Arquivo para dezembro, 2009

Velhice

Posted in idéia não tem dono on 30 de dezembro de 2009 by mari messias

Pensando bem: talvez o tempo de que disponho pareça curto demais não por minha idade avançada, mas porque, quanto mais velho você é, mais sabe que os pensamentos, embora possam parecer grandiosos, jamais serão grandes o suficiente para abarcar a generosa prodigalidade da experiência humana, muito menos para explicá-la. O que sabemos, o que desejamos saber, o que lutamos para saber, o que devemos tentar saber sobre amor e rejeição, estar só ou acompanhado e morrer acompanhado ou só – será que tudo isso poderia ser alinhado, ordenado, adequado aos padrões de coerência, coesão e completude estabelecidos para assuntos de menor grandeza? Talvez sim – quer dizer, na infinitude do tempo.

Não é verdade que, quando se diz tudo sobre os principais temas da vida humana, as coisas mais importantes continuam por dizer?

Bauman, anunciando que acredita no motto 2010: azar do linear

I celebrate myself, and sing myself

Posted in idéia não tem dono on 28 de dezembro de 2009 by mari messias

2010: Azar de quem é linear

50

There is that in me – I do not know what it is – but I know it is in me.

Wrench’d and sweaty – calm and cool then my body becomes,
I sleep – I sleep long.

I do not know it – it is without name – it is a word unsaid,
It is not in any dictionary, utterance, symbol.

Something it swings on more than the earth I swing on,
To it the creation is the friend whose embracing awakes me.

Perhaps I might tell more. Outlines! I plead for my brothers and sisters.

Do you see O my brothers and sisters?
It is not chaos or death – it is form, union, plan – it is eternal
life – it is Happiness.

51

The past and present wilt – I have fill’d them, emptied them.
And proceed to fill my next fold of the future.

Listener up there! what have you to confide to me?
Look in my face while I snuff the sidle of evening,
(Talk honestly, no one else hears you, and I stay only a minute longer.)

Do I contradict myself?
Very well then I contradict myself,
(I am large, I contain multitudes.)

I concentrate toward them that are nigh, I wait on the door-slab.

Who has done his day’s work? who will soonest be through with his supper?
Who wishes to walk with me?

Will you speak before I am gone? will you prove already too late?

52

The spotted hawk swoops by and accuses me, he complains of my gab
and my loitering.

I too am not a bit tamed, I too am untranslatable,
I sound my barbaric yaws over the roofs of the world.

The last scud of day holds back for me,
It flings my likeness after the rest and true as any on the shadow’d
wilds,
It coaxes me to the vapor and the dusk.

I depart as air, I shake my white locks at the runaway sun,
I effuse my flesh in eddies, and drift it in lacy jags.

I bequeath myself to the dirt to grow from the grass I love,
If you want me again look for me under your boot-soles.

You will hardly know who I am or what I mean,
But I shall be good health to you nevertheless,
And filter and fibre your blood.

Failing to fetch me at first keep encouraged,
Missing me one place search another,
I stop somewhere waiting for you.

[my heart belongs to] Whitman

Metas

Posted in degredo no olimpo, deveras pessoais, nadavê véiô, o mundo (essa folia) on 22 de dezembro de 2009 by mari messias

(That´s what she said)

Eu não acredito em planos. Não mesmo. Plano é uma bela maneira de perder tempo já que nada nunca acontece como planejamos e só viramos um poço de ansiedade querendo encaixar o mundo real no nosso mundo virtual do cerebelo. Mas eu acredito em metas e retrospectivas.

Daí esses dias Moxão twittou que esses papos de fim de ano só serviam pra assumir que tu era o único responsável pela tua infelicidade, erros, problemas, algo assim. Sim, mas aí, alguém tinha dúvidas disso? Não podemos controlar o mundo inteiro, OK, mas SEMPRE somos os únicos responsáveis pela nossa vida, falai sério, Barrabás. Nós controlamos a única coisa relevante nas situações todas, que é nossa reação, nossa relação com elas. E todo esse papo de ritualística de final de ano, aniversário, seja o que for, é uma boa maneira de otimizar nossos processos pra ver se melhoramos isso, como eu vejo.

