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Minha vida é uma mentira

Posted in deveras pessoais, idéia não tem dono, maconha, rubens ewald tchora on 28 de julho de 2010 by mari messias

Possivelmente, se pararmos pra pensar, o grande ensinamento por trás de quase tudo na vida é a importância de mentir/simular. Star Wars, no fundo, fala sobre aquelas pessoas que conseguem aprender a mentir e aquelas que não conseguem. O ditado que diz que um casamento vale mais que mil mosteiros, em suma, fala sobre o bom senso de duas pessoas que sabem como pode ser gratificante simular com um sorriso no rosto.

Tento aprender (a duras penas) sobre isso desde que, certa feita, o Padawan Juliano começou a insistir na tecla “fake it” pra mim, que defendia a suprema verdade absoluta e contínua como o sublime cotidiano. Enquanto ele dizia isso eu deixava de levar em consideração o dito, falando que ele tava sendo só um gangstamodafoca. Claro, o nível mais sútil raramente é apreendido e se perde na insolência cotidiana. Então, tempos depois, o Last Psychiatrist colocou o tema de maneira mais For Dummies e eu consegui captar:

“Help me, please, I think I’m a narcissist.  What do I do?”

There are a hundred correct answers, yet all of them useless, all of them will fail precisely because you want to hear them.

There’s only one that’s universally effective, I’ve said it before and no one liked it. This is step 1: fake it.

You’ll say: but this isn’t a treatment, this doesn’t make a real change in me, this isn’t going to make me less of a narcissist if I’m faking!

All of those answers are the narcissism talking.  All of those answers miss the point: your treatment isn’t for you, it’s for everyone else.

If you do not understand this, repeat step 1.

Mentir, simular, é a essência de ver e se importar com o outro. E só se importa com o outro quem não é patologicamente imbecil, claro. Por isso, acredito eu, socialmente só existimos por termos essa capacidade incrível de criar ficção que diminui a danação.

E se agora tu te sentou aí no teu cantinho e pensou: HA, eu nem sou um narcisista, beleza, seguirei levando a verdade acima de tudo. Bom, certamente tu é um porco egoísta.

Por outro lado, tu também pode pensar que não precisa mentir, já que quando tu te importa com alguém a verdade é a sempre doce e suave. Além de ser uma mentira imbecil, nós raramente começamos nos importando com os outros logo de cara e o meu ideal é que isso seja universal, saca? O processo que nos leva a criar vínculos é uma longa teia de mentirinhas carinhosas que visam aproximação. De que outra forma tu conseguiria conhecer dobrinhas da alma de alguém, se não por ter passado longos períodos falando frugalidades, imbecilidades e invencionismos com essa pessoa? O romance, a amizade, o carinho, o amor familiar, tudo tem suas bases em pequenas ficções. E a ficção é linda.

Imagina acordar e toda a ficção do mundo ter sumido. How sad. Como delimitar o que é real, pra começar? De toda form, a vida seria bem vazia, eu acho. É como disse Leminski:

podem ficar com a realidade
esse baixo astral
em que tudo entra pelo cano

eu quero viver de verdade
eu fico com o cinema americano

Mas, enfim, acredito que gradações e intenções moldam tudo, incluindo os meandros ficcionais. Então, talvez o melhor jeito de exemplificar o que eu tou falando blablabla é sugerindo que tu veja The Invention of Lying, num mundo sem mentira, todo mundo é amargo, niilista, direto, sem amor e sem afeto. E sem livros. Nem filmes. Nem jogos de palavras. Um mundo asperger.

Whatever works

Posted in deveras pessoais, rubens ewald tchora on 4 de junho de 2010 by mari messias

Podia começar esse post com um longo blablabla sobre como Woody Allen voltou a falar de NY, como acho que ele ta criando a paródia romântica ou, quiça, falar sobre a confusão disso tudo com o o eu-narrador-eu-autor, onanismo centenário. Ou ainda, poderia ficar falando dos problemas que vi, do que não gostei, tem várias coisas. Mas, ai, nem ligo. Sinceramente. Mesmo. Me larga. Beijs.

