Arquivo de junho, 2008

Introvertidos do mundo, uni-vos (a distância)

Posted in deveras pessoais, maconha on 30 de junho de 2008 by mari messias

Tirei dez dias de férias e é como se não tivesse feito isso, tendo em vista que passei absolutamente TODOS OS DEZ DIAS ocupada com coisas ziles de vezes mais boring que trabalhar. Quem me conhece sabe o quanto eu prezo não estar ocupada. Todos os dias, durante pelo menos meia hora, eu curto ficar sozinha e em silêncio, sem fazer absolutamente nada. Nada mesmo, nem ler, nem ouvir, nem ver, nem saborear, nem tocar. Ok, tocando as gatas, quase sempre. Pensando, as vezes.

É o tempo da introverão, de recarregar a capacidade social, de ser um cliché astrológico. Introvertidos tem destas coisas.

Eu conheço um cara que diz que não confia em quem aperta sua mão sem olhar nos olhos, ele diz que isso demonstra falta de caráter. Introvertidos são, desde sempre, confundidos com pessoas de caráter dúbio. Não posso falar por todos, só pelos que conheço, e afirmo que não o são.

Extrovertidos costumam ser mais cansativos e incapazes de se envolver am atividades que não envolvem respaldo humano/social. Nem sempre são, claro, mas introvertidos também tem o direito de expalhar boatos por aí. Hshshshs.

A necessidade de reconhecimento externo é uma coisa de extrovertido. Introvertidos buscam coisas menos explícitas. E isso nem sempre é bem visto em sociedade. Melancolia, autismo, falta de caráter, falta de comprometimento, incapacidades de forma geral, em especial as relacionadas com o MUNDO tátil e profissional, são atribuídas e, afirmo, deveriamos rever nossos conceitos. Enquanto um introvertido está pensando formas, aprendendo, criando modos e executando, um extrovertido está dizendo como faz tudo isso e esperando que sobre tempo para, de fato, fazer. Hehehehe. Boatos+1. Hshshshs.

Eu aprendi muito cedo que era diferente dos extrovertidos por um simples motivo: minha família faz teatro. Quando eu era pequena, ter que dizer merda em lugar de boa estréia me causava rubores faciais (as ironias do destino). Rubor facial é a pior coisa que pode acontecer para um introvertido, pois todos notam a introversão e, como bons sanguinários sociais, começam a arfar coisas de sanguinários sociais. Mas o pior eram os camarins, onde todos super lidavam bem com a externalização de sua intimidade (e por externalização de sua intimidade quero dizer todo mundo tirava a roupa na frente de todo mundo).

Além disso, as pessoas que fazem teatro são o melhor e o pior tipo de conheço. As boas, que são o melhor tipo, são assim pq além de reunirem quantidade invejável de conhecimento, ainda convivem com seu conhecimento de forma que pouca gente convive, como algo natural. Um literato tem muita tendência a ser um chato do caralho pq vive com os livros e isso é uma relação quase benta. Mas um ator, diretor, ou respectivos femininos (mais os-as técnicos-as, como cenógrafo, figurinista. Ou o pessoal da dança, enfim) são obrigados a profanar constantemente esta relação benta pq nisto se constitui seu ofício, arte com vida. Não como cinema, tampouco. Teatro (e afins que envolvem apresentações ao vivo) é, e não consigo pensar em maneira melhor de dizer, dionisismo. Tem uma coisa selvagem e única que as outras artes as vezes esquecem e sistematizam e somatizam e apolinizam.

Os piores tipos são aqueles que acham que, por estarem tão comprometidos com sua arte, são o próprio deus. Todos os artistas tem seus assuntinhos de ego, mas os do teatro (e da dança, vá lá), quando tem, tem seriamente.

Por outro lado, ser introvertida em um ambiente assim me fez ver a importância de me relacionar com o mundo exterior, também.

Além disso, me fez perceber que só um introvertido é capaz de conhecer as pessoas (em especial as extrovertidas) de forma profunda, sem precisar conversar com elas, o que é bom com os chatos excessivos, mas ruim com as pessoas legais. Mas, ei, não precisamos nos privar, podemos escolher.

