Arquivo de julho, 2009

Sabe do que eu senti falta aqui?

Posted in idéia não tem dono on 27 de julho de 2009 by mari messias

I

When Lacan writes, Do not sacrifice your desire!, he exhorts you to dare.

II

E se só estivermos realmente vivos se nos comprometermos com uma intensidade excessiva que nos coloca além de uma “vida nua”? E se, ao nos concentrarmos na simples sobrevivência, mesmo quando é qualificada como “uma vida boa”, o que realmente perdemos na vida for a própria vida? E se o terrorista suicida palestino a ponto de explodir a si mesmo e aos outros estiver, num sentido enfático, “mais vivo” que o soldado americano engajado numa guerra diante da tela de um computador contra um inimigo que está a centenas de quilômetros de distância ou um yuppie nova-iorquino que corre nas margens do Hudson para manter o corpo em forma? E se, em termos psicanalíticos, um histérico estiver verdadeiramente  vivo no questionamento permanente e excessivo da própria existência, quando uma obsessão é o verdadeiro modelo da escolha da “vida na morte”? Ou seja, não seria o objetivo último de seus rituais compulsivos evitar que a “coisa” aconteça – coisa esta que é o excesso de vida? Não seria a catástrofe que ele teme o fato de, finalmente, alguma coisa acontecer a ele?

#ficadica Zizek

Lógica

Posted in poesia visual, quotes da rapeize, rubens ewald tchora on 25 de julho de 2009 by mari messias

Snap1

mari diz:
Indiana velho
só com PROZAC pra assistir
debret demaes
Eduardo diz:
é total debret
Indy deveria ser tipo
JAMES BOND
jamais envelhece, só fica mais feio

A poesia

Posted in idéia não tem dono on 24 de julho de 2009 by mari messias

A poesia ou arte do discurso constitui portanto o termo médio, que reúne os dois extremos de uma nova totalidade, formados pelas artes plásticas e pela música, para realizar a síntese superior, que é o da interioridade espiritual. Com efeito, a poesia, tal como a música, baseia-se no princípio da percepção imediata da alma por si mesma e em si mesma, princípio de que carecem a arquitetura, a escultura e a pintura, e, por outro lado, amplifica-se até formar com as representações, as intuições e os sentimentos interiores, um mundo objetivo, que mantém quase toda a precisão da escultura e da pintura, e é, além disso, capaz de representar de forma mais completa que qualquer outra arte a totalidade de um acontecimento, o desenvolvimento da alma, de paixões, de representações ou a evolução das fases de uma ação.

Hegel

But they are not the Me myself

Posted in idéia não tem dono on 23 de julho de 2009 by mari messias

Trippers and askers surround me,

People I meet, the effect upon me of my early life or the ward and city I live in, or the nation,
The latest dates, discoveries, inventions, societies, authors old and new,
My dinner, dress, associates, looks, compliments, dues,
The real or fancied indifference of some man or woman I love,
The sickness of one of my folks or of myself, or ill-doing or loss or lack of money, or depressions or exaltations,
Battles, the horrors of fratricidal war, the fever of doubtful news, the fitful events;
These come to me days and nights and go from me again,
But they are not the Me myself.

Apart from the pulling and hauling stands what I am,
Stands amused, complacent, compassionating, idle, unitary,
Looks down, is erect, or bends an arm on an impalpable certain rest,
Looking with side-curved head curious what will come next,
Both in and out of the game and watching and wondering at it.

Backward I see in my own days where I sweated through fog with linguists and contenders,

I have no mockings or arguments, I witness and wait.

Sweet Whitman (leia mais aqui)

Saindo das trevas

Posted in idéia não tem dono on 23 de julho de 2009 by mari messias

AGOSTO DE 2008 _Foi numa tarde de domingo, véspera do meu planejado retorno à ala 4c, que houve um ligeiro deslocamento dentro de mim. Tinha parado com o Remeron e começara a tomar um remédio novo, chamado Abilify. Sentia-me um pouco mais calma, e meu quarto já não me parecia um lugar tão estranho. Talvez tenha sido o medo da ect, ou o fim do efeito da medicação errada, ou talvez a depressão tenha finalmente completado o seu ciclo e começasse a se dissipar. Eu não tinha – e ainda não tenho – uma idéia clara do que aconteceu. Por um curto intervalo, não havia ninguém comigo em casa, e decidi levantar-me e sair. Entrei no supermercado e fiquei examinando a seção dos cereais para o café da manhã. Fiquei tão atarantada diante da variedade de marcas como alguém recém-saído de um gulag. Comprei toalhas de papel e morangos, depois andei até minha casa e voltei para a cama. Não foi propriamente uma viagem à península de Yucatán, mas foi um começo. Não me internei no hospital no dia seguinte, preferindo dedicar o resto do verão à reocupação paulatina da minha vida, reaprendendo cada passo. Convivia com pessoas em quem confiava, e com as quais não preciso fingir.

