Archive for the degredo no olimpo Category

Os ombros suportam o mundo

Posted in degredo no olimpo, deveras pessoais on 16 de novembro de 2011 by mari messias

AVISO: Esse post será muito pessoal (e hermético, possivelmente), não quer ler, vaza. 

Drummond tem um poema, muito amargo, que chama os ombros suportam o mundo, onde ele fala sobre uma época (ou um momento, como eu prefiro ver) no qual não se ama, não se chora, não se sente falta e sequer adianta morrer. Apenas se é, “a vida é uma ordem”.

Admito que hoje, quando acordei no meio de um sonho e falei alto: nonada, era assim que estava me sentindo. E me senti assim muitas vezes nos últimos meses. Porém, não se preocupem, estou longe de me sentir assim sempre e, acredito, não o farei.

Ocorre que nessa vida somos ensinados a ser (e veja que coisa, somente com sentimentos), mornos. Admito que nunca fui muito dessa vibe, veja bem, minha citação favorita do Apocalipse (3’16) é “Assim, porque és morno, e não és quente nem frio, vomitar-te-ei da minha boca”. Mas em algumas situações ainda me sinto condicionada a acreditar que é pouco polido sentir. E falar ganha outro peso. E como nada pode ser feito, apenas se suporta o mundo.

Na verdade, em algumas situações os sentimentos extrapolam-se e tem seu sentido original substituído por algum outro, normalmente pior. Vou tentar explicar melhor o que eu quero dizer.

Logo que eu perdi minha amiga, dois meses atrás, resolvi ler e assistir tudo que parecesse minimamente útil, pra tentar entender e lidar melhor com isso tudo. Revi todo o Six Feet Under (de um jeito bem diferente, btw), li uma série de artigos e livros, mas a única coisa das que eu li que me tocou e que eu relembro todos os dias desde então foi da Joan Didion, sobre o novo livro onde narra a morte da filha. Não achei mais a quote original, mas ela dizia algo como: tudo o que eu li sobre luto era muito polido e esqueceu de comentar que luto parece mais loucura que qualquer sentimento que já tenhamos tido.

Identificar essa loucura em processo foi, pra mim, a melhor maneira de tentar domar a dita. Não esperava nem espero sempre conseguir. Não sou maluca de fato. Espero que o sentimento viva seu fluxo, mas criei uma barragem para ele saber que só pode existir dentro do perímetro especificado.

De toda forma, acho lindo e saudável sentir, externar sentimento, só não estou disposta a cair no chão feito um boneco de pano. E foi assim que tenho medianamente conseguido fazer isso.

E acho que o motivo mais especial para querer isso são as pessoas.

De toda forma, se existe um lado positivo nesses momentos da vida é descobrir, no meio de toda essa desolação, as pessoas. Possivelmente por, como disse o Drummond, não se esperar nada, conseguimos ver as pessoas. E acho que isso passa a ser um norte maior.

Nunca fui das pessoas mais crentes que conheço. Leio livros de Zen pq me fazem sentido. Não acredito em reencarnação, nem em carma como milhagem, acredito em tentar viver com compaixão e omildade. Sem esperar nada, mesmo. O mundo não vai me pagar, não vai *PUFF* ficar massa, mas eu acho que isso é o que falta, especialmente pra minha vida (de-mim-pra-mim-saca). E isso, também, tem relação com as pessoas.

Em alguns momentos fica difícil sequer pensar em qualquer tipo de divindade sem sentir coisas palha. Ou pelas pessoas, essas tolinhas, ou pela suposta divindade, essa pau no cu.

Desculpe, acho complicado quem encontra Zeus, Deus, Eus na miséria.

Mas em todos os momentos, bons ou ruins, é possível pensar como um pouco de capacidade de sair de si, abandonar o embigo, torna/tornaria aquele momento melhor/menos pior.

Try a little tenderness, mesmo.

E, bom, não tenho um final pra esse post, que ele é do ramo das coisas reais e segue acontecendo.

Mas como não curtiria ser uma dessas pessoas que simulam que a vida segue ilesa, mesmo com todo solavanco, também não curtiria que esse blog e minha vida como um todo simulasse estar alheio.  É como disse o Eco, e eu cito pela décima nona vez:

Se você interage com as coisas em sua vida, tudo muda constantemente. E se nada muda, você é um idiota.

