Arquivo de agosto, 2008

Onde inserir adjetivos?

Posted in ieieie on 29 de agosto de 2008 by mari messias

Passei os últimos gloriosos dias cantando esta singela música e, sem querer soar Ellen Jabour, hoje alegremente esbarrei nesta belíssima versão que fez meu gélido coração virar uma versão frost free de si mesmo.

Aproveitando o clima Islândia (ie, frio assassino) que lamentavelmente me proporcionou uma bela gripe maconha (onde me sinto plenamente emaconhada fulltime), convido o benevolente leitor a se dirigir ao bueníssimo texto da amada Desi, Sobre Música e Mãos.

Em tempo, como uma homenagem ao Marx, que curte os clássicos, deixo a versão original abaixo. HSHSHSHSHSHS. Aguardem o lançamento ultra-acadêmico Como ouvir os clássicos, do mesmo. Ok, parei.

(Atenção ao Moj. que, escondendo as lágrimas, urra para toda a Portinho ouvir)

Momento cultural

Posted in quotes da rapeize on 27 de agosto de 2008 by mari messias

mari: ai, porra, onde é Odense? Não acho Odense.

marx: Odense é na buatchi.

Maldoror Rindo

Posted in ctrl+c ctrl+v, idéia não tem dono, maconha, quotes da rapeize on 26 de agosto de 2008 by mari messias

Why
Parte do fascínio causado pelo Coringa que anda por aí provém do mistério que o personagem encerra, principalmente quanto a sua origem obscura e as diferentes versões que ele mesmo espalha sobre o corte que lhe encanta a face.

Pois bem, desvendei o mistério, descobri a verdadeira origem da personagem e seu famigerado talho labial.

Neste sábado tempestuoso, retirei numa biblioteca a clássica edição brasileira, lançada pela editora Max Limonad nos anos 80, para os Cantos de Maldoror, escrito pelo tão misterioso quanto Conde de Lautréamont. Este livro – que apontam como uma das pedras fundamentais da modernidade – conta a história terrificante de um sujeito que é algo assim como a encarnação suprema do Mal sobre a Terra. Nada mais, nada menos.

Poucos livros causaram tanto impacto sobre as gerações que se seguiram quanto esse. De seu autor sabemos muito pouco, somente que nasceu em Montevideu, no ano de 1846, e fez seus estudos em Paris, onde morreu aos 24 anos de idade, no ano de 1870.

Mas o que interessa está logo na segunda página do livro, uma cena que transcrevo aqui:

“Vi, ao longo de toda a minha vida, sem excetuar um só, os homens de ombros estreitos praticarem atos estúpidos e numerosos, embrutecerem seus semelhantes, enfiarem o ouro dos outros em seus bolsos e perverterem as almas por todos os meios. Assim chamam eles o motivo de suas ações: glória. Vendo tais espetáculos, eu quis rir como os outros, mas isso, estranha imitação, era-me impossível. Peguei um canivete e, com a lâmina de gume afiado, rasguei minhas carnes no lugar onde se reúnem os lábios. Por um momento, acreditei ter alcançado meu objetivo. Examinei no espelho essa boca ferida por minha própria vontade. Havia sido um erro! O sangue jorrando abundante das duas feridas, não me permitia distinguir se aquilo era realmente um riso como o dos outros. Porém, depois de alguns momentos de comparação, eu vi perfeitamente que meu riso não se assemelhava ao riso dos humanos, ou seja, que eu não ria.”

Então eras tu, ó famigerado Maldoror! Só podia, só podia… Acho melhor fazermos de conta que não sabemos de nada. Êta penga!

Os escoceses que me perdoem

Posted in maconha on 24 de agosto de 2008 by mari messias

Bom, de tempos em tempos eu tenho um momento maconha. A maconha atual é imaginar assim: dois fumetas simulando que estão nos anos 60 sentados assistindo pedalinho. Daí um deles diz isso:

– Nós somos punheteiros pq fomos colonizados por punheteiros

Algo assim. É uma idéia super nova e genial. Hshshshs.

Mas a sério. Nós fomos colonizados por Portugal e, diferente do que 90% das pessoas costumam afirmar, nosso país desde 1500 recebeu fluxos gigantes de ladrões, sodomitas, judeus, ciganos. Todo o restolho da pátria mãe. (na verdade o restolho religioso começou uns 200 anos depois, mas vocês entenderam)

“Eu sou alemão”. Não, amigo, tu é brasileiro. Por mais chinelo que tu te sinta sendo brasileiro, tuas origens, sejam alemãs ou vietnamitas, são certamente mais chinelas.