Como boa introvertida iniciei este ano extremamente apolínea e esta foi minha resolução de ano novo: tentar reconciliar os lados.

Eu sei que este post, além de gigante e pessoal, soa deveras bipolar. Mas, prometo, não citarei “Mente Inquieta”. Hshshshs.

Beijos e bem-vindos ao primeiro dia útil desta semana. Aleluia. Como boa introvertida, meu trabalho é uma parte muito relevante da minha vida, sinto falta. Hshshshs. Sorry se o digníssimo leitor esperava algo mais LIVIN’ LA VIDA LOCA. Sugiro um fotolog, neste caso. *sensação de boquinha mode on*

O céu de Bocage

Posted in idéia não tem dono, maconha, poesia visual on 26 de junho de 2008 by mari messias

Ah, as coisas que somos capazes de pensar quando não estamos entupindo nossa mente com conhecimento inútil na wide wide world of web (copyright Joy).

Nestes últimos dias onde a NET demonstrou uma imensa capacidade de decepcionar (mesmo quando achei que não nutria mais nenhuma expectativa positiva) fiquei pensando sobre diversas coisas idiotas. Passei pelos anos 90, pelo Randal, pelo Raimundos e fui parar no Cerco de Lisboa XXX.

Talvez seja possível imaginar que só estudo Letras pra poder falar de pornografia livremente, o que é quase o caso. Um dos problemas de se falar sobre pornografia com alunos de letras é que eles se dividem entre os muito intelectualizados para isto e os muito religiosos para isto. E eu, com minha docilidade, estou no seleto grupo dos que não acreditam na existência do erotismo senão como desculpa de onanista que se acha acima destas coisas.

Por outro lado, ao longo dos inúmeros autores que li pra tentar embasar o que penso (que é o que se faz num curso de letras, afinal, achar alguém que embase o que tu pensa- mas, ei, isso é delliro), não descobri um só que pensasse como eu. O que descobri: Erótico, de Eros, associamos com putaria com sentimentos nobres e Pornográfico, de porné (prostituta) associamos com putaria, somente. Putaria com o intuito de gerar putaria, aliviando nossa energia primitiva e nos tornando mais polidos e cheios de sentimentos nobres.

Para começar a conversa cito dois poemas, um de uma antologia de poesia pornográfica e um de uma antologia de poesia erótica. Ambos os prefácios dizem mal do gênero oposto, agora leia e tente entender. E, admito, escolhi de forma totalmente randômica.

um pedaço de uma poesia chamada de erótica, do delicado Aretino:

Não se perturbam por estar cansados

Mas o jogo lhes dá ardência tanta

Que fodendo queriam-se finados.

agora um pedaço de uma poesia chamado pornográfica, do doce Bocage:

Fiado no fervor da mocidade,

Que me acenava com tesões chibantes,

Consumia da vida meus instantes

Fodendo como um bode, ou como um frade.

Preciso dizer que acho repulsivo o uso do termo erótico. Além de ser, quase sempre, inadequado. E acho contraditório quando leio que a, por exemplo, poesia pornográfica visa excitar sexualmente o leitor enquando a erótica não. Se um leitor se excita com uma, se excita com outra (vide exemplos randômicos acima). E é um leitor deveras onanista, nada contra, cada um com seus problemas. Não acredito que esta seja a diferença real entre uma e outra, sinceramente. Aceitar isso seria aceitar que video-games violentos nos deixam com impulsos violentos, na minha cabeça. Que seria, por decorrência, como aceitar que Wii Golfe nos transforma no Tiger Woods.

Aceito, sim, que as poucas diferenças que existem, em alguns casos, e tornam a poesia pornográfica infinitamente superior, são de linguagem (Ah a vulgaridade, uma construção das mais fremosas) e de estilo. E por estilo eu quero dizer que quando uma reprime a outra mostra, mesmo que ambas digam o mesmo. O que faz dos dois exemplos mais pra cima pornografia inquestionável.