E se você ainda não viu o filme talvez deva parar de ler, possa ser que eu lance algum spoiler e, oh, avisei.

Negócio é: tenho um amigo ariano que, como tal, além de fã de Woody Allen, também se acha um indivíduo super livre. Vamos chama-lo de Tãder. Tempos atrás estavamos trocando poéticas de vida e conselhos (possivelmente muito errados, como é costume aos conselhos) e ele ficou emputecido (sem rancor, que ele é um doce de pessoa) com meus cronogramas e meu super-poder de auto-controle mórbido. Claro, mesmo sendo jovial como todo ariano, ele devia estar ligado que comprimindo e controlando tanto, eu ia acabar implodindo. Então, no seu bom estado de espírito (esqueci de dizer que ele é uma pessoa feliz e muito boa, isso é sempre relevante pra mim), Tdr ficou tentando me obrigar a repetir feito mantra: “Não sou eu quem me navega, quem me navega é o mar”, ao que eu respondia: “Que isso, bro, quem me navega sou eu, merrrmo”. Eventualmente notei que nem sempre.

E digo isso, que pode te soar idiota, pq tu é muito inteligente e maduro, pra falar que acredito que Allen fez outro filme-bula para tentar nos explicar por qual motivo nem sempre somos quem podemos ser.

Talvez o lance seja que ele está velho e tenha tido a epifania do Bauman, que ta inteira aqui, mas cito um pedaço:

quanto mais velho você é, mais sabe que os pensamentos, embora possam parecer grandiosos, jamais serão grandes o suficiente para abarcar a generosa prodigalidade da experiência humana, muito menos para explicá-la.

Não sei.

O que vi foi um filme de enaltecimento do irracional, no prisma que talvez seja de sua competência. E isso sempre foi um poblema.

Ontem sentei pra pensar sobre o filme, na minha pequena catarse não furiosa, não destrutiva, não hormonal, e um poster ficava me dizendo que “O mistério da grande alegria é selvagem”. Normalmente eu ficaria puta da cara com essa frase de efeito. Defina mistério, defina GRANDE ALEGRIA, defina selvagem. E já pensaria em meia dúzia de conceitos de selvagem e de mistério e tentaria entender o grandealegria. Não que eu não tenha entendido a frase, no sentido subjetivo, captou?

Mas como fiquei com aquele filme martelando a meloa, cheguei em casa, bebi resto de vinho olhando a vista e pensando como gostaria de cobrir ela de pronomes possessivos. E tantas coisas e pessoas mais, pronomes possessivos. Se acreditasse neles.

E D.H. Lawrence falou que sexo é saudável, mas quando vai pro cérebro vira doença. Cada coisa com sua parte correta do corpo, tipo isso. Então o mesmo deve servir pro cérebro, é saudável, lindo, me alegra, mas acho que quando vai virando tu inteiro, vira doença, danação, choro e ranger de dentes, etc.

Traduzido no Braziu como “Tudo pode dar certo”, talvez fosse mais adequado como “Quem me navega é o mar, as vezes”.

Return of the natives

Posted in idéia não tem dono, rubens ewald tchora on 15 de março de 2010 by mari messias

There is nothing liberating about this absence of sex; we are rather dealing with yet more proof of the phenomenon described by Alain Badiou in his Éloge de l’amour – today, in our pragmatic-narcissistic era, the very notion of falling in love, of a passionate attachment to a sexual partner, is considered obsolete and dangerous.

Zizek

Taí um link pro Zizek dando sua opinião sobre Avatar, pra quem interessar [via mandagara]

Quem quer dinheirôôô?

Posted in rubens ewald tchora on 7 de março de 2010 by mari messias

Eu sou o tipo de gente que não vê filmes por puro preconceito. Aliás, eu sou o tipo de gente que assume, desculpe.

Por isso resolvi não ver “Quem quer ser um milionário?”, até passar na TV no sábado de noite, momento oficial do meu ócio improdutivo.