E com toda esta bagunça genética e burocrática iletrada que é ser fruto de uma colonização extrativa, pq não somos os criadores de coisas como Trainspotting? Pq não pensamos na nossa nacionalidade a não ser quando decidimos nos embaianar, ser tropicais, abacaxi no cu? Pq sofremos do complexo turístico? Não temos que ser turisticamente atraentes, não é nossa função no mundo.

Somos a Angela Bismarchi dos países, sempre fazendo mais uma plástica pra parecer com quem deviamos ser. Só que isso não nos impede de ser freaks da body modification. A brasilidade que me desculpe, mas eu fui colonizada por punheteiros. E não me sinto na Terra Brasilis.

E nem estou aqui pra defender Antonio Cândido e sua literatura engajada shit. Mas enquanto ouço Tecnicolor dos Mutantes e rio das referências brasileiras ditas em português e não em Brazilian eu admito que gostaria de ler coisas que falassem do sufocamento que é ser um país tropical, abençoado por zeus, bonito por natureza.

Por outro lado, tentar encontrar isto aqui talvez seja uma busca estilo teoria da literatura: vamos enquadrar o país nos nossos desejos. Se não é obvio, não é natural, né não?

Alias, nos grandes eventos esportivos fica ainda mais claro como somos um país essencialmente melancólico, né não? Nós somos os Payasos do comercial do Bafici, mas eu admito que só tou ouvindo a música pelo solo de guitarra. Hshshshs.

E ao longe as pessoas pastam, mãos dadas em um parquinho com água suja, pensando que lindo é este brasilzão de meu deus.

Graaande Byron

Posted in idéia não tem dono, o mundo (essa folia), poesia visual on 19 de agosto de 2008 by mari messias

In keeping with Byron’s reputation as a great and indefatigable lover, his sexual organ was noted as showing “quite abnormal development”.

(…)

She suggests that Byron’s often sadistic relationships with women were a reaction to the sexually abusive behaviour that he had suffered from his nurse when he was nine. She also argues plausibly that Byron’s true sexual yearnings were for boys, beginning with Edleston, the 15-year-old chorister whom Byron loved (probably chastely) at Cambridge, and ending with Lukas Chalandritsanos, the page whom he pursued (unrequitedly) in his last months in Greece.

Ta rolando um clima baRocco na literatura este mês. Tinha que ser agosto. O resto desta coisarada pode ser lida aqui (via Marx).

Isso, aliás, me lembrou do sumiço da vara brasileira. Nunca uma olimpíada foi tão dúbia.

Me ocorreu agora, seria Byron o novo Rasputin? Hshshshshs

Big Gay Heart

Posted in deveras pessoais, ieieie, maconha on 18 de agosto de 2008 by mari messias

Em geral eu dou graças a Zeus por não ser mais uma jovem. Não sinto a menor saudade da confusão mental, da ansiedade que mata, da insegurança, loucura, dos hormônios descontrolados, todas estas merdas. Mas tem uma coisa que eu sinto falta. Me dei conta disso enquanto vasculhava o site do Roskilde (estava trabalhando, antes que seja acusada de não deixar a chama morrer): meu amigo Mikael.

*Pausa pro Moj. assumir que também sente falta. Hshshshs*

Mikael foi meu Messias de diversas formas. Quando nos conhecemos eu tinha 18 anos e estava no auge do meu horror particular. Ele foi, com certeza, uma das pessoas mais doces, sinceras, gentis, JOVENS, INDIES e nórdicas que conheci. Convivemos por umas duas semanas, somente, mas seguimos mantendo correspondência por 4 anos, até que um bug do hotmail e 5 mudanças de endereço cortaram a comunicação.

Juntos fomos expulsos de lojas, vimos shows de música com instrumentos inusitados, rimos e comemos comida apimentada, entre outras coisas. E nas cartas dividimos todos os nossos momentos importantes até aquela data.

No último mail que ele mandou (no meio da conversa fizemos um upgrade: de cartas e postais para emails. ele nem era um cara muito tecnológico) ele falava que estava fazendo uma turnê com uma banda cover de ELVIS. Mikael era ÚNICO, acredite.

