Arquivo para junho, 2009

O charme

Posted in deveras pessoais, idéia não tem dono, maconha on 30 de junho de 2009 by mari messias

Hoje apresentei um poema do Leminski em LIBRAS na aula. Sem a menor vontade reli/parodiei outro trabalho que estou fazendo, sobre remix/paródia, remixei, gaguejei, errei, voltei, tentei, falhei, enfim, foi tenebroso, mas imagino ter prosperado. Em algum nível simbólico onde se ouve The Sound of Silence. Dificilimo. Então, relendo o Leminski lembrei os motivos pelos quais ele tanto embalou minha puberdade. Bons e maus. E me dei conta que coloquei um Ezra que acabava assim:

Quando os nossos dois pós
Com o de Waller se deponham, mudos,
No olvido que refina a todos nós,
Até que a mutação apague tudo
Salvo a Beleza, a sós.

Que me levou pra outro, não o que eu apresentei. O do charme. O belo é tão difícil, mas o charme é ainda mais, ao que tudo indica. Acontece que, dizem, depois de encontrado, ele nunca acaba (RJ, 1999).

Apagar-me
diluir-me
desmanchar-me
até que depois
de mim
de nós
de tudo
não reste mais
que o charme.

O martírio pode ser bom, saudável

Posted in nadavê véiô, o mundo (essa folia) on 28 de junho de 2009 by mari messias

Michael morreu, o que me botou pensativa sobre uma série de coisas. Enquanto eu estava aqui fazendo meus douze trabalhos de faculdade, me dei conta, do nada, que não tinha visto nenhuma foto de fã chorando, de portão da mansão, essas coisas.

Ufa, alívio

Ufa, alívio

Ao longo da minha existência eu lembro bem de ter visto umas mortes que todos juram que nada será como antes depois delas. Fãs choram, entregam flores e velas e cartazes no portão da mansão e seguimos adiante, heraclitamente diferentes. Mas essa representação é nosso tipo de velório na/de mídia, algo assim. Afinal, precisamos nos confrontar com a imagem dessa morte. Whydefocmodafoca? Ora, pelo mesmo motivo que precisamos nos confrontar com a morte de pessoas que queremos bem, não por nada muito conspiratório, como vejo. Quando vamos em um velório, vamos pq precisamos disso, é um ritual de vida, transição.

Eu descobri isso da maneira mais bizarra. Não ia em velórios. Um dia vi uma pessoa que já tinha morrido na rua. Não vi a pessoa, é claro, mas quem eu vi era muito parecida com essa pessoa e isso me deu um nó mental. Notei que não eram a mesma criatura rapidamente, mas mesmo assim segui com aquela dúvida: morreu? Meu cérebro deu tilt MESMO. Daí eu entendi a importância dos rituais.

Precisamos de marcos transicionais mentais, aniversários, casamentos e, querendo ou não, precisamos de velórios.

E então, na minha busca por imagens do portão da mansão do MJ cheio de coroas de floresvelascartazesWECORAÇÃOUFORÉVIS eu me deparei com toda sorte de notícias e relembrei o que falamos (eu e meninas) por esses dias. Sim, Michael era um freak. E o mundo se dividiu entre aqueles que, com sua morte, querem que ele vire santo (ele não era pedófilo) e aqueles que querem que ele vire um freak ainda maior (ele não é o pai dos seus próprios filhos). Uma coisa muito Jesus Cristo Super Star de ambos os lados, como vejo.

Aliás, se eu fosse seguidora do Reich poderia fazer um tratado sobre como nossa sociedade precisa trabalhar seu Orgônio só na base do MJ morreu, convenhamos.

Mas, então. MJ era um desvio. Sim, não somos, nós, desvios? Eu sou, com orgulho. Aliás, possivelmente um dos grandes sofrimentos do MJ foi que ele nunca conseguiu desenvolver esse orgulho de ser deslocado. Sem entrar nas possibilidades de patologias sérias, como pedofilia. Até pq nem idéia se ele era pedófilo, sempre pensei sobre isso sem concluir porra nenhuma fora que essas crianças estavam ferradas pelos pais que tinham: que pai deixa o filho conviver com um suposto pedófilo?

No meu caso, ao Moj agradeço pelos primórdios do orgulho friki. Antes de conhece-lo eu não fazia idéia que era um desvio, com o tempo ele martelou tanto na minha mente que notei. Daí meu caminho longo e árduo de friki passou por: achei péssimo, depois aceitei como fardo, por fim orgulhei. Tipo etapas da morte. O que morreu foi minha ilusão de normalidade, de aceitabilidade, isso que me aproximaria do todo, teoricamente. O que surgiu dessa morte foi a noção real de um todo baseado na outridade. Recomendo. Ver o outro, desde 1999 detonando o cabeção.