Então podscrê, nos vemos nas quebradas.

Do not stand at my grave and weep

Posted in degredo no olimpo, idéia não tem dono on 23 de setembro de 2011 by mari messias
Do not stand at my grave and weep,
I am not there; I do not sleep.
I am a thousand winds that blow,
I am the diamond glints on snow,
I am the sun on ripened grain,
I am the gentle autumn rain.
When you awaken in the morning’s hush
I am the swift uplifting rush
Of quiet birds in circling flight.
I am the soft starlight at night.
Do not stand at my grave and cry,
I am not there; I did not die.
Mary Frye

Então é Verão, e o que você fez?

Posted in degredo no olimpo, idéia não tem dono, ieieie, maconha, nadavê véiô, o mundo (essa folia) on 21 de dezembro de 2010 by mari messias

Sim, continuarei comemorando estações. No meio do ano conheci Bonito, fugindo da idade glacial que estava em PoA. Então um dia, voltando dum mergulho massa, toda molhada, solzinho delícia e a brisa, eu pensei que nunca mais problematizaria a vida ou leria mais nada se pudesse só ficar sentindo aquele brisa delícia.

Tipo Issa:

pobre sim pobre pobre pobre
a mais pobre das províncias
mas sinta esta brisa

E tem também: Na real, verão pra mim sempre é Canto de Ossanha. Poseidon chega lavando a costa e dando as real.

O homem que diz dou não dá
Porque quem dá mesmo não diz
O homem que diz vou não vai
Porque quando foi já não quis
O homem que diz sou não é
Porque quem é mesmo é não sou

Aqui tem o Contagem Regressiva, uma homenagem ao Verão, cheio de sonzera.

E aqui tem nossa deliciosa trilha de verão, versão nacional; Summer is Magic, mórenas.

Beijsbeijs.

For Corso

Posted in degredo no olimpo, deveras pessoais, idéia não tem dono, maconha with tags on 8 de julho de 2010 by mari messias

Como a maioria de vocês, entre infância e adolescência inúmeras vezes acompanhei minha mãe ao seu trabalho e, seguindo eterno costume fetichista e alergênico, ficava me enfiando pelos corredores de uma biblioteca que tinha lá perto. Até pouco tempo atrás ainda mantinha a carteirinha de lá, com a foto ridícula da minha infância e a lista infinita e disléxica de coisas que descobri lá e quase me mataram de alegria.

Um dia, já na adolescência (ainda que não muito), peguei um livro seguindo o princípio do randomismo mágico. Era Corsinho, AKA, Gregory Corso.

Ginsberg, Corso, Rosset

Explodi a cabeça com ele e isso também e me levou pelas ruelas de todos os seus amigs. Como, já na época, eu era fanboy do Henry Miller, o que me deixava fora de mim era mesmo a poesia, que eu lia e soltava um NIGGAPLIZ silencioso na biblioteca, enquanto procurava olhares de “te entendo, bichô”, sem muito sucesso obviamente, que só gente louca acha que vai encontrar solidariedade em livro ou biblioteca ;D

Mas é como diria o próprio Corsinho

The spark of poetry is
within us all
The poem is
the within brought without
A poet is born a
human being
A human being is
not born a poet
It’s the spirit
distinguishes the child from
the child Shelley
“He was not as other men
marked his peers”

Corso by Ginsberg

Com o tempo (e os saldos da feira do livro e o surgimento do meu fluxo de renda), eventualmente comprei (e, admito, afanei. mas não de bibliotecas. sou digna) alguns desses poemas que me fizeram boom mental. Nem sempre meus favoritos, coisa que tento remediar rebaixando o teto do vizinho com sobrecarga.

De toda forma, Corsinho. Quando conheci Moxão, falavamos muito de Corsinho. De como ele ia na casa dos amigos e saía pegando o dinheiro pra si, já que acreditava que dinheiro não tinha dono, era do mundo. E de como botava fé que uma boa amizade envolvia oferecer sua mulher aos amigos em sinal de alegria esquimó. E de como ele era feio pacas, possivelmente o beat menos descolé em seus modos visuais. E realmente sofrido e maluco. E de como ele é um poeta foda e sempre foi muito pouco valorizado.