Mas, ai, ha quem goste de Balzac com suas metáforas explícitas e longos relatos arquitetônicos (Paulo, CA. Hshshshs). Para os sutis eu deixo Vinícius, pópega, poetinha.

Por outro lado qual a finalidade de uma produção artística? Eu não faço a menor idéia (Marx da uma luz neste post sublime do Frugal), mas o que sei é que não é a mesma de viver. Ie, lemos poemas de guerra e isso não é o mesmo nem nos torna aptos para sair combatendo Tróia por conta de uma fruta. Portanto, lemos poesia que emula sexo, mas isso não é o mesmo que fazer sexo. Ie, ela não tem como função nos sexualizar mais que um poema de guerra tem por função nos deixar belicosos. Se isso ocorre, e ocorre mais com a pornografia que com a guerra, é pq somos socialmente mais belicosos que putanheiros. E isso é deprimente.

Gates, Bill

Posted in quotes da rapeize on 20 de junho de 2008 by mari messias

mari – Tu ta falando no celular e dirigindo, porra?

marx – Sim, eu sou como o Vista.

mari – Pesado, inacabado e cheio de bugs?

(é, eu sei, previsível e nem tão boa. mas este é meu último post nesta casa e eu queria acabar de uma maneira bem ao meu estilo, assim, fanfarrão. nos vemos na semana que vem, quando terei muitas novidades para contar, coisa que não farei, pois não é meu costume. hshshshs).

Ainda

Posted in quotes da rapeize on 16 de junho de 2008 by mari messias

REMEMBER THEBAS

marx– (…) é sobre o édipo derrotando a esfinge. de um poeta de esparta, como não poderia deixar de ser

mari– pq? é esfinge, não esfincter.

REMEMBER THEBAS

(aqui)

Do autismo & afins

Posted in deveras pessoais, idéia não tem dono on 16 de junho de 2008 by mari messias

Ainda na série autistas que amamos (eu adoro esta palhaçada de série. Não tem série porra nenhuma, tava inventando pra fazer a fina. Hshshshs), apresento um pedaço de um texto que Moj. me mandou, do Irvine Welsh.

My life was essentially defined by, at best, mediocrity (I had risen to middle-management level in the public sector), and at worst failure.

(…)

Far more important than either, I’d always been blessed with a rich inner life. I had a very happy childhood, but it always seemed a precarious one, due to the ongoing illness of one of my parents. It often seemed easier to retreat into my own head rather than deal with what was going on around me. I recall a report card at school saying that I would “never amount to anything” as I was “too much of a dreamer”. This was meant as scornful condemnation; even at the time I instinctively felt it was positive and it provided me with a great deal of affirmation. For such a child, a book is a godsend. Sitting with one in front of me gave me permission to dream and enriched and defined my creative landscape.

De toda forma, estas pessoas semi-autistas costumam ser sempre muito massa (eu acho). Nem todas foram bem sucedidas (e aparentemente felizes) como o Welsh. Algumas viveram na suposta merda, como minha alma gêma #832714093218723-98, o Sidis (ainda que QI300 seja o oposto do meu conceito de viver na merda). Outras viveram uma existência bizarra e aparentemente conflitante, enfim. Tem pra todos os gostos.

Mas eu acho que viver pra dentro, longe de ser uma forma de negar o mundo exterior (ainda que ele mereça) é uma forma de valorizar a alegria. A alegria, que é vista com olhos amargos pelas pessoas que acreditam que descobriram A verdade é, na minha opinião, O negócio de estar vivo. Ser alegre, de forma não necessariamente eufórica, não é sinônino de ser alheio aos “problemas do mundo”, give me a break lap dance. Eu sou alegre. Curto ser e odeio gente melancólica. Não sou imóvel, não sou alheia, só acho que o mundo vai acabar antes de se tornar um lugar melhor, ainda que nunca acabe. E mesmo acreditando em pequenas ações localizadas, sei que elas nunca vão ser generalizadas.