Fazer de Michael Jackson pharmakós não está nos meus planos. Não mesmo. Nem um pouco. Me abster de comentar a face anormal auto-imposta ou o gosto bizarro para arté ruim também não. Nãotocega.com. Especialmente pq ele vivia uma realidade de martirização doentia com a qual sou um tanto intransigente. Respeito as bizarrias saudadas com o <3, todos temos as nossas. Mas vitimização toca meu alarme e me bota em corrida maluca no lado oposto: sentir pena, no hablo. ‘léndique acho que nosso sofrimento tem sempre relação com o quanto nos impomos sofrer.

Por fim, quer te martirizar, vira logo São Simeão. Ok, Michael chegou perto, admito.

Michael jackson2

Exercício1: Vamos todos olhar para MJ e simular que o aceitamos como ele era pq ele morreu e somos politicamente corretos. WTF!

*o título do post é uma referência a esse poeminha aqui, A indecência pode ser saudável, do Lawrence

Eu duvido, mas

Posted in ctrl+c ctrl+v, ieieie, o mundo (essa folia) on 25 de junho de 2009 by mari messias

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Esse eu roubei daqui, mas nós tivemos essa idéia antes aqui (dizai, arrasamos ou não? adoro plural deslocado. mas nesse caso, Marx tava envolvido, mermo)

Ainda duvido, sério mesmo. Deve ser tipo quando Silvio Santos morreu. Toda forma, ouço Off the wall e choro (as porcarias das incorporações foram desativadas), então ficão com outro clássico imortal :~ (NOSSA, como amo)

WUW, michael

Teogonia

Posted in quotes da rapeize on 22 de junho de 2009 by mari messias

zeus

FERNANDES, Paulo diz:
cara
tá em algum lugar da Ilíada
mari diz:
Teogonia, acho
parece que é como o mundo surgiu
mas nem sei se os humanos praticam
FERNANDES, Paulo diz:
cara, sexo é tipo Zeus
mari diz:
EXISTE?
FERNANDES, Paulo diz:
nunca aparece, e quando aparece
mari diz:
errrrrrrrr… explode na tua cara e te mata?
FERNANDES, Paulo diz:
é para comer alguém da tua família

Um blog é um blog é um blog

Posted in idéia não tem dono, maconha, o mundo (essa folia) on 22 de junho de 2009 by mari messias

(mas Saramago faz parecer muito mais, huh?)

Snap1

Eu juro que não teria acreditado se não tivesse visto com meus próprios olhos, mas antes de ser comentarista do mundo, Saramago já foi escritor. Por um breve período, uns 3 livros. Mas foi.

Não sou de questionar a sanidade alheia, só a falta de senso crítico. Então abaixo, em ordem, podemos ler uma frase do Saramago e, logo em seguida, o mantra dos blogueiros iranianos nos idos de 2005, época das eleições. Nos links vcs se aprofundam em ambos os temas.

Não sou de dar opinião tendenciosa, mas o segundo me parece o único realmente interessante.

“A prática do blog levou muitas pessoas que antes pouco ou nada escreviam a escrever. Pena que muitas delas pensem que não vale a pena se preocupar com a qualidade do que se escreve”

“Será necessário mais do que um site para mudar esse país. Mas um bom blog é um bom começo”

Eu sou um link

Eu sou um link

Ah, sim, mais duas coisas:

Twitter de políticos brasileiros.

Momento subcomandante Marcos no Twitter: Anyone on Twitter, set your location to “Tehran” and your time zone to GMT +3.30. Security forces are hunting for bloggers using location/timezone searches. The more people at this location, the more of a logjam it creates for forces trying to shut Iranians’ access to the internet down.

Inverno

Posted in idéia não tem dono, nadavê véiô, o mundo (essa folia) on 22 de junho de 2009 by mari messias

Ontem começou o Inverno. Seguindo minha tradição de louvar começos de estações e suas transições, inverno. Pensei pensei pensei como saudar essa estação de muitas roupas, movimentos congelados de frio, trancar-se em casa, chás quentes, sopas quentes, tudo quente, pelamor.

Ironicamente em Porto Alegre, a cidade de Pasteur, o inverno trouxe consigo o sol. Mesmo assim, sem humores sazonais, descongelemos.

In poetry, an envoi is a short stanza at the end of a poem used either to address an imagined or actual person or to comment on the preceding body of the poem.

In poetry, an envoi is a short stanza at the end of a poem used either to address an imagined or actual person or to comment on the preceding body of the poem.

ENVOI

Vai, livro natimudo,
E diz a ela
Que um dia me cantou essa canção de Lawes:
Houvesse em nós
Mais canção, menos temas,
Então se acabariam minhas penas,
Meus defeitos sanados em poemas
Para fazê-la eterna em minha voz

Diz a ela que espalha
Tais tesouros no ar,
Sem querer nada mais além de dar
Vida ao momento,
Que eu lhes ordenaria: vivam,
Quais rosas, no âmbar mágico, a compor,
Rubribordadas de ouro, só
Uma substância e cor
Desafiando o tempo.