E eu adoro rituais muito e odeio sermos obrigados a viver céticamente simulando que nada muda, como disse o Eco:

Se você interage com as coisas em sua vida, tudo muda constantemente. E se nada muda, você é um idiota.

Já postei aqui, também, uma frasezinha do Stirner sobre a coragem de ser destrutivo. É pra poucos, só pros muy valerosos fremosos e Reys, mas está inserido na idéia. Então eu celebro natal, celebro aniversário, pulo ondinha e mando oferendas pra Poseidon. Mesmo que eu não creia em Penélope, o cão me basta, acho lindo e imortal. Feito um amigo que me respondeu: sobreviver. Ao que eu complementei: sorrindo, pra ser mais fácil e agradável. E manter amigos tão foda é uma boa meta, também.

Então tudo começou como brincadeirinha pra passar o tempo na viagem da fiRma, mas eu viciei em ouvir metas de 2010 dos amigos e pessoas queridas e agora minha meta de 2009 é ouvir todas as metas e esperanças e vida se desdobrando em sonhos mais vastos que el mar. Deixa meu coração gordinho e sorridente, feito o Nhonho on prozac. [adoro nhonho]

Coisas que me fazem mais primaveril II

Posted in idéia não tem dono on 9 de dezembro de 2009 by mari messias

pobre sim pobre pobre pobre
a mais pobre das províncias
mas sinta esta brisa

(Issa)

[tradução do Leminski]

Coisas que me fazem mais primaveril I

Posted in idéia não tem dono on 9 de dezembro de 2009 by mari messias

since feeling is first

who pays any attention
to the syntax of things
will never wholly kiss you;

wholly to be a fool
while Spring is in the world

my blood approves,
and kisses are a far better fate
than wisdom
lady i swear by all flowers. Don’t cry
–the best gesture of my brain is less than
your eyelids’ flutter which says

we are for eachother: then
laugh, leaning back in my arms
for life’s not a paragraph

And death i think is no parenthesis

E.E. Cummings

Porco Pizzare

Posted in maconha, quotes da rapeize with tags , on 7 de dezembro de 2009 by mari messias

Nanda diz:
acho que nossa meta é colocarmos o PORCO PIZZA num site gringo
mari diz:
porco pizzare
Nanda diz:
agora vi que ate twitter o porco pizza tem
http://twitter.com/porcopizza
mari diz:
possivelmente a melhor ideia da gastronomia desde
OFOGO
RT essa mensagem para concorrer a um ano de porco pizza!
HHAHAHHAA
Nanda diz:
eu ja dei meu RT
e agora vou mandarar um email pra familia
pedindo um PORCO PIZZA NO REVEILLON
mari diz:
cara
um ano de porco pizza
é UM PORCO PIZZA
Nanda diz:
gente
qq a pessoa tem na cabeça
de transformar UM PORCO
EM PIZZA
isso é maior que TODO O SIMPSONS
GANHA DE MIL DO PORCO-ARANHA
mari diz:
SIM
porco aranha não serve pra nada
porco pizza tem duas utilidades
é um porco
DE COMER
e uma pizza
DE COMER
Nanda diz:
uma pizza de FRANGO COM CORAÇAO DE GALINHA E REQUEIJAO, MNHA GENTE
mari diz:
sim, paladar de fumante
logo se nota
Nanda diz:
faltou um SHOYU
mari diz:
shoyu e SKOL
Nanda diz:
coloca um FONDOR em cima
acompanhamento de MIOJO
mari diz:
Larica Total especial: Porco Pizza
nada representa mais o espirito larica que porco pizza
porco pizza DE CHOCOLATE
TALVEZ
Nanda diz:
PORCO PIZZA MAIOR QUE TODO O LARICA TOTAL
A GENTE PODIA FAZER UMA BARRACA DE PORCO PIZZA EM UMA ESQUINA DA REPUBLICA
porçao mini pode ser POMBO PIZZA
acaba com problema da cidade baixa
mari diz:
POMBO PIZZA
AHSDSHJVSA
TIROU A MAGIA
:///

(…)

Nanda diz :
hoje faz uma semana que nao vejo andre
parece que faz um mês
mari diz :
obregon
amor é como porco pizza
uma mistura de sabores
HAHAHAHAHA
Nanda diz :
HAHJHASDKJHAKJDAD
AI PORCO PIZZA
É O DESTAQUE DO ANO
mari diz :
É O NOVO I CHING
Nanda diz :
supera o cágado que comeu a pomba
(….)