Perto do final de agosto, fui passar uns dias na casa de praia de uma amiga. Éramos só ela, eu e seus três cachorros irritantes. Eu tinha levado um romance para ler – O Encontro, de Anne Enright. Foi o primeiro livro que me absorveu, e o primeiro que consegui ler desde antes da minha internação. Cheguei à última página no terceiro dia. Por volta das quatro e meia daquela tarde que já trazia o prenúncio do fim do verão, olhei para o céu incrivelmente azul. Um dos cachorros estava sentado ao meu lado, o corpo quente encostado na minha perna, enquanto eu me secava do mergulho que acabara de dar. Haveria novos livros para ler, novos filmes para assistir e novos restaurantes a experimentar. Consegui me imaginar escrevendo de novo, o que não me pareceu uma idéia estapafúrdia. Havia coisas que eu queria dizer.

Tudo ainda me parecia frágil, mas, pelo menos por enquanto, minha depressão abrira espaço. Esqueci a sensação de viver sem ela, e por algum tempo eu me debati, sem saber como poderia reconhecer a mim mesma. Sabia que ela poderia voltar a qualquer momento.

Mas vislumbres de luz também poderiam se prolongar se eu persistisse mais um pouco, aferrada à perspectiva de longo prazo.

Era um risco que me pareceu valer a pena correr.

(o texto inteiro pode ser lido aqui)

X

Cherry ficou me falando que eu precisava ler esse lindíssimo relato da Daphne Merkin. Meses atrás todos nos debulhamos com a morte do filho da Plath, antes ainda com a morte do DFW. Acho que vale a pena ler sobre a angústia de uma depressão que ninguém consegue remediar, de uma doença matreira e sobre uma sobrevivente de Gorazde. Ao final ela fala de uma medicação ultra-moderna, ao que parece, mas sabemos que depressão tem ciclos, então como definir, a essas alturas? Isso importa pra gente (pra ela importa, por certo)?

Fiquei na dúvida sobre que trecho citar, optei pelo mais esperançoso, como sempre. Desculpe cortar seu barato, mas agora você ja sabe como termina, azaroseu.

Gargalhada Inextinguível

Posted in degredo no olimpo, idéia não tem dono on 18 de julho de 2009 by mari messias

Hefesto chamou então os outros deuses que, ao verem Ares e Afrodite naquela situação embaraçosa, soltaram “uma gargalhada inextinguível“(Od. 8.326) .

Quero dolo

Posted in quotes da rapeize on 18 de julho de 2009 by mari messias

anônima diz:
oi amor
to dodoi
quero colo
mari diz:
eu li quero DOLO
fez mais sentido

mari diz:
cara, bota fé de substituirmos COLO por DOLO sempre?
tipo, legião urbana
quero DOLO vou fugir de casa
ahahahahaa
milton diz:
é umas hein

O belo

Posted in degredo no olimpo, idéia não tem dono, ieieie on 17 de julho de 2009 by mari messias

Atente, abaixo SPOILER de Hipias Maior. Hshshshs. Se quiser se preservar e tirar suas próprias conclusões, coisa que é sempre boa (dizem, não que eu saiba) leia inteiro aqui (em inglês).

Socrates : My dear Hippias, you are blessed because you know the things a man ought to practise, and have, as you say, practised them satisfactorily. But I, as it seems, am possessed by some accursed fortune, so that I am always wandering and perplexed, and, exhibiting my perplexity to you wise men, am in turn reviled by you in speech whenever I exhibit it. For you say of me, what you are now saying, that I busy myself with silly little matters of no account ; but when in turn I am convinced by you and say what you say, that it is by far the best thing to be able to produce a discourse well and beautifully and gain one’s end in a court of law or in any other assemblage, I am called everything that is bad by some other men here and especially by that man who is continually refuting me ; for he is a very near relative of mine and lives in the same house. So whenever I go home to my own house, and he hears me saying these things, he asks me if I am not ashamed that I have the face to talk about beautiful practices, when it is so plainly shown, to my confusion, that I do not even know what the beautiful itself is. “And yet how are you to know,” he will say, “either who produced a discourse, or anything else whatsoever, beautifully, or not, when you are ignorant of the beautiful ? And when you are in such a condition, do you think it is better for you to be alive than dead ?” So it has come about, as I say, that I am abused and reviled by you and by him. But perhaps it is necessary to endure all this, for it is quite reasonable that I might be benefited by it. So I think, Hippias, that I have been benefited by conversation with both of you ; for I think I know the meaning of the proverb “beautiful things are difficult”.

E por falar em belo&difícil:

Gênesis 19:31

Posted in o mundo (essa folia), poesia visual on 17 de julho de 2009 by mari messias

laico

Leia mais aqui: Lei obrigará deputados da Paraíba a ‘refletir’ sobre a Bíblia antes das sessões

Real niggaz don’t lie

Posted in o mundo (essa folia), poesia visual on 16 de julho de 2009 by mari messias

yo_da