Por outro lado, como eu não acredito em possibilidades pós-vida (mas acredito em hífen), nem de coisas magníficas nem de coisas terríveis (porém guardo meus dracmas caso o Euro não seja aceito no Hades) fico com a única possibilidade que conheço: viver. E, sem todos estes conceitos (dádiva, fardo) alheios ao que de fato é, viver pode ser bastante interessante. Sendo semi-autista ou não. Opções que fazem toda a diferença.

Um amigo me alertou que o semi-autismo, em diversos aspectos, pode ser danoso. Mas como eu sou fumante me sinto no direito de achar que minhas outras decisões são bem mais ponderadas que fumar. Qualquer coisa é. Fala sério, eu não vivo sem rolos de tabaco e mais de sei lá quantas substâncias tóxicas QUEIMADOS dentro dos meus pulmõezinhos ferrados. E eu não vivo MESMO. Sou crackhead total. Depois disso eu nem tenho o direito de questionar minhas outras decisões/opções, whatever, me sinto sempre MUITO construtiva.

O mito do assaltante gentil

Posted in o mundo (essa folia) on 14 de junho de 2008 by mari messias

(Spaggiari, o bom assaltante e seu lema: sans haine, sans violence et sans arme)

Por mais trash que pareça, só histórias reais aqui. Se prepare.

Hoje de noite aconteceu uma coisa bizarra, eu fui acordada por um assalto aqui embaixo do prédio e, mais bizarro ainda, nem me liguei que era um assalto até acordar pela segunda vez, hoje de manhã. Vou tentar repetir os detalhes pra vocês:

Quando acordei, o assaltante, vamos chamá-lo assim pq eu obviamente não sei o nome do cara, já tinha feito sua abordagem. Foi isso que me acordou, provavelmente. Pq ele super tinha uma projeção vocal invejável. O motorista respondeu:

M- Ok, pode levar tudo, não me importo. Só deixa eu pegar meus CDS (?!?!?!?!)

A- Claro, me desculpe por fazer isto, mas meu filho tá no HPS (?!?!?!?!?)

M- Sem problema, cara, eu sei que tu tem teus motivos (?!?!?!?!?)

A- Isso aí, cara. Sem violência desnecessária, isso que importa (Spaggiari?)

M- Claro, claro. Tu sabe onde tem um orelhão?

A- Ali (é bem perto, de fato).

M- Ok, cara, valeu. Boa sorte com teu filho.

A- Brigada cara, tu também boa sorte.

Carro sai correndo loucamente.

(Gray Fox, o assaltante do bem em Oblivion)

Vale pensar: seria isso resultado das políticas pacifistas que assolam o mundo? De toda forma, surreal. Pq isso me lembrou os meus assaltos e eu acho que este assaltante estava uns 50 níveis acima dos meus, sem querer soar RPG já soando. Vamos aos meus assaltos:

1º: Eu estava em uma parada de ônibus quando um cara com cabelinho de baile funk chegou.

A- Oi, eu quero pegar o ônibus (sei lá qual, porra, faz anos), mas eu não sei ler. Será que tu poderia me dizer se é aquele?

A panaca aqui olha e quando volta pra responder o cara já, de forma ninja, tirou canivete e colocou na minha barriga

A- Passa o relógio ou eu te furo 3X

Eu- Ok, só deixa eu tirar aqui pra não estragar a pulseira (eu curtia o relógio, eram outros tempos. Jshshshshs)

Não me lembro mais detalhes, volto pra casa chorando. Minha mãe briga comigo pq eu sempre voltava tarde e de ônibus pra casa. Eu digo que estou chorando, meu deus, isso é muito hediondo. Eu, aos 15 anos. Eu digo que estou chorando pq aquele jovem está tão imerso em violência que comete ela corriqueiramente por coisas que valem tão pouco. Coisassim. Nessa hora minha mãe devia ter me dado uma tunda de laço, fala sério.