Fernanda para sua mãe: bora fazer uma PORCO PIZZA
Mãe de Fernanda para ela: que coisinha pratica, ne?

Carnafolia

Posted in deveras pessoais, nadavê véiô on 5 de dezembro de 2009 by mari messias

Como diria Marina Lima, vem chegando o verão e com ele as férias da faculdade. E eu já fico toda toda com a possibilidade de ler sem parar. Que faculdade, todos sabem, serve pra evitar que tu leia o que tu quer pela maior parte do ano. Claro, tem algumas pessoas que não querem ler nada nunca, pra elas a faculdade é uma complexa rede de intrigas que serve pra testar o poder dos dados e da mentirinha.

Mentirinha é o novo samba rock.

Mas o mais preocupante é que eu estudo Letras [tem uns miledouze anos, aliás] e penso que alguns desses seres que odeiam ler vão se tornar, eventualmente, professores. E me lembro por qual motivo eu não suportava o colégio. Entre outros, claro. Estudando na rede pública, insalubre, mal paga, com material sujo, banheiro sujo, enfim, você conhece todo tipo de professor. Claro, tive alguns geniais [e se você, cretinamente, se pergunta por qual motivo professores geniais estariam na rede pública eu te pergunto por qual motivo você não é o Bill Gates, moreno]. Mas tive alguns que eram de chorar lantejoulas no cantinho até formar um daqueles globos disco.

E tive muitos colegas que serão assim ou piores. Gente lamentável, mesmo. Alguns até com mestrado. Mestrado respeitado. “Oh, mas fulana fez mestrado na pqp” “É, mas meu escritório é na praia e eu tou sempre na área.beijs”

Então, com toda minha Carnafolia dividirei alguns livros que escolhi ler no trio elétrico. E note que a lista vai ficando mais vaga, até que eu canso e desisto. Fiquem com essa chinelagem que, infelizmente, eu tenho mais o que fazer:

As ilusões do pós-modernismo e The Meaning of Life: A Very Short Introduction. Terry Eagleton

(no final não comprei o livro sobre Iesus por conta de dois dolares, achei que estava sendo sensata. esse sobre o sentido da vida é um apanhado histórico de motivações sobre o sentido da vida. na verdade, eu nem sou daquelas pessoas que se perguntam isso, ser sincera. mas achei que podia ser interessante e jovial ler isso e os comentários de leitores foram positivos. o outro, bom, só frustração até onde li. sinceramente nem sei se lerei mais. acho que devolverei e pegarei outras coisas na biblioteca de alexandria casa comigo da pucrs)

The Paradox of Choice: Why More Is Less. Barry Schwartz

(Finalmente. Só o que posso dizer. Desejo desde que vi esse vídeo)

Remix. Lawrence Lessig

(Já tou na metade, delicioso de ler. Dele já li Cultura Livre, tem pra baixar pelo mundo online, valevalevalevale. De novo, Biblioteca da Puc=Paraíso islâmico)

Lacrimae Rerum. Zizek

(Sobre cinema. Zizek não é minha monomania. Explico aos que não sacam que não louvo o sujeito, não concordo com ele plenamente, mas ele continua me mostrando prismas interessantes e isso é massa bagarai)

HQs. (variados, incluindo mais alguns Treasury of Victorian Murders)

(A única ficção que tem sido tolerada pelo meu corpo. Na verdade, nem sempre ficção. Mas estou num processo de “ai, que cafoona”. Deve ser pq tenho lido muita literatura nacional)

Poesia. FORÉVIS.

(Érico Veríssimo não era poeta)

Cansei, mas convém dizer que além disso me mantenho firmeforte lendo tudo que acho que pode ser adequado ao que eu penso que pode vir a ser meu TCC algum dia.