Mas pense comiga: Danny Boyle é o cara do Trainspotting  e do Life Less Ordinary [que nem precisaria existir em um mundo de Wild at Heart, convenhamos] e depois só bomba. Daí surge a história de que ele fez um filme na Índia [no auge da vibe Bollywood] sobre um guri favelado que se dá bem. Convenhamos², amigs, o mundo seria mais legal se todo cristão ex-clase-média movido pela culpa colonialista resolvesse entender miseráveis do BRINCS. Nah.

O mundo seria exatamente como este filme. Chato. Bidimensional. Preconceituoso. Idiotizado. Meloso.

E, convenhamos³, quem precisa ver isso em filme? Estamos no Brasil, temos novelas com exatamente o mesmo enredo: falta de noção, mimimi melosos, filosofias maniqueístas e finais inverossímeis. E a grande maioria também é escrita por cristãos culpados.

Por Zeus, não estou falando contra ficção. Todos sabem que ficção>[lacuna]. Estou falando mal de ver um filme assim e sair com um sorriso crente no rosto e ir até a esquina desviando de mijo e cachorros e mendigos, pq esses papos de realidade são muito agressivos, manô.

Estou falando de achar que um personagem é vilão e só se redime morrendo, onde lança uma frase de impacto religiosa e do subtexto de que nossas boas ações são pagas em milhões nesta vida. Carma capitalista? Que porra é essa?

E tudo isso ignorando os aprofundamentos, que se aprofundar é a antítese da ultra-modernidade, é rude e agressivo e ninguém gosta de quem pega pesado. Ora, grandes merdas que tenham estuprado e cortado e fodido a psiquê da tua mina, tu pode salvar ela. $$$. Já que ela está sempre sendo resgatada no filme. $$$. Mesmo que tu seja o irmão feio e tua ingenuidade tenha sido mantida as custas da crença na viabilidade humana do teu big bro. $$$

É muito fácil acreditar em boas ações e em deuses benevolentes quando se tem dinheiro, por isso ele é o Deus ex machina anunciado do filme. Mas numa vibe paróquia, mesmo: só dinheiro redime, mas os bons de coração fazem pouco do dinheiro. Pode ver: Ah, Jamal, $ não importa, Deus proverá, vou arriscar tudo na pergunta simbólica e corrupta, não quero dinheiro, só quero amar. Enquanto os malvados assumem sua busca por $TATU$, os bons de coração ficam se enrustindo, pra no final comprar amor e liberdade. Com dinheiro. E purificar tudo com sangre.

Novelinha [ou ritual satânico de jornal da Record?].

Eu só acredito no Salim, um legítimo caso de self made man brasileiro. Ao longo do filme inteiro ele não recebe UMA PORRA DE UM ABRAÇO, reparou?  O sujeito sai do nada, se destaca, se esforça, sobrevive, combate pela dignidade, faz por todos e não ganha UMA PORRA DE UM ABRAÇO.

Eu não sei se os dois são irmãos literalmente, mas se forem só piora, já que até a mãe deles só quer salvar o porra do Jamal. Ele é o que? O Messias? Buda? O Superbacana?

Mas, seguindo seu destino intransigente e trágico, Salim acaba o filme com dinheiro na banheira e um abraço divino. O céu é dugarai, foram suas últimas palavras.

FML.

Obrigado.

Mas vává. Quem se importa com vida real. Sem milhões. Sem redenção. Sem abraços. Sem mina gata. Salim Style. Carlitos Way.

Lubisco

Posted in o mundo (essa folia), rubens ewald tchora on 20 de fevereiro de 2010 by mari messias

Tu sabe quem foi Norberto Lubisco?

Todo portoalegrino sabe quem foi ou o que (é) foi Norbert Lubisco. Mesmo praqueles que desconhecem que o sujeito Norberto Lubisco foi um diretor de fotografia que, por “pelo menos por duas gerações, não se esquece tão fácil”. E isso “não só por seu talento ou conhecimento técnico, mas também por sua paciência e facilidade de ensinar”. E olha que gaúchos, ou sulriograndenses, adoram denegrir conterrâneos, diz a lenda. Não que eu saiba. Mas esquecemos fácil, isso é fato.

essa foto peguei do blog do Ricardo, filho do Norberto, clickando nela tu vai pro blog dele

Quer apostar?

