Arquivo para maio, 2009

Maqsimas

Posted in quotes da rapeize on 27 de maio de 2009 by mari messias

Ciscai diz:
bon voyage
disse em francês pra parecer menos pobre
pior que essa foi a terceira vez que usei essa piada hoje
e só agora consegui o devido reconhecimento

Orfeu

Posted in degredo no olimpo, idéia não tem dono, maconha on 27 de maio de 2009 by mari messias

orfeu

Jorge de Lima tem um baita engodo chamado Invenção de Orfeu, que começassim:

“Um Barão assinalado
sem brasão, sem gume e fama
cumpre apenas o seu fado:
amar, louvar sua dama
dia e noite navegar,
que é de aquém e de além-mar
a ilha que busca e o amor que ama.”

Lendo esse início, ainda que não pareça óbvio pra todagente, eu me atirei nos caminhos do caixa e adquiri, anos atrás, o volume. O problema me veio foi depois, quando ele se lançou em intermináveis mais de 400 páginas de maconhice, lamúria e nada cativante busca ao Eldorado. Ok, Bosi, ache o que quiser, eu caguei. Pra mim o resumo de vestibular é o seguinte: ENFADOIMORTAL.

Mas, claro, quem não gosta de Orfeu? Orfeu nasceu dizendo IM FODA BAGARAI, RESPECT e morreu dizendo ACHE MINHA CABEÇA TRISTE IRMÃ.

Ele é o senhor das viagens mágicas que culminam em EPIC FAIL.

Primeiro, todos sabem que ele conseguiu ir ao Hades e retornar, saca? Claro que não serviu de porra nenhuma, já que ele foi buscar a Eurídice e nem rolou. Mas ele foi. Depois, a maioria também ta ligada que ele foi um dos Argonautas. E todos sabem que os Argonautas são a semente de Medéia, ie, a história começa com casaco de pele e acaba com uma mulher do Tarantino matando a galeire toda (adoouro a Medéia, mas vamos e venhamos, estou na correria e nenhum de nós tem motivos para ficar falando obviedades só pra soar inteligente).

Mas eis que, EIS QUE, temos acesso a uma espécie de Delorean de Orpheu, ie, podemos refazer o destino. A maioria das pessoas que eu conheço se pudesse mudaria o destino. Logo se vê que ninguém aprendeu nada com a Sessão da Tarde, onde Michael J. Fox nos ensina a importância das micro ações e tudo mais pro mundo como ele é. Minha sugestão é que todos deixem logo de mimimi. A começar pelo Reverendo Thomas Whathers, que jura que podemos dar uma de Orfeu e salvar os parentes pecadores do Hades.

Eis o que ele diz:

“Just because your friends or family members died before they were able to mend their ways doesn’t mean they have to ‘rot in Hell. Prayers of the living have tremendous power to free the damned.”

Sigam o cronograma do Reverendo Coisinho e não esqueçam a lição de Orpheu. Olhou pra trás, phodeu.

Pensei um pouco e gostaria de adicionar uma coisa sobre o Reverendo Coisinho e seu orfismo, chama culpa pregressa, ie, Pathos. Isso aí é mais que orfismo, é PAGAR O PATHOS NA MORAL.

Beeeeeeeeijosiligabrasil.

P.S.: SE EU MORRER AMANHÃ, NÃO ME SALVÃO MINHA DOUCE IRMÃ!

Deserto do Real

Posted in idéia não tem dono on 25 de maio de 2009 by mari messias

real

Hoje encontramos no mercado uma série de produtos desprovidos de suas capacidades malignas: café sem cafeína, creme de leite sem gordura, cerveja sem álcool… E a lista não tem fim: o que dizer do sexo virtual, o sexo sem sexo; da doutrina de Colin Powell da guerra sem baixas (do nosso lado, é claro), uma guerra sem guerra; da redefinição contemporânea da política como a arte da administração competente, ou seja, a política sem política; ou mesmo do multiculturalismo tolerante de nossos dias, a experiência do Outro sem sua Alteridade (o Outro idealizado que tem danças fascinantes e uma abordagem holística ecologicamente sadia da realidade, enquanto práticas como o espancamento das mulheres ficam ocultas…)? A realidade virtual simplesmente generaliza esse processo de oferecer um produto esvaziado da sua substância, do núcleo duro e resistente do Real – assim como o café descafeinado tem o aroma e o gosto do café de verdade sem ser o café de verdade, a Realidade Virtual é sentida como a realidade sem o ser. Mas o que acontece no final desse processo de virtualização é que começamos a sentir a própria “realidade  real” como uma entidade virtual.