Irónicamente (e o mesmo aconteceu com Hilst), depois de morto (em 2001) mais gente começou a pagar pau pro maluco-sublime. E se tu acha que eu vou falar mal disso não sacou nada que escrevi até aqui. Quero mais que leiam regozijem façam abluções.

Aqui tem um GoogleBooks com poemas dele, aqui uns poemas e comentários legais (de onde roubei uma das imagens) e poema roubei daqui. Infelizmente, que eu saiba, em português só tem edição antiga da L&PM (que talvez tenha sido relançada em pocket, nem procurei, de Gasolina e Lady Vestal, essa que eu li na biblioteca e depois comprei em saldo na Feira do Livro).

For Homer

[Gregory Corsinho]

There’s rust on the old truths
-Ironclad clichés erode
New lies don’t smell as nice
as new shoes
I’ve years of poems to type up
40 years of smoking to stop
I’ve no steady income
No home
And because my hands are autochthonic
I can never wash them enough
I feel dumb
I feel like an old mangy bull
crashing through the red rag
of an alcoholic day
Yet it’s all so beautiful
isn’t it?
How perfect the entire system of things
The human body
all in proportion to its form
Nothing useless
Truly as though a god had indeed warranted it so
And the sun for day the moon for night
And the grass the cow the milk
That we all in time die.
You’d think there would be chaos
the futility of it all.
But children are born
oft times spitting images of us
And the inequities
millions doled one
nilch for another
both in the same leaky lifeboat
I’ve no religion
and I’d as soon worship Hermes
And there is no tomorrow
there’s only right here and now
you and whomever you’re with
alive as always
and ever ignorant of that death you’ll never know
And all’s well that is done
A Hellene happiness pervades the peace
and the gift keeps on coming…
a work begun splendidly done
To see people aware & kind
at ease and contain’d of wonder
like the dreams of the blind
The heavens speak through our lips
All’s caught what could not be found
All’s brought what was left behind

(os dois brindes são, Corso em NY em 93 lendo o poema, banguele as usual, com musica de Nicholas Tremulis e abaixo o trailer de Corso: The Last Beat, muito mal falado no IMDB, sem som no Youtube, que função, mas né, tentarei baixar, se existir).
Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

Viagem

Posted in degredo no olimpo, idéia não tem dono on 23 de junho de 2010 by mari messias

Dizemos que há um modo Rinzai e um modo Sôtô, a prática Hinayana e a prática Mahayana, o buddhismo e o cristianismo. Contudo, se você praticar qualquer um deles, como se estivesse saltando de um lado para outro do universo, nenhum o ajudará muito. Se tiver a compreensão correta de sua prática, tanto faz se tomar um trem, um avião ou um navio, você apreciará a viagem.

(Shunryu SuzukiNem Sempre É Assim)

Daqui

Homem que não vive da glória do passado

Posted in degredo no olimpo, deveras pessoais, idéia não tem dono, maconha on 13 de abril de 2010 by mari messias

There’s always some post-modernist twist, you bitch!

Gogol Bordello

Uns anos atrás eu voltei pra casa MALUCA com a possível confirmação de que todas as interações humanas fossem encenadas. Sim, eu sou uma ingênua. Isso surgiu de uma conversa com minha então professora de Literatura Oral, Tettamanzy, e me arrebatou pq coincidiu com o que veio a ser só o começo de uma graaaande maconha minha sobre quem somos, como somos percebidos socialmente e os nuances ficcionais de todos os relacionamentos humanos.

Como eu tenho um amigo queridíssimo do meu coração que estava fazendo mestrado “em performance”, fui implorar uns conselhos. E, como sempre, ficamos horas pirando o cabeção mutuamente. Mas neste dia ele me falou de um negócio que chama twice-behaved behavior, que falaria da repetição de comportamento, ie, um comportamento que nunca aconteceria pela primeira vez. Logo, ele seria encenado, nunca espontâneo, sacou? E isso seria arte, performance. Mas isso também é vida, concluiu o sujeito lá do negócio que fui ler depois que meu amigo me falou isso. Ou ainda, ouso dizer, isso é mais vida que arte, como acabamos notando se vemos uma peça de teatro duas vezes ou pensamos nos shows do Monk ou em qualquer show que valha a pena.