Aposto que em menos de um ano ninguém mais, salvo meia dúzia de malucos (90% destes eu chamo de amigos TRU), lembra da existência da Sala Norberto Lubisco. Poisé, no passado. Isso acorre tendo em vista que hoje, ou ontem, já, ela foi fechada, na calada, secretamente, por nossa governadora. Yeda, que não só é motivo de chacota no resto do país, mas que também me fez ouvir inúmeras vezes a pergunta: “é verdade que ela da cabo de sujeito?” pelos estados da nação federativa de meu Zeus.

Sentiria vergonha se privasse de conceito de nação. Como não privo, guardo toda a minha vergonha pra feitos como este, fechar a Norberto Lubisco. Que vergonha, Yedão, ein. Na camufla. Imagina o que vão me perguntar agora: “É verdade que além de constranger o NovaCorja a fechar diante de ameaças de morte, ela ainda repudia as demais manifestações culturais com o intuito de parecer mais bonita? inteligente?” Eu, claro, continuarei respondendo que não vi nada, são boatos.

Leiam o texto do Noah e pensem nisso. Morro de vergonha. Imaginem quanto Fogaça paga pra Yeda ser transloucada, pra ele poder fazer a merda que quiser sem ninguém notar. Sério, fui pro Alagoas. Beijs

[aaaaaah, tu também pode participar da campanha #LUBISCOFTW ou #NORBERTOLUBISCO no twitter, vailá, monero-a]

Aproveitando que a cidade estava vazia, a Secretaria de Cultura do Governo do Estado do RS fechou sorrateiramente a sala NORBERTO LUBISCO da Casa de Cultura Mário Quintana neste janeiro. Sim, fechou fechado, para não abrir mais. Junto da sala, três dos dez funcionários do cinema da CCMQ foram demitidos, sobraram sete.

Ninguém, nenhum jornal, nenhum programa de TV ou rádio noticiou essa catástrofe.

Então, nesta próxima semana farei uma série de reportagens e entrevistas para o programa que estou conduzindo esse mês, ao meio-dia, na Rádio Ipanema FM, o ‘N Coisas’. Gostaria de contar com a ajuda daqueles que, como eu, não aceitam isso calados e exigem um posicionamento dos responsáveis por esse atentado à cultura de Porto Alegre. Quem tiver algo a dizer, contribuir, informar, etc. pode mandar para mim.

Por fim, gostaria de lembrar que a sala Norberto Lubisco leva o nome do “fotógrafo gaúcho que marcou por mais de três décadas a nossa produção cinematográfica e teve seus trabalhos inúmeras vezes premiados com Kikito de melhor direção de fotografia no Festival de Cinema de Gramado”.
Esta sala é (ou ‘era’?) uma da mais charmosas da cidade e a última com suas portas voltadas para a calçada (Rua dos Andradas). Ressalto também que ela, mesmo fechada, está em perfeitas condições de uso – projetor, assentos, ar-condicionado – contando com 53 lugares.
Eu não admito isso assim dócil, aquela sala é nossa!
E você, que tal? Avante, pessoal!

Funny People

Posted in idéia não tem dono, rubens ewald tchora on 16 de janeiro de 2010 by mari messias

My friends are very sexually aggressive, which is hard for me. You know, we’ll watch television and they’ll just see a hot girl will come on and they’ll just be:”Man, I wanna fuck the shit out of that girl, man!” ” I’m gonna fuck that girl!” And I, like, can’t even say that. I can’t even pretend I would do that. I see a hot girl on TV and I’m like: “Man, I would friend the shit out of her! I’d friend her all night! I would be her girlfriend!”