No dia seguinte ao do site do Roskilde estava arrumando minha coleção de postais e achei o endereço dos pais dele em um cartão que não mandei. Ele não mora mais lá, mas pensei em escrever pra ver se conseguia achar o dito. Desde então admito que sofro de ansiedade, tenho medo de descobrir que ele virou um palha ou morreu.

As cartas dele eram um primor, sempre começavam sóbrias e lineares e se transformavam em longos relatos non sense emaconhados. Prendiam o leitor de tal forma que, depois de um tempo, Moj. esperava por elas junto comigo. Hahahaha.

Enfim, não vou entrar em longos relatos sobre tudo que aprendi com Mikael. Nem vou dizer quantas vezes cogitei como ele anda. Só vou dizer que, por Jesusa, eu sinto muito falta de ter um amigo como ele. Pode parecer doentio, mas juro que não era.

Durante muito tempo Mikael quis se mudar pro Brasil. Pelos meus relatos ele acreditava que este fosse um país legal. Ele queria abrir seu próprio estúdio de gravação, ou no Brasil ou na Holanda. Maconheiro maldito. Hahahaha. Eu sempre tentei fazer ele entender que o fato de a cachaça do João ser um 1 real e o Xis da Lancheria ser uns 4, na época, não era prova de que aqui não havia ley ou fome. Pelo contrário.

Agora ele tem uns 32 anos. Minha esperanças se concentram em desejar que ele não tenha virado um crackhead nem um equivalente dos fãs de Barão Vermelho. Hahahahaha.

Mikael odiava Lemonheads e sempre ironizava meu gosto FEMININO pra música, mesmo assim uma música deles até hoje me lembra ele. Na época eu disse que lembrava dele ouvindo ela e ele disse que era doce, apesar de preferir ser associado com músicas melhores. Hahahaha. Grande cara.

Reminder: ( DON’T BE SO TITANIC)

R.I.P. II

Posted in ieieie, o mundo (essa folia) on 17 de agosto de 2008 by mari messias

A ceifa continua em alta nesta estação. Paletozinhos de madeira para todos os estilos.

R.I.P.

Posted in ieieie, o mundo (essa folia) on 10 de agosto de 2008 by mari messias

O mundo sofrendo com a perda do Chef ficou insano, tenho provas:

Buscar    Visualizações
forca capilar circo.    2
“apocalipse anal”    1

Scarlet letter of techno-shame

Posted in idéia não tem dono, o mundo (essa folia) on 8 de agosto de 2008 by mari messias

Meus amigos em chamas, hoje. Desi me mandou este negócio hilário. Cito:

All my life I’ve been a successful pseudo-intellectual, sprinkling quotations from Kafka, Epictetus and Derrida into my conversations, impressing dates and making my friends feel mentally inferior. But over the last few years, it’s stopped working. People just look at me blankly. My artificially inflated self-esteem is on the wane. What happened?

Existential in Exeter

Dear Existential,

It pains me to see so many people being pseudo-intellectual in the wrong way. It desecrates the memory of the great poseurs of the past. And it is all the more frustrating because your error is so simple and yet so fundamental.

You have failed to keep pace with the current code of intellectual one-upsmanship. You have failed to appreciate that over the past few years, there has been a tectonic shift in the basis of good taste.

(…)

Now the global thought-leader is defined less by what culture he enjoys than by the smartphone, social bookmarking site, social network and e-mail provider he uses to store and transmit it. (In this era, MySpace is the new leisure suit and an AOL e-mail address is a scarlet letter of techno-shame.)

Today, Kindle can change the world, but nobody expects much from a mere novel. The brain overshadows the mind. Design overshadows art.

O resto aqui

Calvino e a vida real

Posted in ctrl+c ctrl+v, idéia não tem dono on 8 de agosto de 2008 by mari messias

“Resta o fato de que ler os clássicos parece estar em contradição como nosso ritmo de vida, que não conhece os tempos longos, o respiro do otium humanista; e também em contradição com o ecletismo da nossa cultura, que jamais saberia redigir um catálogo do classicismo que nos interessa.”

CHORA, Calvino:

Under Odysseus (a blog that retells the epic story from the limited, skeptical, gossipy perspective of Eurylochus, one of Odysseus’s soldiers)

Hamlet, Facebook style (também via Moj.)