Claro, pra essas coisas não serem só um amontoado de WTFs, chegamos no que o Cummings chamou de ser “obsessed by Making”. Que estou para conhecer alguém que seja bom em qualquer coisa [incluindo na vida] e não passe por issae. Mas, né, também disse o supracitado: “This may sound easy. It isn’t.”

Pra mim, as boas obras de arte ao vivo são aquelas que não se fazem sempre exatamente iguais, pra isso temos CDs e filmes. Ao vivo alguns de nós esperam mais. Ao menos da arte, já que normalmente não esperamos mais da vida, que deprê, né?

Não nos sentimos nem um pouco babacas ir nos mesmos lugares, semana após semana, ouvindo as mesmas coisas, falando as mesmas coisas, simulando a mesma novidade. Pelo contrário, sentimos um certo conforto nisso. E deve ser por este mesmo motivo que alguns de nós ainda ficam desconfortáveis quando o guitarrista não faz o solo que sabem inteiro e planejaram toda a semana reproduzir [com a boca].

E é por não sermos exatamente iguais que nem todos concordamos que este seja o papel da arte na nossa vida. Nem da auto-reprodução perfeita, nem da linearidade, nem da previsibilidade, nem do afago, nem da seriedade sorumbática e aristotélica. Não que eu não ame o Arista, queridão. Mas, né, tumba do canône é tão 90s, amigo.

Sobre isso, disse ali o Kafka:

“Se o livro que estamos lendo não nos acordar com uma pancada na cabeça, para que o estamos lendo? Precisamos de livros que nos afetem como um desastre, que nos angustiem profundamente, como a morte de alguém que amamos mais do que a nós mesmos, como ser banidos para florestas distantes de todos, como um suicídio. Um livro tem que ser o machado para o mar congelado dentro de nós.”

Então eu decidi escrever isto voltando de uma viagem, lendo Eagleton falar sobre o fim do desespero diante da noção de que a vida não tem significado intrínseco, nem linearidade, que é o que vivem os pós-moderninhos. E o que ele diz me pareceu bastante claramente a síntese da angústia de alguns dos espectadores diante da última peça da Cia Espaço em Branco, que dá nome ao post, Homem que não vive da glória do passado. E que é a peça deles que eu mais gostei, claro, que sou anti-pop-alerta.

Então, como me ensinou meu amigo João Ricardo, a vida imita a performance, mas onde o ego é substituído pelo Making. E aí, bom, não curtir é só um dos resultados possíveis. E tentarei não julgar ninguém por isso, claro:

Postmodernism, by contrast, is not really old enough to recall a time when there was truth, meaning, and reality, and treats such fond delusions with the brusque impatience of youth. There is no point in pining for dephts that never existed. The fact that they seem to have vanished does not mean that life is superficial, since you can only have surfaces if you have dephts to contrast with them. The Meaning of meanings is not a firm foundation but an oppressive illusion. To live without the need for such guarantees is to be free. You can argue that there were indeed once grand narratives (Marxism, for example) which corresponded to something real, but that we are well rid of them; or you can insist that these narratives were nothing but a chimera all along, so that there was never anything to be lost. Either the world is no longer story-shapped or it never was in the first place.

Metas

Posted in degredo no olimpo, deveras pessoais, nadavê véiô, o mundo (essa folia) on 22 de dezembro de 2009 by mari messias

(That´s what she said)

Eu não acredito em planos. Não mesmo. Plano é uma bela maneira de perder tempo já que nada nunca acontece como planejamos e só viramos um poço de ansiedade querendo encaixar o mundo real no nosso mundo virtual do cerebelo. Mas eu acredito em metas e retrospectivas.