Aristotelicamente sua

Posted in idéia não tem dono, maconha, rubens ewald tchora with tags on 3 de dezembro de 2009 by mari messias

Podemos ver aqui como a proibição fundamental, longe de funcionar de modo meramente negativo, é responsável pela sexualização excessiva dos acontecimentos mais vulgares dos cotidiano. Tudo que faz a pobre heroína esfomeada, desde andar na rua até ter uma refeição, é transubstanciado na expressão do desejo de dormir com seu homem. E nos damos conta de como o funcionamento dessa proibição fundamental é absolutamente perverso, na medida em que é pego inevitavelmente no movimento reflexo pelo qual a defesa contra o conteúdo sexual proibido gera um movimento reflexo que tudo impregna. O papel da censura é muito mais ambíguo do que pode parecer. (…) De fato, não estaríamos afirmando que, quanto mais severa for a censura direta, mais subversivos serão os produtos gerados por ela de forma involuntária?

Zizek, Lacrimae Rerum

Aristóteles, e nem me darei ao trabalho de citar literalmente que a galere deve tar ligs, fala lá na Poética sobre a importância de subentender, não mostrar tudo, em alguns momentos (ou, de como matei meus filhos na coxia). Aí em cima Zizek está falando de um código similar, o Código Hays (1930-1967), versão Hollywoodiana e, portanto de caráter extremamente sexualizado do “código de conduta moral aristotélica”.

Tipo assim, lembro como se fosse nos anos 90 do Ewan McGregor falando sobre a censura no lançamento do Trainspotting nos US. Ele dizia algo como: “Você pode sacanear os seus amigos e se matar com heroína mas nunca, NUNCA MESMO, aproveite sexo.”

Bom, com tanta ênfase, eu poderia encerrar por aqui e dizer: isso foi minha reflexão sobre Crepúsculo e Lua Nova (muita coisa boa nesse link), mas vou tentar falar mais algumas das miledouze coisas que pensei nas duas últimas semanas sobre A SAGA.

Alias, nada pode definir melhor dois filmes que possuem apenas um diálogo (-Me transforme em vampiro –Não posso) e muito ensebamento de Ofélia que A SAGA DO ENSEBAMENTO PURPURINADO. Mas isso é sugestão minha. Prozac mudava tudo. Beijs.

O óbvio dos filmes é o caráter sexual, explicitado pelos ápices que sempre ocorrem pelos (únicos) beijos (plenos) de ambos os filmes, que configuram uma cena de quase sexo explícito na doação dos personagens ao ato em si. Mas essa configuração de sexualidade sem sexualidade, cheia de adjacências de significações, antes de ser uma reprodução dos inglórios amores platônicos da adolescência, especialmente tendo em vista que eles são namorados e tem 18 anos, é uma maquete sadomasoquista onde o prazer é gerado pela mimesis do ato que ocorrem nos grandes momentos de sofrimento. Basicamente, fazem sexo com a cabeça e pensam com o corpo.

Mas, enfim, não ficarei me prolongando no óbvio. Nem ironizando os sofrimentos do jovem que certa feita se ejeta da cama onde está com seu broto ou surge em seu quintal, sorumbático. Tampouco falarei que os filmes podem ser resumidos em: Vamos mais devagar, garota. Ou ainda, não direi como fiquei chocada com o fato de absolutamente todos os personagens dos filmes serem mulheres. E também ignorarei a moral de que meninas frígidas controlam o mundo enquanto pisoteiam corações, ou o possível subtexto psicótico.

Vou aproveitar pra falar um pouco do racismo em Lua Nova. Ou vocês acham que nem precisa? Tá bem na cara, né. Aquele papo de autora nunca ter lido nenhum livro de vampiro também não precisa, né?

Taí, bora ler um comentário mais astuto que o meu.

Beijsiliguem

Peguei daqui, indicação do Moxão.

Coloquei umas indicações extras nos comentários. Descobri por qual motivo uma autora parcamente alfabetizada e semi virgem faz sucesso e filmes ruins: pra nos brindar com piadas geniais infinitas. Sidivertem.

