Arquivo de fevereiro, 2013

Everything

Posted in idéia não tem dono, ieieie on 6 de fevereiro de 2013 by mari messias

I got no fancy car,
Never was no Superstar.
I got no Grammy trophy,
Got no problem if you all approach me.
Never had no Rolling Stone cover,
Never had no Top 10 hits, my Brother.
Got no TV show,
Got no Maybachs, Benz or Rolls.
Got no movie roles,
Got no platinum or gold.
I got no diamond rings,
Watches, and all of them things.
Got no waiting plane.
What I mean is,
I got no private jets,
But I also got no regrets.
Got no Swag,
But got no love
For something I ain’t never had.

All of it, every bit, everything,
We got it all.
Nothing’s changed, feel the same, everything,
We got it all.

Got no mansions,
Restaurants,
I got no yacht,
But I got no choice
But to show you all
What some of us forgot.
Never was hot,
Never was Pop,
But I never, ever stopped
That real Hiphop.
Got no paparazzi,
Got no company that got me.
Walking alone in the ‘Hood
So it’s easy to spot me.
Got no million follower friends
On Twitter
And on Facebook.
Look, my friends,
Got no thing for video games,
Got no shame
Saying I ain’t never playing.

<3
Got no hate for things that are great,
Don’t you know, I salute you.
<3

Nossa realidade irreal

Posted in deveras pessoais on 4 de fevereiro de 2013 by mari messias

Pela primeira vez desde que criei esse blog não fiz uma postagem de retrospectiva do ano anterior. Eu não sabia bem o que rever nesse passado recente. Meu vício é tentar encontrar sentidos e, ainda que eu me treine para ser menos assim, se treinar para tentar fazer diferente  é também uma decisão pensada.

Adentrando o ano novo, pude pensar melhor que se tem uma coisa que acredito que os últimos tempos tem tentado me mostrar é que vivemos em uma realidade ilusória. Nós consumimos até o nível do impraticável para tentar anular o básico. Quando eu digo consumimos, não estou falando só sobre comprar, possuir. Estou falando, por exemplo, de tratarmos morte com um desespero apavorante, pra evitar lidar com a possibilidade de que ela existe. Quando sabemos que vamos perder o que amamos, tentamos comprar o contrário, comprar o eterno em tratamentos, em fotos, em memórias desesperadas.

E quando perdemos, por fim, é importante viver como se nunca tivesse existido. Ninguém quer ser visto como alguém que vive do passado, mesmo que seja impossível negar que, seja o tempo que for, ele nos constitui.

Estou falando, também, de sentir tanto medo do que nos constitui, das tripas afetivas, que passamos a ver como normal tratar pessoa como mercadoria, fazendo sexo com o mundo ou saindo de um relacionamento para outro. Tudo isso sem nunca parar de acreditar que patético mesmo é sentir qualquer prisma da gama de sentimentos que existem.

Brincar de ser plástico. Ou margarina.

Sentir, começando ou terminando, fodido ou bonito, também é o que nos valida como criaturas que existem.

Ostentar seu consumo de dinheiro, gente ou experiências, me desculpem, mas é só mais um jeito de evitar estar plenamente presente em sua própria vida. E quando acaba, parabéns, você desperdiçou sua chance.

Parece que estamos nos treinando progressivamente como sociedade para não aceitar que vergamos. Tudo verga. Não somos alheios. Isso é o que mais nos deprime.

Somos obcecados por femme fatales e malandros e psicopatas, todos querem ser ou conviver com criaturas desprovidas de suas capacidades mais básicas. Sentir, existir, vergar segundo sopra o vento da sua vida, não ser alheio a nada.

Eu, que nos últmos tempos, fui ACUSADA de sentimental, depressiva e até, pasmem, de ser intensa demais, posso dizer que não sairei desta ilesa. Me afastei pela vida ou pela morte de amigos, amores e uma Filha e eu honro a existência em comum que tivemos me deixando vergar: estando feliz, sorrio; estando triste, choro. Sentindo afeto, manifesto; sentindo desafeto, me afasto.

