li), pro qual todos pagaram pau afu, e só ONZE anos depois publicou Wao. Sentia muita empatia pelo possível sofrimento que ele passou nesse meio tempo, e pelo possível trabalhão que ele teve ao longo dos anos superando a crise de vazio e fazendo um livro que te consome a vida e consome a vida dos leitores. Como Ulisses, Os Cantos, Os Lusíadas.

Nesse mundo instantâneo que vivemos e no qual as pessoas se unem em pequenos clãs de adoração aos deuses do marasmo, um livro sempre tem um prazo menor de feitura que deveria. Um bom livro, como um bom whisky, demora mais tempo que os leitores gostariam. E o autor precisa sobreviver.

Por isso Leminski disse que a vida é curta demais pra mais de uma idéia. Um bom livro pro autor, que nem sempre é um bom livro pros leitores, é como um obsessor colado no sujeito, sugando sua vida. No melhor estilo Stanislavski, um escritor entra no mundo paralelo, segue o tempo-ritmo dele e adiós, amigos. Não é por nada que escritores são os únicos, além dos religiosos extremos (outra forma lindíssima de ficcionalizar a vida) que tem estigmatas. Dos seus personagens.

Mas, ei, nada disso é simples. Lembro de Assis dizendo em sua oficina, que tinha falado para um sujeito: Ora, se te dói tanto escrever, abandone. Não concordei. Não sou adepta das criações pasteurizadas. Não que o meu autor ideal precise sofrer, mas ele vai, em algum momento. Ele é um perfeccionista, afinal. E qual a única maneira de atingir a perfeição-possível? TENTANDO.

Mas, ah, todas as melhores coisas da vida envolvem algum sofrimento e muito muito prazer. E, depois de sofrer, ele vai atingir um nirvana. Regozijo. Se conseguir o que quer, ou chegar perto, acabar, orgasmo cósmico, como diria Walter Mercado.

*fim da minha teoria, começo da teoria do Junot*

E, então, Junot Diaz, nesse lindo texto que me foi enviado pelo cabeçãozinho Daniel Pellizzari (um autor e tanto, deve sofrer afu) diz:

Want to talk about stubborn? I kept at it for five straight years. Five damn years. Every day failing for five years? I’m a pretty stubborn, pretty hard-hearted character, but those five years of fail did a number on my psyche. On me. Five years, 60 months? It just about wiped me out. By the end of that fifth year, perhaps in an attempt to save myself, to escape my despair, I started becoming convinced that I had written all I had to write, that I was a minor league Ralph Ellison, a Pop Warner Edward Rivera, that maybe it was time, for the sake of my mental health, for me to move on to another profession, and if the inspiration struck again some time in the future…well, great. But I knew I couldn’t go on much more the way I was going. I just couldn’t. I was living with my fiancée at the time (over now, another terrible story) and was so depressed and self-loathing I could barely function. I finally broached the topic with her of, maybe, you know, doing something else. My fiancée was so desperate to see me happy (and perhaps more than a little convinced by my fear that maybe the thread had run out on my talent) that she told me to make a list of what else I could do besides writing. I’m not a list person like she was, but I wrote one. It took a month to pencil down three things. (I really don’t have many other skills.) I stared at that list for about another month. Waiting, hoping, praying for the book, for my writing, for my talent to catch fire. A last-second reprieve. But nada. So I put the manuscript away. All the hundreds of failed pages, boxed and hidden in a closet. I think I cried as I did it. Five years of my life and the dream that I had of myself, all down the tubes because I couldn’t pull off something other people seemed to pull off with relative ease: a novel. By then I wasn’t even interested in a Great American Novel. I would have been elated with the eminently forgettable NJ novel.

So I became a normal. A square. I didn’t go to bookstores or read the Sunday book section of the Times. I stopped hanging out with my writer friends. The bouts of rage and despair, the fights with my fiancée ended. I slipped into my new morose half-life. Started preparing for my next stage, back to school in September. (I won’t even tell you what I was thinking of doing, too embarrassing.) While I waited for September to come around, I spent long hours in my writing room, sprawled on the floor, with the list on my chest, waiting for the promise of those words to leak through the paper into me.

(…)

That’s when I should have put everything in the box. When I should have turned my back and trudged into my new life. I didn’t have the heart to go on. But I guess I did. While my fiancée slept, I separated the 75 pages that were worthy from the mountain of loss, sat at my desk, and despite every part of me shrieking no no no no, I jumped back down the rabbit hole again. There were no sudden miracles. It took two more years of heartbreak, of being utterly, dismayingly lost before the novel I had dreamed about for all those years finally started revealing itself. And another three years after that before I could look up from my desk and say the word I’d wanted to say for more than a decade: done.

(…)

You see, in my view a writer is a writer not because she writes well and easily, because she has amazing talent, because everything she does is golden. In my view a writer is a writer because even when there is no hope, even when nothing you do shows any sign of promise, you keep writing anyway. Wasn’t until that night when I was faced with all those lousy pages that I realized, really realized, what it was exactly that I am.

All my loving I will send to you, Junot. Danke por tudo, valeu a pena, irmão.

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