Jornada

Posted in maconha, rubens ewald tchora on 24 de outubro de 2009 by mari messias

district_nine

Anos atrás eu trabalhei com pessoas que não entendiam a importância do herói. Essas pessoas achavam que nossa ficção com super-heróis [a única esfera conhecida de heróis pra eles] era uma fuga da realidade, no sentido de que projetaríamos em seres sobrehumanos nossas frustrações, desejos, sonhos. E isso era desprovido de esperança de realização, já que somos apenas humanos.

O que eles não entendiam no meu ponto de vista é que o herói é o próprio homem abismado. Nós somos obcecados por imagens heróis desde sempre e não acho que deixaremos de ser, pq acho que acreditamos que somos todos, potencialmente, heróis.

Como o Shaun, do Shaun of the Dead.

Nesse sentido eu também acredito que a jornada do herói é a jornada do próprio homem abismada. Os percalços pelos quais passamos para nos tornar quem somos, o grande belo e terrível de quem somos.

Ano passado eu falei aqui sobre o que eu considerava que ia dominar o novo heroismo: uma figura mais Batman e menos Superman; mais chaotic neutral que chaotic good. Um sujeito não exatamente ilibado, mas que estava envolvido com sua causa, pessoalmente envolvido e, desse envolvimento inicial surgiriam desdobramentos que o amplificariam. Ele não abriria mão de si em nome de algo maior, ele seria parte do algo maior, cada vez mais, um pedaço do todo. E reconhecer isso em si era o próprio heroismo dele. Talvez chegando ao ponto de as identidades secretas darem espaço ao orgulho da identidade de desviante. O freak pride heróico.

Enfim, maconhismos. Mas o que pode ser mais cotidiano e menos sobrehumano que isso, nénão?

E é nessa onda que eu vou falar brevemente de District 9 e dessa jornada comovente. Então, se ainda não viu, alerto aos possíveis spoilers e peço que leia depois de ver.

O personagem principal do filme, Wikus, parte de uma ingenuidade quase idiotizada para um conhecimento tão profundo de si mesmo que chega a ser desolador. Sabendo que não seria aceito como o que era antes de sua transformação mas, também, notando que não era somente o que veio depois, Wikus abraça sua dualidade, ainda que involuntariamente, se transformando em um personagem absoluto.

É como se ele descobrisse a si pelo todo e, em suas máculas, construisse uma pureza mais verdadeira, uma pureza com conhecimento, escolha, não alheia.

District 9 é, claro, como tudo que envolve heroismos diversos, uma bela noção de altruismo. Mas é, mais que isso, uma aula de compaixão, coisa que só existe pela alteridade. Como naqueles documentários onde o sujeito fica 10 dias numa prisão para dizer como são as coisas lá, Wikus vira o outro para ver o outro, sem deixar de ser ele mesmo.

O filme, obviamente, uma referência ao apartheid, não é chato, babaca, cabeçudo ou raivoso. É entretenimento trimassa, do tipo que fica na tua cabeça por mil anos e te leva a pensamentos tão distantes de aliens e Johanesburgo quanto vegetarianismo e cristianismo.

Por isso, pra mim, District 9 sucede onde Inglourious Basterds fracassa.

Lógica

Posted in poesia visual, quotes da rapeize, rubens ewald tchora on 25 de julho de 2009 by mari messias

Snap1

mari diz:
Indiana velho
só com PROZAC pra assistir
debret demaes
Eduardo diz:
é total debret
Indy deveria ser tipo
JAMES BOND
jamais envelhece, só fica mais feio

Sinédoque

Posted in quotes da rapeize, rubens ewald tchora on 15 de julho de 2009 by mari messias

mari diz:
Synecdoche (Y)
Eduardo diz:
é bom?
mari diz:
é bom, tu vai me chamar de louca amarga
pq tu acha GUMMO AMARGO, saca?
pessoa doente
Eduardo diz:
ah sim
TU ACHA QUE É UMA COMÉDIA
mari diz:
eu acho que é um retrato da ingenuidade humana
(gummo)
Eduardo diz:
e o doente sou eu