Acho que esses últimos tempos me deram a capacidade de deixar de ser mais uma a fugir do que me torna demasiado humana. Quando percebi que não existe lucro algum em se sofrer em silêncio, em praticar a alquimia de sentimentos por fachadas visuais, passei a ser mais sincera com o todo e, era isso, sabs. Mas, com isso, pude notar que precisa ser muito foda para existir. Não o suficiente para me fazer querer viver na cenografia mediana, mas o suficiente para me fazer hesitar.

97136470

Hoje, depois de meses sabendo que esta hora estava chegando, perdi minha gatinha Filha. Na verdade, não perdi. Ela morreu. Filha me ensinou muito sobre ser alguém melhor. Quando fomos morar juntas eu a prometi que, se ela fosse morar e ser feliz comigo, nunca mais deixaria que nada de ruim acontecesse com ela. Gosto de pensar que cumpri minha parte do trato, ja que ela mais que cumpriu a sua.

Filha veio morar comigo grávida. Dizem, no bairro onde moravamos, que era a segunda ninhada, pois ela tinha sido abandonada grávida (da primeira, imaginam). Não sei o que ela passou antes, só poderia imaginar. Mas nunca fiz questão.

Sei que, por essas narrativas, resolvi que seu nome seria Filha, pois achei que ela merecia ser Filha, ja que ja havia sido mãe tanto. Sei, também, que depois disso, ela teve cinco filhotes, segurando meu braço com suas garrinhas pequenas durante todo o parto. E sei que, tendo sido abandonada recém nascida, uma gatinha de 3 cores foi trazida para ver se Filha a amamentaria. Disseram os veterinarios que o mais comum é que a mãe mate filhotes alheios a ninhada. Colores, a recém nascida colorida, chegou muuuito magra. Filha viu a gatinha nova magrela e fraca , a cheirou e passou seu bracinho pelo pescoço de Colores, a levando para mamar em seu peito de gatinha.

Depois disso, Filha aprendeu a brincar. Nunca parou, ficou viciada nisso. E trazia os brinquedinhos de volta, feito cachorro. Mais que cordialidade e perspicácia, acho que fazia isso pra agilizar o processor e poder brincar mais em menos tempo. Hahahaha.

Depois disso, voltou a dormir comigo. E o fez durante 99% do tempo que passamos juntas.

E virou uma gatinha cheia de vontades adoráveis, do tipo que gostava de sol, mas só ficava na janela se eu estivesse perto. E uma gatinha empática e amorosa, capaz de dar afeto mesmo para o mais pulha dos pulhas (e, pasmem, capaz de converter mesmo o mais pulha dos pulhas ao afeto).

Ela estava velhinha, mal respirando. Foi pra clínica ontem e, quando cheguei hoje, miou muito. Mas se acalmou me ouvindo cantar a música que cantei para ela ao longo desses 12 anos e recebendo carinho e palavras de amor. E foi dormindo e aquietando, sem nunca deixar de fazer prr. Para seguir a promessa de quando fomos morar juntas, tive que tomar a decisão que ninguém quer tomar: ou deixava a Filinha sofrendo, ou fazia cirurgia, onde ela possivelmente morreria na anestesia, ou optava por antecipar sua morte. Tomei a decisão ouvindo seu prr e  lembrei do Hemingway, lembrei de nunca desistir de ser uma pessoa que sente. Lembrei que amar não é choro e ranger de dentes, mas querer, acima de tudo, o bem.

Obrigada, Filhinha. Sentirei falta, mas isso é menos importante que o percurso lindo o que tivemos juntas e todas as belezas que tu trouxe pra minha vida <3

Have had to shoot people but never anyone I knew and loved for eleven years. Nor anyone that purred with two broken legs.