Daí esses dias Moxão twittou que esses papos de fim de ano só serviam pra assumir que tu era o único responsável pela tua infelicidade, erros, problemas, algo assim. Sim, mas aí, alguém tinha dúvidas disso? Não podemos controlar o mundo inteiro, OK, mas SEMPRE somos os únicos responsáveis pela nossa vida, falai sério, Barrabás. Nós controlamos a única coisa relevante nas situações todas, que é nossa reação, nossa relação com elas. E todo esse papo de ritualística de final de ano, aniversário, seja o que for, é uma boa maneira de otimizar nossos processos pra ver se melhoramos isso, como eu vejo.

E eu adoro rituais muito e odeio sermos obrigados a viver céticamente simulando que nada muda, como disse o Eco:

Se você interage com as coisas em sua vida, tudo muda constantemente. E se nada muda, você é um idiota.

Já postei aqui, também, uma frasezinha do Stirner sobre a coragem de ser destrutivo. É pra poucos, só pros muy valerosos fremosos e Reys, mas está inserido na idéia. Então eu celebro natal, celebro aniversário, pulo ondinha e mando oferendas pra Poseidon. Mesmo que eu não creia em Penélope, o cão me basta, acho lindo e imortal. Feito um amigo que me respondeu: sobreviver. Ao que eu complementei: sorrindo, pra ser mais fácil e agradável. E manter amigos tão foda é uma boa meta, também.

Então tudo começou como brincadeirinha pra passar o tempo na viagem da fiRma, mas eu viciei em ouvir metas de 2010 dos amigos e pessoas queridas e agora minha meta de 2009 é ouvir todas as metas e esperanças e vida se desdobrando em sonhos mais vastos que el mar. Deixa meu coração gordinho e sorridente, feito o Nhonho on prozac. [adoro nhonho]

Então

Posted in degredo no olimpo, deveras pessoais, idéia não tem dono on 6 de novembro de 2009 by mari messias

Religion has wrought untold misery in human affairs. For the most part, it has been a squalid tale of bigotry, superstition, wishful thinking, and oppressive ideology.

Esse é o começo do livro do Terry Eagleton, Reason, Faith & Revolution. Certamente era a idéia ter um nome que soa satírico pros leitores dos bestsellers atuais. Bom, mas como comecei o dia falando sobre deus, zeus, eus, terminarei assim. Na verdade, nem terminarei assim, mas vamos brincar de ser épicos.

Eu venho de uma longa saga auto-imposta de busca de religiosidade. Algumas pessoas desejam profundamente ser famosas, ricas, inteligentes ou sei lá o que, meu desejo sempre foi acreditar em alguma coisa. Mas acreditar com aquele toque religioso, onde tudo se encaixa, o mundo faz sentido, como no relato de BDSM divino de Santa Teresa que já postei aqui e termina assim:

É uma carícia de amor tão doce que acontece então entre a alma e Deus que peço a Ele, em sua bondade, que a faça sentir aquele que pensa que estou mentindo

Mas, claro, quanto mais eu tentava, mais eu fracassava. O que, incrivelmente, nunca me fez deixar de gostar muito de temas religiosos, que sempre estarão entre meus assuntos favoritos.

Ocorre que, como política, religião é uma bela teoria com uma prática inviável. Por mais afudê que seja o fundador de uma escola de pensamento, ela sempre se desvirtua pelos caminhos da média que constitui as agremiações e afins. Mas, ei, assim é o mundo.

Um dia eu tive minha epifania de que deus, zeus, eus, enfim, tudo, era meu Deu e me quedo nessa idéia até que mude. Como eu vejo, todo sistema de crenças, independente de qual seja, é uma manifestação de fé. E nisso incluo os ateus e louvadores da ciência. Sobre os últimos, falei aqui [eu gosto desse post].

Mas digo tudo isso pq queria voltar ao próximo livro que comprarei, aquele de nome aparentemente paradoxal, do Terry Eagleton. Segundo li, no livro ele explica os motivos pelos quais acredita que os novos ateus são uns burrões e também por quais motivos vê IESUS como um revolucionário, ainda que em um sentido não prático, da causa marxista [Terry é um dos novos marxistas, esse corrente que dragou pessoas tão incríveis pra uma idéia tão not incrível].