2º: Eu e uma amiga resolvemos visitar uma terceira amiga. Os problemas: é passe livre de noite e descemos na parada errada de ônibus.

Íamos descendo a rua, que de um lado estava cheia de tapumes, quando um cara chega e abraça minha amiga e coloca a arma na minha cabeça. O cara era possivelmente o precursor dos crackheads atuais (foi em 96, 97, acho. Crack ainda não era tão difundidos). Sério, não se pode dirigir bêbado mas um crackhead pode colocar uma arma na minha cabeça e engatilhar. Quando eu olho pra cima pra ver se alguém está passando vejo outro assaltante vindo. Adrenalina louca, penso: é um arrastão.

Não era, felizmente. Mas passei por um anos depois em um carnaval de Porto Alegre (com Clara e Cherry).

De toda forma, voltando. Minha amiga começa a chorar compulsivamente e os assaltantes começam a demandar. Voltando para a minha cena: estou com a arma na cabeça do primeiro assaltante e com o segundo abraçado em mim. Relax total.

A2- Passa o relógio

Eu- Este já foi no primeiro

Pois é, eu fiz uma piada com os donos da minha vida naquele momento. É muito não saber reagir bem em situações difíceis. Mas minha amiga chorava sem parar e eu dizia: Vamos ficar calmos. E cada vez que eu dizia isso o cara empurrava mais a arma na minha cabeça.

O assalto deles foi um fracasso. E acabaram sendo presos. Quando o carro de polícia chegou pra nos levar atrás dos assaltantes eu fiquei uns 15 minutos chorando compulsivamente. Minha amiga parou de chorar, até. No Palácio da Polícia três coisas clássicas aconteceram.

A primeira delas foi que os assaltantes tinha roubado, entre outras merdas (tipo, 8 reais. Hshshshs) um tetris de camelô meu. Sempre que eu saía de uma sala pra outra o maldito do tetris estava na mão de um policial diferente. A segunda foi que eu tive que reconhecer a arma, algo assim. E o PM perguntou pra mim e pra minha amiga quem tinha estado com a arma na cabeça. Eu disse que eu e ele disse: Aee, ein, quase morreu. Nome da arma(Sei lá qual arma), verdadeiro, bem novinho, carregado e engatilhado. Quer tocar? Eu respondi: Err O.o

A terceira foi que os assaltantes nos ameaçaram de morte. Aos 16 anos, depois deste tipo de terror, tu nem pensa que os caras nunca vão conseguir te achar, nem vão procurar, se sobreviverem na cadeia (um deles tinha uma bala alojada na bochecha, fala sério, Demian). Eu passei meses tendo pesadelos com aquele merda.

(puuutz, esqueci uma ainda mais clássica. No outro dia umas oswaldeiras que eu conhecia e estavam no Palácio da Polícia fazendo sei lá o que disseram pra todo mundo que eu tinha sido presa e estava no mesmo local com um adevogado bonitão, ie, meu pai. hahahahahahaha. boa demais)

Depois disso parei de andar de ônibus de noite. Até que fui assaltada pelo taxista:

Eu- Cara, tu me deu o troco errado.

A- Tu vai fazer o que? Estamos só eu e tu aqui.

Isso me lembra que pago o equivalente a cinco meses de trabalho em impostos. Como é bom morar na Suíça.

Mais sobre alinhamentos aqui.

Bordello kind of girl

Posted in deveras pessoais, ieieie on 14 de junho de 2008 by mari messias

Eu queria falar de Gogol Bordello, tentar explicar da forma menos esquizo possível pq eu amo tanto. Mas é deveras fucked up aqui dentro da minha cabeça, então fodasse. Aceito que seja inexplicável. Que ou a pessoa ouve e sente um soquinho na barriga ou não. É solitário (E LINDO, CORSÃO) sentir. A maior parte das vezes não temos com quem dividir o que gostamos, mas podemos ter amigos que entendem (ainda que não compreendam, ou vice-versa. E também podemos ser amigos assim). Eu tenho esta sorte e espero retribuir (quando não se tratar de Los Hermanos, fala sééério). Meus amigos não me julgam pq eu acho que ouvir GB foi a primeira epifania de Saturno e me reaproximou de um negócio que é super relevante pra mim, dionisicamente falando.