Diz a ela que vai
Com a canção nos lábios
Mas não canta a canção e ignora
Quem a fez, que talvez uma outra boca
Tão bela quanto a dela
Em novas eras há de ter aos pés
Os que a adoram agora,
Quando os nossos dois pós
Com o de Waller se deponham, mudos,
No olvido que refina a todos nós,
Até que a mutação apague tudo
Salvo a Beleza, a sós.

Ezra Pound
(tradução de Augusto de Campos)

ENVOI (1919)Vai, livro natimudo,
E diz a ela
Que um dia me cantou essa canção de Lawes:
Houvesse em nós
Mais canção, menos temas,
Então se acabariam minhas penas,
Meus defeitos sanados em poemas
Para fazê-la eterna em minha voz

Diz a ela que espalha
Tais tesouros no ar,
Sem querer nada mais além de dar
Vida ao momento,
Que eu lhes ordenaria: vivam,
Quais rosas, no âmbar mágico, a compor,
Rubribordadas de ouro, só
Uma substância e cor
Desafiando o tempo.

Diz a ela que vai
Com a canção nos lábios
Mas não canta a canção e ignora
Quem a fez, que talvez uma outra boca
Tão bela quanto a dela
Em novas eras há de ter aos pés
Os que a adoram agora,
Quando os nossos dois pós
Com o de Waller se deponham, mudos,
No olvido que refina a todos nós,
Até que a mutação apague tudo
Salvo a Beleza, a sós.

(tradução de Augusto de Campos)

tru

Posted in quotes da rapeize on 21 de junho de 2009 by mari messias

arthur diz:
minha pretê atual é de alvorada
me enche de alegria e preguiça
pena não ter carro ou que ela não more num lugar melhor, mais perto e seguro
mari diz:
sim, tipo
“NA MINHA CABEÇA”

A mulher que não era bonita

Posted in idéia não tem dono, poesia visual on 20 de junho de 2009 by mari messias

emilydickinson

Talvez, por que vivesse angustiada, aflita
Amei uma mulher que não era bonita…

Mas eu sei não foi; foi um amor sincero.
Tanto a amei, tanto a quis, que inda a amo e inda a quero…

Capricho, coração, uma cousa qualquer,
Por que se quer e estima e se ama uma mulher…

Vocês hão-de dizer: “Todo rapaz é assim…
Por um beijo de amor tem sempre ao lábio um “sim”…

“Que lhe importa lá dentro o escravo coração
Bata nervosamente a reclamar que não?”

O amor prende, o amor cega, o amor faz o que quer,
Fêz-me, portanto, amar a primeira mulher.

Infelizmente, nem ela própria acredita
Que se ame uma mulher que não seja bonita…

Judas Isgorogota

(Esse poema, arrupiou nos conversês meus de Marx e June de tal modo que virou expressão unissex. Judas dá as real: quem nunca amou uma mulher -gênero indefinido- que não é bonita? Hshshshshshs. SILIGÃO. ZEUS TA VENDO. O livro desse poeta reticente recebi de um amigo dos idos do IRC, se não me falha a memória. E, se podemos confiar na mesma, o recebi pelo primeiro nome do poêta, coisa que me obcecava na época. Tentei achar algo sobre o sujeito, achei bem pouco. Sei que nasceu em 1921 em Maceió, mudou-se pro Rio aos 23 anos de idade e morreu no ano que nasci, glorioso 79. Sei que esse não era seu nome verdadeiro, que nasceu Agnelo Rodrigues de Melo -AGNELO DE MELO-, que publicou 15 livros de poesia e foi traduzido para umas 10 línguas. A beleza não convencional é universal, claro. Rapaziada chega na vida cheia de frescurinha e jura que entende o que é amar. Quero ver admitir EM VERSO RETICENTE: EU AMEI UMA FEIA. SÓBRIO. Acho bonito e digno. Mas, claro, sempre tem otário que prefere poema sobre amei uma mulher que possuía capacidade cognitiva nula.)

Transaish louquissimaish

Transaish louquissimaish

Post sobre o mesmo tema: Power to the feio (eis que me repito e não nego)

É

Posted in ieieie on 19 de junho de 2009 by mari messias

Tantas horas sin dormir
creo que voy a morir
24 horas al dia quiero vivir

Tantas cosas quiero hacer
que no alcanzo a recorrer
todo lo que en mi cabeza llego a tener

Ah, o final de semestre. Ou acabamos com ele. Ou vice-versa.

The real thing

Posted in o mundo (essa folia), quotes da rapeize on 19 de junho de 2009 by mari messias

FERNANDES, Paulo diz:
eu quero envelhecer em paz
mari diz:
cara, eu vou num show. Beirut, em SP.
não fui no Gogol Bordello, mas vou no Beirut
quase certo
pq, me conhecendo
capaz que eu desista e fique em casa
SOZINHA
LENDO
e RECLAMANDO
FERNANDES, Paulo diz:
SIM
RECLAMANDO COMIGO
mari diz:
SIM
FERNANDES, Paulo diz:
TRU