Archive for the poemetos Category

Vamos brincar de

Posted in deveras pessoais, idéia não tem dono, maconha, poemetos on 16 de setembro de 2008 by mari messias

William Carlos Williams, amado, propôs um poema coisa, sem idéias. Se achou o maioral, mas os fumetas japa já faziam isso antes que ele pudesse imaginar o que era tuberculose. Eu, adepta da contemplação, sentada com a gata preta olhando o horizonte sem dizer uma palavra por três horas, sentindo o vento frio do cacete, penso que os caminhos da mente são nocivos nocivos nocivos. Quando Corso disse que é lindo sentir ele, certamente, não estava se referindo ao emaranhado de sentimentos doentios que temos. Ou estava, era o Corso. O Corso também dizia que dinheiro não tinha dono e que os amigos deveriam oferecer suas mulheres para ele em sinal esquimó de alegria. Mas enfim. Este nosso sentir não é nem mais sentir, o sentir primordial morreu-se.

Claro que isso é difícil, eu tenho a lua em capricórnio e me acostumei a sentir pensando. Mas o primeiro passo é rir dos emaranhados. O problema talvez seja que, chegando ao sentir primordial não reste mais muito o que fazer com palavras, desejos, letras, proximidade. E fiquemos sentados, como gatos pretos: tanto depende de um vento na cara.

Contraponto mundano, deveras mundano. Meu haikai do meio micro workshop que fiz na faculdade uó com a japa ripe:

sol do meio dia

acendo cigarro de

barriga vazia

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Doentios

Posted in deveras pessoais, poemetos on 9 de setembro de 2008 by mari messias

Bom, como boa maluca eu começo me desculpando. Coisa que não deveria fazer pq só meus amigos leem isso e leem pq querem, nada os obriga (só a amizade. hshshshs).

De toda forma, voltei a escrever poemas deveras pessoais. E por pessoais não quero dizer que aconteceram comigo, quero dizer não tem personagem nem história, são como os poemas que eu escrevia quando era jovem, líricos.

Como sei que a maioria dos meus amigos odeia poesia e tem senso estético apurado, imagino que não vão ficar triunfantes nem nada. Mas saibam que eu fiquei. Deveras. Então regozijem-se por mim, PORRA.

Chamei eles de poemas doentios pq todos tem algo em comum: são doentios (ie, eu). Alguns são de amizade, mas soaram tão dúbios e isso me pareceu tão doentio que coloquei junto. Hshshs. Outros são para Túlios (Saca o Túlio? Não o Túlio maravilha, ô ignorante). E outros são pessoais, de fato.

Um dos meus favoritos é este aí abaixo. Resolvi colocar aqui pq o princípio inicial deste blog era que eu achava que estava muito reprimida e precisava de um jeito que me obrigasse a não ser mais. Então, seguindo com a idéia de romper os limites pessoais, coisital.

E, tá, eu sei, FNM já fez melhor sobre o mesmo tema. Hshshshs.

Deixa eu adentrar com a minha mão
Teu desconhecido
E sentindo este amor confuso
Me deixa sentar em tua escuridão
E escrever um poema que não se leia

E depois, vias abertas,
Escolherei as saídas mais curtas
E nós certamente morreremos
Como podemos esperar mais da vida?

Mas até lá me deixa sentar em tua mão
E beber minhas misérias
E me deixa estreitar nossos pulsos
TUM TUM TUM TUM
Porque morrer é vida
E morrer de vida não é
Ao meio.

Pyratas

Posted in poemetos on 10 de junho de 2008 by mari messias

(uhu, mais um pedaço dos pyratas. outros dois aqui e aqui. incapacidade de dormir é uma merdra)

Canto IV
Os conselhos do pai.