Quando o violinista do GB diz que não quer simplesmente tocar, ele quer trocar energias com a platéia eu me sinto profundamente compreendida, mesmo sem ter ido me nenhum show deles e mesmo que isso soe esô.

Eu acho que a música e a literatura não foram feitas para entretenimento frugal. Por isso a dificuldade. Ainda que consigam se passar por isso, são capazes de nos moldar como massinha de Zeus. Cinema e tv são entretenimento, pra mim. Mesmo que eu realmente acredite no conceito da carma do MyNameIsEarl e ache que InvasõesBarbaras é um pontapé lindíssimo. E Belleville. Ai, lindo. E por isso sou viciada em TV, pq eu preciso de entretenimento frugal loucamente. Possivelmente pra curar a confusão que é viver num mundo fucked up onde música e literatura significam mais que a maior parte do convívio social. Hshshshshs.

E se tu acha que eu tou é emaconhada, saiba que Sidis me entenderia. Hshshshshs. (é favor não desmentir, SIDIS FORÉVIS, PORRA)

Eu tenho um casal de amigos que se enamorou por vários motivos (e são lindos), um deles foi o filme preferido. Ambos tem o mesmo filme obscuro preferido. Pra eles cinema não é frugal, eu entendo (ainda que não compreenda). A idéia de poder trocar sentimentos é linda.

Eis-em: um cliché astrológico, curtindo coisas que IMPORTAM e MUDAM TUDO. Foda isso.

Uma vez escrevi uma carta pro Moj. que dizia: TUDO MUDOU. Juro por Jesusa que era verdade, ainda que sequer lembre do que se tratava. Hshshshs. Mas mudou tantas outras vezes depois que virou piada. Jesus, é sério, Moj.

Enquanto vou vivendo acreditando que as coisas IMPORTAM, que os amigos SÃO PRA SEMPRE, que LEALDADE é fundamental, enfim, é só ler um astrologia para dummies. Espero que vocês, amados leitores, vão se foder e escutem GB com este amor todo que eu queria falar mas não consegui (pq, afinal de contas, não sou a Cláudia Leitte).

Beeeeeeeeeeeeeeeijos

Teu pai, sabe teu pai? É uma suuuuuuper pessoa.

Sabedoria

Posted in quotes da rapeize on 12 de junho de 2008 by mari messias

Paulo: Hoje em dia minhas ressacas andam tão foda que eu nem penso “vou parar de beber”, penso “porra… vou fazer matemática na unb”

Pyratas

Posted in poemetos on 10 de junho de 2008 by mari messias

(uhu, mais um pedaço dos pyratas. outros dois aqui e aqui. incapacidade de dormir é uma merdra)

Canto IV
Os conselhos do pai.

Nascido de pai pobre e mãe orgulhosa, em dia esquecido, o pródigo foi, desde mui jovem, recolhido por estripulias que incluíam pequenos furtos e calúnias gloriosas. O pai, sempre mui temente, resolveu aconselhar-lhe:

Se te flagram
Desmaia ou sorri
Pous não sendo rufião
Faz bom uso do espanto
E anula a transgressão

Mas não exagera
Ou teu renome
Vira quimera
E te tomam
Por débil ou dama

Preza teu legado
Com destreza
Faz fato o negado
Com as damas e com a lei
Te servirá
Melhor que beleza em Rey

É importante ter engenho
E ingênua confiança
Em teu próprio desempenho
Mas não convém burlar
Lei maior que a capacidade
De pagar

Usa sempre teu nome
Aquinhoado do Pai e Del-Rey
Evita a morte antes de tudo
E depois o endoudecedor matrimônio
Que foi feito indissolúvel pelo
Próprio demônio

Não sobrando o que fazer
Corre pr’além’ar
E te some
Pous lá não existe ley
Ou fome

Esquece tudo
Se te acham
No fim da sorte
Fica mudo e pede bença
Pra encarar a morte
Como sabença

Noção? No Hablo

Posted in nadavê véiô, o mundo (essa folia) on 9 de junho de 2008 by mari messias

Vocês viram, minha gente? MTV e SKY fazendo luta no gel. E o pessoal, que sequer é de família circense, super fazendo a palhaça.

