Arquivo de julho, 2008

Duas coisas bizarras que aprendi nos últimos dias

Posted in maconha, o mundo (essa folia) on 30 de julho de 2008 by mari messias

Em Pelotas eles falam apenas a língua dos *isse* no final de verbos e dos doces. Certo? Errado. Eis que recebo informações de uma nova peculiaridade que eu desconhecia até então: eles não usam “de nada”. Exemplificarei com um micro-diálogo abaixo:

-Obrigada

-MERECE

É, inacreditavel. Concordo.

2. Um tempo atrás eu descobri que tinha dito por aí que socratismo era o nome da pratica sexual do dedo no anus. Jamais saberei se inventei ou li isso, mas tendo lido hoje que chuva romana é uma pratica sexual que envolve vômito, me sinto cada vez mais tendenciada a crer que li por aí sobre o socratismo.

Sinceridade já*

Posted in deveras pessoais on 30 de julho de 2008 by mari messias

No último animeio, marromeno, passei por uma sucessão de acontecimentos que me deram, certo momento, a sensação de que eu estava prestes a virar uma supernova, tamanha a pressão.

Eu, como boa devota de astrologia, meio que já esperava pelas surpresas do retorno de saturno, mas não imaginei que seriam tão implacáveis. Perdi duas avós, me separei, uma pessoa que amo muito ficou muito doente, ganhei uma sobrinha, a pessoa ficou bem, ganhei um afilhado.

E, como boa introvertida escorpionina, internamente o processo foi igualmente implacável. Descobri que não tinha idéia de nada, fiz o processo de recolhimento e expansão, me isolei de todos e voltei a conviver. Como fiz outras vezes, sempre na busca do caminho de entender as coisas. Eu meio que preciso entender a lógica das coisas, mesmo que a lógica não tenha lógica, o que importa é verossimilhança lógica. Sacou? Coisa de quem faz ciência inexata, contradição que é considerada lógica mas que equivale, na minha cabeça, a expressão morto-vivo. Algo como sim-não.

E tentando entender meus processos em uma fase onde descobri que não tinha nenhuma certeza, mas NENHUMA CERTEZA MESMO, resolvi fazer uma lista.

Uma lista onde só entram as coisas que eu já tenho certeza. Não as coisas que acho que talvez.

Por exemplo, já sei que não gosto mais de cabelo curto (em mim, cada um cada um). E pode parecer totalmente idiota, mas foi minha primeira certeza e me deu um alívio. Mesmo que eu só tenha tido certeza depois de cortar o cabelo. Hehehehe.

Começando aí fiz algumas mudanças necessárias no que estava vivendo e descobri que acredito em aprender, não só no sentido nerd da coisa. Aprender com situações e pessoas. Aprendi, também, que sou nerd, mesmo que nem sempre me empolgue com a mesma coisa, todas as minhas fontes de empolgação são nerds. Que acredito em assumir responsabilidades, criticar e culpar me deixa com sensação de morte súbita. E por criticar quero dizer o que não se refere a crítica-amiga (aquela que fala coisas produtivas e com afetinho) nem crítica profissional (aquela que arrasa. FIM), só aquele estilo amargura da vida. Acredito em vida simples, coisa que a maior parte das pessoas acha legal em teoria mas odeia na prática (pelo que notei até hoje). E que acredito em amor e iniciativas gentis como retribuição deste sentimento, não romantismo. Eu não acredito em cara-metade, eu sou inteira. Eu não acredito em amizades de outra vida, escolhemos os amigos e eles duram o quanto estamos dispostos a investir nesta amizade (relação custoXbenefício conta). Como tudo. E acredito em prazer. Viver deve ser prazer, também. Ainda que o post do Reich diga mais ou menos o que sinto sobre isto, eu sou uma pessoa positiva, quase uma idiota (especialmente pros conceitos russos. Hshshs). Eu espero o melhor dos outros, eu gosto de gostar de trabalhar, eu gosto de ter a capacidade de sentir prazer lendo, eu gosto de não procurar problemas e regar as plantas e brincar com os gatos. E eu gosto de achar que cada momento é especial, mesmo que algumas pessoas considerem aquele momento um desperdício de tempo pq não produziu nada externo.

E eu tenho amigos e conhecidos que fiz quando era mais jovem (no sentido RIMBAUD da coisa) que ainda acham estúpido agir assim. E eu entendo, privacidade é uma coisa que eu gosto muito e este post esta sendo duro de fazer por isto. Mas eu gosto de pensar que sou contra esta tendência de ALEIJO AFETIVO que lota meus ciclos de carinho e acredita em demonstrar rebatendo. Saca? Como se tudo o que é dito batesse em um espelho e ao te chineliar eu provasse que gosto de ti. A vida simples também é dizer o que se sente e agir de acordo.

