Falar do que não se sabe

Publicado em idéia não tem dono, maconha, o mundo (essa folia) às Julho 10, 2009 por marimessias

Quando eu era jovem ainda jovem ainda eu fiquei obcecada por sabishisa durante algum tempo, pro ódio mortal do João Ricardo (que faz uma vozinha irônica falando e tudo. hshshs). Diz a lenda (hshs) que Bashô se confrontou primeiro com o conceito de sabishisa quando seu amigo de juventude morreu. Solidão Solitude absoluta. O que esse tipo de coisas trouxe pra minha vidinha teenager feelings foi a necessidade de me confrontar com percepções sem sentimentalismos desnecessários, quase racionalmente, quase haikaistamente. Não que eu consiga, por isso necessidade, sacou?

Existo. Isso existe.

Sabishisa é aquilo que, eu acho, divide nossa vida em duas fases: quando notamos que. E antes, quando não era bem assim. Como no final do Retorno do Rey. Sabishisa de Sam:

Do not be too sad, Sam. You cannot always be torn in two. You will have to be one and whole, for many years. You have so much to enjoy and to be, and to do.

Lendo, esses dias, um Google Book sobre wabisabi, voltei a entrar em contacto brevemente sobre sabishisa (de maneira teorica). Nunca mais tinha encontrado nada sobre e cheguei a crer, mesmo, que tinha criado isso na minha mente desvairada de jovem. Mas então, eis o que dizia:

Along this path
There are no travelers
Autumn evening

Bashô

Por fim, seguindo esse post sobre coisas que desconheço, o livro voltava a citar um negócio que o WCW falou (claro, WCW é haikaista as can be). O livro não citava o WCW, mas falava sobre o poder de subentender do poema, algo que ele disse. O tamanho do poema seria inversamente proporcional ao que ele pode subentender. Isso também é sabishisa, como em, eu cito:

“Sabishisa , loneliness, is the haiku equivalent of Mu in Zen, a state of absolute spiritual poverty in which, having nothing we possess all.”

Adão Iturrusgarai

Publicado em quer que desenhe? às Julho 7, 2009 por marimessias

Mais um micro-documentário para alegrar nossas vidas. (Vodpod detona muito)

The greatest thing

Publicado em ieieie às Julho 6, 2009 por marimessias

(ah, va. eu gosto muito desse disco. mimimi é sra sua mãe, beeeeeeij)

Momento Plath, Sylvia

Publicado em quotes da rapeize às Julho 6, 2009 por marimessias

mari diz:
os melhores ainda são os fakes
TFLN (401): This is a mass text. Does anyone know where I am?
seibel diz:
hahaha.
é isso que mantem acesa minha chama de amor ao twitter.
mari diz:
renato_gaucho Esse troca-troca de técnicos é algo que nunca aceitarei participar.
seibel diz:
yedacrusius Fico feliz com a notícia de que #forasarney está nos trending topics. Sinto-me menos sozinha com a Letra Escarlate e o #forayeda.
mari diz:
HAHAHAHAHHAHAHA
PRECISO

The Cut-Ups

Publicado em ctrl+c ctrl+v, idéia não tem dono, maconha às Julho 5, 2009 por marimessias

Yes? Hello! Look at that picture. Does it seem to be persisting? Yes? Hello! Good! Thank you!

The Cut-Ups é um filme experimental do Antony Balch e do Burroughs que deveria fazer parte de um documentário sobre o Burroughs chamado Guerrilla Conditions, filmando entre 61-65, mas que acabou nunca rolando.

O filme utiliza a idéia de cut up, como o nome sugere, que é crtl+x e ctrl+v de textos randomicamente, criando um novo texto. Tipo fazemos com imã de geladeira, sms de bêbado, idolatria de jovem.

Seguem os links, vejão o filmeco, sidivertem. #porumdomingomenosmalaUFA

Euforia matinal

Publicado em quotes da rapeize às Julho 3, 2009 por marimessias

mari diz:
ai, tico santa cruz
é sinonimo de tudo que existe de errado nesse país
Anônimo diz:
odeio
e ele me persegue
mari diz:
O.o
como assim?
*horror*
Anônimo diz:
9 em 10 vezes que eu fui no radar
quem estava la ?
TICO SANTA CRUZ
excrusive ele tentou me contratar pra tocar com DETONAUTAS
passei meu telefone com numeros errados
foi tao engracado, eu nao fazia ideia de quem eram
ai eu reconheci o CLÉEEEESTON
só pelo rock gol.

O charme

Publicado em deveras pessoais, idéia não tem dono, maconha às Junho 30, 2009 por marimessias

Hoje apresentei um poema do Leminski em LIBRAS na aula. Sem a menor vontade reli/parodiei outro trabalho que estou fazendo, sobre remix/paródia, remixei, gaguejei, errei, voltei, tentei, falhei, enfim, foi tenebroso, mas imagino ter prosperado. Em algum nível simbólico onde se ouve The Sound of Silence. Dificilimo. Então, relendo o Leminski lembrei os motivos pelos quais ele tanto embalou minha puberdade. Bons e maus. E me dei conta que coloquei um Ezra que acabava assim:

Quando os nossos dois pós
Com o de Waller se deponham, mudos,
No olvido que refina a todos nós,
Até que a mutação apague tudo
Salvo a Beleza, a sós.

Que me levou pra outro, não o que eu apresentei. O do charme. O belo é tão difícil, mas o charme é ainda mais, ao que tudo indica. Acontece que, dizem, depois de encontrado, ele nunca acaba (RJ, 1999).

Apagar-me
diluir-me
desmanchar-me
até que depois
de mim
de nós
de tudo
não reste mais
que o charme.