Li milhões de saudações ao livro, dizendo que ele é uhu e ouié. Mas li tanta gente falando que nunca tinha pensado nisso, sobre Jesus ser um revolucionário que me dei conta que a maior parte das pessoas não pensa sobre esse assunto como um todo.

Olha, sinto por você, então divido um pedaço do livro que achei por aí e espero que todo mundo fique numa vibe mais anarco punk breve voltará.

Jesus, unlike most responsible American citizens, appears to do no work, and is accused of being a glutton and a drunkard. He is presented as homeless, propertyless, celibate, peripatetic, socially marginal, disdainful of kinsfolk, without a trade, a friend of outcasts and pariahs, averse to material possessions, without fear for his own safety, careless about purity regulations, critical of traditional authority, a thorn in the side of the establishment, and a scourge of the rich and powerful. Though he was no revolutionary in the modern sense of the term, he has something of the lifestyle of one. He sounds like a cross between a hippie and a guerilla fighter. He respects the Sabbath not because it means going to church but because it represents a temporary escape from the burden of labor. The Sabbath is about resting, not religion. One of the best reasons for being a Christian, as for being a socialist, is that you don’t like having to work, and reject the fearful idolatry of it so rife in countries like the Unites States. Truly civilized societies do not hold predawn power breakfasts.

O amor inventado

Posted in degredo no olimpo, idéia não tem dono, maconha, poesia visual on 27 de agosto de 2009 by mari messias

Mad Girl’s Love Song

I shut my eyes and all the world drops dead;
I lift my lids and all is born again.
(I think I made you up inside my head.)

The stars go waltzing out in blue and red,
And arbitrary blackness gallops in:
I shut my eyes and all the world drops dead.

I dreamed that you bewitched me into bed
And sung me moon-struck, kissed me quite insane.
(I think I made you up inside my head.)

God topples from the sky, hell’s fires fade:
Exit seraphim and Satan’s men:
I shut my eyes and all the world drops dead.

I fancied you’d return the way you said,
But I grow old and I forget your name.
(I think I made you up inside my head.)

I should have loved a thunderbird instead;
At least when spring comes they roar back again.
I shut my eyes and all the world drops dead.
(I think I made you up inside my head.)

Sylvia Plath

XX

Foda esse poema da Plath, né? Nos lembra, também, que o belo&difícil -redun- é o amor real, não o inventado. Então, vou dormir feliz que tenho mais amor real&imortal que a galere de Sodoma. Familia et Famiglia, l’amour TRU. Danke you all, tem sido foda dividir o mundo com vocês. Claro, soft porn style, mas massa.

Aliás, essa coisa de SOFT PORN sempre me intrigou. É possível existir porn sem penetração? O princípio da coisa toda não seria EXATAMENTE isso? Fico realmente confusa com esses conceitos, juro. Segundo o José Paulo Paes, que ganhou a chave de oiro da Grécia (o que abre a chave de oiro da Grécia? Eis uma dúvida relevante), toda merda piora com a idéia de “consciência dividida” dos romanos, quando deixamos de lado a sacralização do amor/sexo/tudomaish e temos que ter duas vias pras coisas. Não pense porcaria, estamos falando de SOFTPORN.

Daí começou a rolar OPA, era um anjo em Sodoma, foimalz. All the time, juro. E, dizem, foi assim que surgiu o softporn. Com a clandestinidade religiosa do erotismo e a necessidade da indústria da época de encontrar novas formas de ver o milagre mais antigo do mundo. Priapo chorou no cantinho e o mundo nunca mais foi o mesmo.

Citarei uma coisa que me agrada muito e, ainda que não tenha relação aparente nenhuma, enfim, motivo pra que, estamos falando de softporn.

“Se nos homens os erros do amor ou da luxúria são tolerados devido ao atrevimento de seu sexo, nas mulheres eles são considerados pecados vergonhosos” (André Capelão)

Y tu achou que era moderno, né, bonito?

amor32

Gargalhada Inextinguível

Posted in degredo no olimpo, idéia não tem dono on 18 de julho de 2009 by mari messias

Hefesto chamou então os outros deuses que, ao verem Ares e Afrodite naquela situação embaraçosa, soltaram “uma gargalhada inextinguível“(Od. 8.326) .