E, como diria Lemas

la vie en close

c´est une autre chose

c´est lui

c´est moi

c´est ça

c´est la vie des choses

qui n´ont pas

un autre choix

* para que não possui cultura trash, o título de post é uma referencia ao Leão Lobo e seu clássico motto: dignidade já. eu adorava o Leão Lobo, onde será que ele tá agora? alguém sabe? hshshshs.

P.S.: Não consigo publicar o poema configurado direitinho. Inserir palavrão.

P.S.2: Esqueci de comentar que a lista tem coisas mais práticas e diretas, como por exemplo, usar um feeder e a alegria gerada por isto e como eu realmente não considero uma boa idéia fumar, ainda que goste. Certo que tem relação com o MyNameIsEarl.

Why so serious?

Posted in idéia não tem dono, quotes da rapeize on 19 de julho de 2008 by mari messias

“What doesn’t kill you makes you stranger”

(sabedoria universal)

Essa não é minha

Posted in maconha, o mundo (essa folia) on 16 de julho de 2008 by mari messias

Olhe só que loucura, eu estava mesmo escrevendo um post sobre o Banksy quando REVELARAM A BOMBA, ie, fotos da cara do sujeito.

Preciso dizer que algumas coisas na vida me empolgam sem data de validade, Bansky sendo uma delas. Não só pq ele arrasa, mas pq junto com a popularização da street art ele é responsável pela popularização da teoria da arte. E explico com exemplos.

Quando a polícia inglesa estava cobrindo graffitis com tinta preta e cobriram o pulp banana dele, surgiu um debate acalorado sobre isso e, por consequencia, sobre o que é arte. O que pode e o que não pode ser coberto, superado, de onde surge o valor da obra, de fora, de dentro, do lado. Enfim.

Outro debate que ele sempre faz ressurgir é o do meio da obra e a importância deste meio. Seja pq um cara arrancou a parede pra vender pq era BANKSY, seja pq este tipo de fugacidade e alteração pelo meio faz parte da produção de street art.

Mas o que o Banksy mais tem chamado atenção nos últimos mil meses é para o problema autoral. Qual o valor do autor para a obra e vice-versa. Agora as obras dele tem um tipo de selo de autenticidade, pra evitar que pessoas arranquem paredes falsificadas. E na nossa sociedade iconica, a adoração do ícone Bansky ameaça, faz tempo, o conceito que integrava inicialmente a street arte, de autor anônimo. Eu acho lindo a história de autor anônimo. Por exemplo, eu amo o Ethos (e poemas/músicas/etc de autores anônimos). Sei que muita gente deve conhecer, eu nem faço idéia de quem é. E eu acho que muitas vezes esta associação autoral, biografismos e idolatria destrói a produção. E a produção, o fervor, a busca, são a essência da arte como eu a vejo. Das artes.

Uma das coisas mais divertidas do Café Tacuba é que o vocalista uma época assinava como Anônimo, daí todas as músicas eram de autor anônimo, sacou? hshshshs.

Então, depois de fotos de ladinho, de capuz, de passagem, agora temos fotos nítidas de quem seria o Bansky. O anonimato, já diria o Ripper, sempre foi uma grande arma da imortalidade. Não que Banksy precise disto, ele já conseguiu colocar um quadro como prank em um museu e ver este quadro passar a fazer parte do acervo do lugar. Mas será que nós precisamos TANTO ASSIM de uma biografia, uma imagem de culto?

E o povo não perde tempo, já que agora a teoria é de todos que quiserem. Teorize, ou morra.

Retorno de Saturno

Posted in quotes da rapeize on 11 de julho de 2008 by mari messias

Noah: cheguei nos 30 e estou aprendendo de uma só vez tudo que lia nos livros e achava que era ficção: a máquina burocrática do kafka, o desespero sentimental do werther, o consolo no álcool do leminski.

(Noah sempre abordando de forma hilária a alma humana)

But I need the stupid things

Posted in idéia não tem dono on 6 de julho de 2008 by mari messias

(desenho do Evandro, rascunho não aproveitado ATÉ AGORA. adorei. se tiver interesse em saber algo sobre ele, pergunte-me como, por enquanto ele não tem site)

Tu já deve ter ouvido pessoas dizendo ou conhecido alguém que é um colecionador de pessoas. Um colecionador de pessoas é um colecionador de memórias, desejos, frustrações, coisas diversas e sem muito nexo pros que estão de fora, é uma pessoa que quer preencher seu vaziL com outras pessoas, sem ou com dubiedade.