O martírio pode ser bom, saudável

Publicado em nadavê véiô, o mundo (essa folia) às Junho 28, 2009 por marimessias

Michael morreu, o que me botou pensativa sobre uma série de coisas. Enquanto eu estava aqui fazendo meus douze trabalhos de faculdade, me dei conta, do nada, que não tinha visto nenhuma foto de fã chorando, de portão da mansão, essas coisas.

Ufa, alívio

Ufa, alívio

Ao longo da minha existência eu lembro bem de ter visto umas mortes que todos juram que nada será como antes depois delas. Fãs choram, entregam flores e velas e cartazes no portão da mansão e seguimos adiante, heraclitamente diferentes. Mas essa representação é nosso tipo de velório na/de mídia, algo assim. Afinal, precisamos nos confrontar com a imagem dessa morte. Whydefocmodafoca? Ora, pelo mesmo motivo que precisamos nos confrontar com a morte de pessoas que queremos bem, não por nada muito conspiratório, como vejo. Quando vamos em um velório, vamos pq precisamos disso, é um ritual de vida, transição.

Eu descobri isso da maneira mais bizarra. Não ia em velórios. Um dia vi uma pessoa que já tinha morrido na rua. Não vi a pessoa, é claro, mas quem eu vi era muito parecida com essa pessoa e isso me deu um nó mental. Notei que não eram a mesma criatura rapidamente, mas mesmo assim segui com aquela dúvida: morreu? Meu cérebro deu tilt MESMO. Daí eu entendi a importância dos rituais.

Precisamos de marcos transicionais mentais, aniversários, casamentos e, querendo ou não, precisamos de velórios.

E então, na minha busca por imagens do portão da mansão do MJ cheio de coroas de floresvelascartazesWECORAÇÃOUFORÉVIS eu me deparei com toda sorte de notícias e relembrei o que falamos (eu e meninas) por esses dias. Sim, Michael era um freak. E o mundo se dividiu entre aqueles que, com sua morte, querem que ele vire santo (ele não era pedófilo) e aqueles que querem que ele vire um freak ainda maior (ele não é o pai dos seus próprios filhos). Uma coisa muito Jesus Cristo Super Star de ambos os lados, como vejo.

Aliás, se eu fosse seguidora do Reich poderia fazer um tratado sobre como nossa sociedade precisa trabalhar seu Orgônio só na base do MJ morreu, convenhamos.

Mas, então. MJ era um desvio. Sim, não somos, nós, desvios? Eu sou, com orgulho. Aliás, possivelmente um dos grandes sofrimentos do MJ foi que ele nunca conseguiu desenvolver esse orgulho de ser deslocado. Sem entrar nas possibilidades de patologias sérias, como pedofilia. Até pq nem idéia se ele era pedófilo, sempre pensei sobre isso sem concluir porra nenhuma fora que essas crianças estavam ferradas pelos pais que tinham: que pai deixa o filho conviver com um suposto pedófilo?

No meu caso, ao Moj agradeço pelos primórdios do orgulho friki. Antes de conhece-lo eu não fazia idéia que era um desvio, com o tempo ele martelou tanto na minha mente que notei. Daí meu caminho longo e árduo de friki passou por: achei péssimo, depois aceitei como fardo, por fim orgulhei. Tipo etapas da morte. O que morreu foi minha ilusão de normalidade, de aceitabilidade, isso que me aproximaria do todo, teoricamente. O que surgiu dessa morte foi a noção real de um todo baseado na outridade. Recomendo. Ver o outro, desde 1999 detonando o cabeção.

Fazer de Michael Jackson pharmakós não está nos meus planos. Não mesmo. Nem um pouco. Me abster de comentar a face anormal auto-imposta ou o gosto bizarro para arté ruim também não. Nãotocega.com. Especialmente pq ele vivia uma realidade de martirização doentia com a qual sou um tanto intransigente. Respeito as bizarrias saudadas com o <3, todos temos as nossas. Mas vitimização toca meu alarme e me bota em corrida maluca no lado oposto: sentir pena, no hablo. ‘léndique acho que nosso sofrimento tem sempre relação com o quanto nos impomos sofrer.

Por fim, quer te martirizar, vira logo São Simeão. Ok, Michael chegou perto, admito.

Michael jackson2

Exercício1: Vamos todos olhar para MJ e simular que o aceitamos como ele era pq ele morreu e somos politicamente corretos. WTF!

*o título do post é uma referência a esse poeminha aqui, A indecência pode ser saudável, do Lawrence

Eu duvido, mas

Publicado em ctrl+c ctrl+v, ieieie, o mundo (essa folia) às Junho 25, 2009 por marimessias

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Esse eu roubei daqui, mas nós tivemos essa idéia antes aqui (dizai, arrasamos ou não? adoro plural deslocado. mas nesse caso, Marx tava envolvido, mermo)

Ainda duvido, sério mesmo. Deve ser tipo quando Silvio Santos morreu. Toda forma, ouço Off the wall e choro (as porcarias das incorporações foram desativadas), então ficão com outro clássico imortal :~ (NOSSA, como amo)

WUW, michael

Teogonia

Publicado em quotes da rapeize às Junho 22, 2009 por marimessias

zeus

FERNANDES, Paulo diz:
cara
tá em algum lugar da Ilíada
mari diz:
Teogonia, acho
parece que é como o mundo surgiu
mas nem sei se os humanos praticam
FERNANDES, Paulo diz:
cara, sexo é tipo Zeus
mari diz:
EXISTE?
FERNANDES, Paulo diz:
nunca aparece, e quando aparece
mari diz:
errrrrrrrr… explode na tua cara e te mata?
FERNANDES, Paulo diz:
é para comer alguém da tua família