Nascido de pai pobre e mãe orgulhosa, em dia esquecido, o pródigo foi, desde mui jovem, recolhido por estripulias que incluíam pequenos furtos e calúnias gloriosas. O pai, sempre mui temente, resolveu aconselhar-lhe:

Se te flagram
Desmaia ou sorri
Pous não sendo rufião
Faz bom uso do espanto
E anula a transgressão

Mas não exagera
Ou teu renome
Vira quimera
E te tomam
Por débil ou dama

Preza teu legado
Com destreza
Faz fato o negado
Com as damas e com a lei
Te servirá
Melhor que beleza em Rey

É importante ter engenho
E ingênua confiança
Em teu próprio desempenho
Mas não convém burlar
Lei maior que a capacidade
De pagar

Usa sempre teu nome
Aquinhoado do Pai e Del-Rey
Evita a morte antes de tudo
E depois o endoudecedor matrimônio
Que foi feito indissolúvel pelo
Próprio demônio

Não sobrando o que fazer
Corre pr’além’ar
E te some
Pous lá não existe ley
Ou fome

Esquece tudo
Se te acham
No fim da sorte
Fica mudo e pede bença
Pra encarar a morte
Como sabença

Pyratas

Posted in poemetos on 30 de abril de 2008 by mari messias

(Em homenagem ao momento saí do armário, curto pornografia, que é um equivalente ao Ronaldo Esper assumindo que é gay, um poeminha putorro. Mais um trecho do meu poema de lendas familiares e pyratas.)

Canto VIII
Do amor embriagado (qual a maldade?)

Tão torta a dama
Admira não fosse donzela
Nem por desespero a queria na cama
Conquanto sua fama de cadela

A cada nova vista
Está o corpo mais nu
Sendo a dama hedonista
Talvez lho ceda o cu

Ao fim de outra jarra
Sossega o conflito
Estando na bandarra
Talvez não seja delito

Eis que tudo esquece
Quando uma pequena mão
Em suas calças desce
E o gosto lho obriga
E a putaria lho apetece

Não conheceu o amor
Com Ana Bela
Não o conheceria jamais
Fosse por escolha dela
Com Ana conheceu o pecado
Degredado em seu cono
Praticou o desavergonhado
Metendo em seu forno
Até ter o pisso esfolado

Pyratas

Posted in poemetos on 23 de abril de 2008 by mari messias

Epílogo I
A doença do pago: terra é o nãomar

Daqui onde se despede o pasto
Daqui onde a terra não é mais que lastro
De onde tudo que é o mundo é parte
Daqui que vi cos olhos de guri e de moço
Deste lugar que me teve a contragosto
Daqui me afasto

No galope do chucro
Deixou al mar boa parte sua
Como deixa o enamorado
Que na partida se amua

Assentou os olhos na terra
Como quem vê de si tão pouco
Que esforça a vista e erra
E para quem avista é louco

Areou-se de si naquele charco
O pleno desabafo do peito
Um pouco de mar e alento
Mas onde a vista fosse era terra

(Isso é um pedaço do meu poeminha de pyratas e lendas familiares. Eu gosto muito deste pedaço. É bem próximo do final e é todo sentimental, pq ele se despede do mar. Espero que seja possível notar isso, enfim. As partes em itálico são sempre as falas dos personagens, neste caso do personagem principal, El Don de José.)

recordar é viver

Posted in mofo, poemetos on 22 de abril de 2008 by mari messias

De quinhentos anos atrás, da época do K. Eu ainda curto, apesar de achar saudosismo uó.

maiakovski quando sentia
khlebnikov quando criava
a euforia que existia
quando ainda se acreditava
que a morte do czar
era o passo que faltava
para que a vida fosse poesia

Sideshow

Posted in deveras pessoais, poemetos on 22 de abril de 2008 by mari messias

Ah, sim, sobre abrir um novo blog.

04Vedere obisnuita pe Calea Victoriei2

girando na roda
no trapézio miniatura
pequeno fraque
veja o nariz do palhaço
eis-me, senhores
connoisseur de araque
apresentando ao mundo
meus pequenos estragos
neste seu sideshow