O que aconteceu: A Sky parou de transmitir a MTV Brasil pra todos os lugares menos pra SP. A Sky alega que o contrato deles com a MTV acabou em dezembro passado e depois de negociações não conseguiram chegar a um acordo. O truque nisso? SP. O acordo não rolou mas eles continuam transmitindo pra SP? Como assim? Não faz o menor sentido. A não ser que eles acreditem que:

a) MTV é coisa de paulista

b) Paulistas são agitadores e eles perderiam assinantes

c) Não estamos na época que estamos

Quando a MTV começou a ser transmitida no Brasil eu acho que sequer existia TV a cabo. Lembro que ligavamos pelo vídeo ou em micro TVs que tinham UHF. Ai, isso me deu aquela sensação boa de evolução tecnológica. Quase chorei. shshhshss. E quando a MTV foi lançada no Brasil, ela demorou um bom tempo pra chegar aqui no sul. Uma coisa Humbertão-chora-longe-demais-blaba. Mas agora, graças ao semi-bom (UH, HÍFEN) Zeus as coisas mudaram e uma pessoa pode ter noção de diversas coisas, mesmo morando em Porto Alegre.

Diversas coisas não inclui uma porção de outras, mas inclui o mundo tecnológico. As pessoas super se comunicam. Todos (os interessados) sabem o que rola aqui e na China. E os interessados costumam ser os mais jovens. Não sempre, mas a grande maioria. Até pq os mais jovens já nasceram com o pressuposto de que podem. Coisa boa, né? Uh. Porém é uma pena que ninguém avisou isso pro setor de marketing da Sky.

Por outro lado, a MTV costuma ser mais interessante pros jovens que a China. E nisso a Sky deve ter pensado. A maior parte dos assinantes de Sky são os pais, não os jovens. O clássico espírito Maluf: caguei se tu não me curte, só show me the money.

Mas, claro, a MTV (que tem uma programação mais que meia boca, mas isso pq se moldou ao que o público queria ver, então não nos façamos de rogados) coloca no ar comercial com a mesma locução e o mesmo look das vinhetas “politicamente corretas” que eles tem. Issae, rapaziada. Eu conheço gente assim alhures. Defendem de cair morto que ninguém molde o pensamento alheio, mas quando é no deles trabalham nos moldes que é uma beleza.

Por outro lado, acho que isso pode ser proveitoso pras pessoas finalmente começarem a demonstrar o quanto acham odioso, mortalmente odioso, que as TVs pagas alterem sua grade de canais segundo seu gosto e ignorem o público. Sky fez isso na moita, sequer mandou comunicado, pelo que circula pela wide wide world of web (copyright Joy). Mas Net já fez isso antes. Acho que só eu liguei pra reclamar. E fiquei naquela espera hedionda de telemarketing uns 20 minutos. E nada aconteceu, claro. NET e Vírtua sempre defecavam na minha cabeça, até que aprendi o truque de dizer que ia ligar pra Ouvidoria. Eu odeio barraco, mas a NET faz o tipo “vamos ver quem caga na cabeça de quem”, feito tantas empresas grandes.

Tu ta pensando que eu deveria ocupar minha cabeça com coisas mais úteis? Como assim, amigo? Nada se encaixa mais na definição de útil que MEU DINHEIRO. Hshshshshs.

p.s: nada contra as coisas inúteis. acabei de sair de um momento solitário na Sociedade de Apreciação Jean-Baptiste Grenouille. Adoro. Incrível como o nariz, além de ser o traço estético mais marcante de uma pessoa, ainda serve pra nos dar brindar com este incrível sentido que é o olfato.