Eu me aproximo muito de um colecionador de pessoas, mas com livros e sem dubiedade (por jesusa, Randal). E, não, isso não é bizarro. E eu poderia falar tudo o que penso sobre isso, mas o fato é que alguém escreveu bem melhor que eu, portanto nem me darei ao trabalho.

Deixo com o link, aproveitem. É um dos melhores textos que li ultimamente na web, morri de rir sem parar. E concluí que, é, livros não são tudo na vida, but I need the stupid things.

Falta muito pra eu ter tantos livros quanto este cara e espero só faze-lo depois que parar de me mudar (mudança com livros=dor no corpo inteiro de encaixotar, pq só tu pode encaixotar as porcarias dos livros caso contrário serão semanas sofrendo pq alguma capa ficou torta ou coisa assim).

Então tá, leiam lá e se deleitem.

Jean-Baptiste Grenouille

Posted in deveras pessoais, idéia não tem dono on 1 de julho de 2008 by mari messias

Algumas coisas são pra sempre. Bem poucas, é verdade, e raramente as que imaginamos quando queremos nos sentir humanos. Pra mim, Jean-Baptiste é eterno.

Este livro chegou pela primeira vez até minha nobre pessoinha quando a mãe do meu irmão mais novo começou a ler e não conseguiu, disse que achou tão nojento que sentia vontade de vomitar constantemente e teve que parar. Por algum motivo bizarro (basicamente descobrindo isso eu entenderia quem eu sou) este relato dela me pareceu muito atraente e, quando ninguém estava vendo, peguei o livro e comecei a ler. Saindo da casa deles, levei o livro comigo para terminar. E quando terminei não consegui devolver, li de novo. Depois de algum tempo da segunda leitura, voltei e li meus trechos favoritos. E assim forévis.

Não me senti próxima do Grenouille, mesmo que tenha me identificado com a paixão que ele nutria por odores. Mas eu sabia que ele era um escroto, não me identifico com isso, ou com os aspectos melancólicos da personalidade dele. Eu fiquei obcecada pq, além de ser um livro primoroso, era um livro sobre odores.

E assim (com uns 12-13 anos, possivelmente), eu aceitei como normal brincar de perfumista pelas ruas. Hshshshs.

Mas eu queria falar do filme. Quando fui ver este filme pela primeira vez senti muito medo, pq Grenô é eterno, pra mim. Kubrick queria ter adaptado, mas acabou dizendo que isso era impossível. E, vendo a versão que chegou aos cinemas, eu agradeci ao Olimpo por isto.

O grande problema das adaptações é que são adaptações. É quase tão difícil quanto ser perfumista fazer uma coisa sair de seu meio para outro que é, basicamente, o oposto, com dignidade e força. Especialmente para pessoas que já tenham lido o livro e, como eu, lembrem dele em um filme mental (onde não existe limite de orçamento). Mas este filme consegue e de forma primorosa. E me sinto inclinada a esfregar estrume na cara de quem disser o oposto.

Além de tudo, o filme tem a coreografia de uma cena deveras relevante assinada pelo Fura.

Então, se eu fosse tu eu veria o filme com ardor. Hshshs.

Minha edição do livro, aquela que eu roubei sem maldade, foi roubada (com ou sem maldade eu não sei). Eu tenho só uma genérica de balaio, mas cito um dos pedaços, bem do começo, que eu nunca consegui tirar da mente e, vendo no filme, parecia com a primeira vez que tinha lido.

A mãe de Grenouille queria que tudo já tivesse acabado. E quando as dores se tornaram mais intensas, ela se acocorou debaixo da mesa de limpar peixe e pariu, como já das quatro outras vezes, e cortou com a faca de peixe o cordão umbilical dessa coisa recém-nascida. Em seguida, porém, por causa do calor e do mau cheiro, que ela só percebia como algo insuportável – como um campo de lírios ou um quarto estreito em que haja narcisos demais -, ela desmaiou, caiu de lado, resvalou de debaixo da mesa para o meio da rua e lá ficou, com a faca na mão.

(…)

Nesse instante, contrariando as expectativas, a coisa recém-nascida começa a chorar debaixo da mesa de limpar peixes. Procura-se, encontra-se um bebê num enxame de moscas e entre vísceras e cabeças de peixe, é puxado para fora. Ex-officio ele é entregue a uma ama, a mãe é presa.