Até domingo ;]

Aristotelicamente sua

Posted in idéia não tem dono, maconha, rubens ewald tchora with tags on 3 de dezembro de 2009 by mari messias

Podemos ver aqui como a proibição fundamental, longe de funcionar de modo meramente negativo, é responsável pela sexualização excessiva dos acontecimentos mais vulgares dos cotidiano. Tudo que faz a pobre heroína esfomeada, desde andar na rua até ter uma refeição, é transubstanciado na expressão do desejo de dormir com seu homem. E nos damos conta de como o funcionamento dessa proibição fundamental é absolutamente perverso, na medida em que é pego inevitavelmente no movimento reflexo pelo qual a defesa contra o conteúdo sexual proibido gera um movimento reflexo que tudo impregna. O papel da censura é muito mais ambíguo do que pode parecer. (…) De fato, não estaríamos afirmando que, quanto mais severa for a censura direta, mais subversivos serão os produtos gerados por ela de forma involuntária?

Zizek, Lacrimae Rerum

Aristóteles, e nem me darei ao trabalho de citar literalmente que a galere deve tar ligs, fala lá na Poética sobre a importância de subentender, não mostrar tudo, em alguns momentos (ou, de como matei meus filhos na coxia). Aí em cima Zizek está falando de um código similar, o Código Hays (1930-1967), versão Hollywoodiana e, portanto de caráter extremamente sexualizado do “código de conduta moral aristotélica”.

Tipo assim, lembro como se fosse nos anos 90 do Ewan McGregor falando sobre a censura no lançamento do Trainspotting nos US. Ele dizia algo como: “Você pode sacanear os seus amigos e se matar com heroína mas nunca, NUNCA MESMO, aproveite sexo.”

Bom, com tanta ênfase, eu poderia encerrar por aqui e dizer: isso foi minha reflexão sobre Crepúsculo e Lua Nova (muita coisa boa nesse link), mas vou tentar falar mais algumas das miledouze coisas que pensei nas duas últimas semanas sobre A SAGA.

Alias, nada pode definir melhor dois filmes que possuem apenas um diálogo (-Me transforme em vampiro –Não posso) e muito ensebamento de Ofélia que A SAGA DO ENSEBAMENTO PURPURINADO. Mas isso é sugestão minha. Prozac mudava tudo. Beijs.

O óbvio dos filmes é o caráter sexual, explicitado pelos ápices que sempre ocorrem pelos (únicos) beijos (plenos) de ambos os filmes, que configuram uma cena de quase sexo explícito na doação dos personagens ao ato em si. Mas essa configuração de sexualidade sem sexualidade, cheia de adjacências de significações, antes de ser uma reprodução dos inglórios amores platônicos da adolescência, especialmente tendo em vista que eles são namorados e tem 18 anos, é uma maquete sadomasoquista onde o prazer é gerado pela mimesis do ato que ocorrem nos grandes momentos de sofrimento. Basicamente, fazem sexo com a cabeça e pensam com o corpo.

Mas, enfim, não ficarei me prolongando no óbvio. Nem ironizando os sofrimentos do jovem que certa feita se ejeta da cama onde está com seu broto ou surge em seu quintal, sorumbático. Tampouco falarei que os filmes podem ser resumidos em: Vamos mais devagar, garota. Ou ainda, não direi como fiquei chocada com o fato de absolutamente todos os personagens dos filmes serem mulheres. E também ignorarei a moral de que meninas frígidas controlam o mundo enquanto pisoteiam corações, ou o possível subtexto psicótico.

Vou aproveitar pra falar um pouco do racismo em Lua Nova. Ou vocês acham que nem precisa? Tá bem na cara, né. Aquele papo de autora nunca ter lido nenhum livro de vampiro também não precisa, né?

Taí, bora ler um comentário mais astuto que o meu.

Beijsiliguem

Peguei daqui, indicação do Moxão.

Coloquei umas indicações extras nos comentários. Descobri por qual motivo uma autora parcamente alfabetizada e semi virgem faz sucesso e filmes ruins: pra nos brindar com piadas geniais infinitas. Sidivertem.