Zizek

(então, nem ia colocar essa parte, é cliché. com tudo isso, o véi quer explicar sua visão da percepção da recepção dos atentados do WTC. nós que vimos na TV, nossa necessidade de repetição do espetáculo que virou aquilo. fala de quem viveu isso, depois de anos sendo bombardeado com imagens do mundo em colapso, imagens em geral bem mais sombrias que essas das torres, sem membros decepados nem nada. ele fala das conexões com Hollywood que rolaram nos programas de prevenção ao terrorismo, enfim. isso tudo foi pra referência que o Caetano fez de que o café descafeinado não deixa de ser café, segundo ele, indignado, esquema BRASILIS. deslocando a metafora e nem sendo superbacana)

OK, prometo

Posted in quotes da rapeize on 25 de maio de 2009 by mari messias

Mojo diz:
asjakshhasgjHSGJHGASH MERDA ISSO VAI PRO BLOG
Mojo diz:
NÃO, OK?

Dia do orgulho Friki

Posted in o mundo (essa folia) on 25 de maio de 2009 by mari messias
voltei a colecionar Stalins

voltei a colecionar Stalins

Criado em 2006, como referência a premiere do Star Wars (em 1977) o dia do orgulho nerd serve de lembrança pro pessoalzinho que quem tem orgulho não sintegra.

Ultimamente as pessoas pararam de usar nerd, pq dizer nerd virou coisa de nerd. Agora o descolé é dizer geek. Mas geek também ta virando coisa de nerd, então antevejo que passarão e dizer, sei lá, friki. Eu acho que tanto faz, a idéia é a mesma, no fundo. Pessoas que sentem prazer, PRAZER SINCERO, por conhecimento aprofundado no que for. Isso pode ser esclarecido na lista de direitos e responsabilidades ao final da post, vide item 6 das responsabilidades. Prazer não associado, necessariamente, com morenas, status social e dinheiro.

Acontece que o mundo precisa de pessoas inteligentes. Não num sentido afetivo. Precisa mesmo, para girar financeira, tecnológica, tudomaismente.

E, com o tempo, entre os nerds que foram dominando o mundo, estavam alguns que não tinham vergonha de quem eram. Tinham orgulho. Por qual motivo alguém teria orgulho disso? Ora, porra, só deixamos de ter orgulho pelos outros, quando queremos nos encaixar em ideais alheis. Ideais alheis são como roupa um tamanho menor: não ficam bem em você, acredite em mim.

Então bora comemorar.

(eu ando tão louca que esqueci que tinha separado links em abas pra colocar aqui hoje, então, reformulando)

Aqui tem um texto legal, de 2005, sobre como ser nerd virou uma uhuducaraivéinho

There was a time–yes, my children, the legends are true–when J.R.R. Tolkien was not cool. Really. Very much not cool. Also video games, and Spider-Man, and the X-Men.

(sério, quando conheci Mojo Tolkien nem era cool. hshshsh)

Aqui tem um estudo pra rapaziadinha se vangloriar que diz que quem trabalha na área de TI é mais nerdy, sexualmente falando, na Inglaterra.

Aqui tem um texto falando da faculdade conhecida como Geek Heaven, onde ninguém pega ninguém, e como eles querem mudar esse quadro.

Rights:

  1. The right to be even nerdier.
  2. The right to not leave your house.
  3. The right to not have a significant other and to be a virgin.
  4. The right to not like football or any other sport.
  5. The right to associate with other nerds.
  6. The right to have few friends (or none at all).
  7. The right to have all the nerdy friends that you want.
  8. The right to wear witty t-shirts
  9. The right to not be “in-style.”
  10. The right to be overweight and have poor eyesight.
  11. The right to show off your nerdiness.
  12. The right to make an attempt at being as nerdy as Morgana Summers, and the right to fail. (Topher Stumph came quite close, but he too, failed).
  13. The right to develop serious crushes on Randall Munroe, Shane Carruth & Bo Burnam, as opposed to say… James Franco. (See 11).
  14. The right to carry a Thesaurus with you at all times, as opposed to an iPhone. (See 11)
  15. The right to execute shameless self advertisement via the Wikipedia Geek Pride Day page. (See 11).
  16. The right to falsely assume the surnames Finkleton, Waldman, Stratzer and Krukemeyer.
  17. The right to take over the world.

Responsibilities:

  1. Be a nerd, no matter what.
  2. Try and be nerdier than anyone else.
  3. If there is a discussion about something nerdy, you must give your opinion.
  4. Save any and all nerdy things you have.
  5. Do everything you can to show off your nerdy stuff as though it were a “museum of nerdiness.”
  6. Don’t be a generalized nerd. You must specialize in something.
  7. Attend every nerdy movie on opening night and buy every nerdy book before anyone else.
  8. Wait in line on every opening night. If you can go in costume or at least with a related t-shirt, all the better.
  9. Don’t waste your time on anything not related to nerddom.
  10. Befriend any person or persons bearing any physical similarities to comic book or sci-fi figures.
  11. Try to take over the world!


(brigada ao June pelo link GENIAL)

Review

Posted in quotes da rapeize on 24 de maio de 2009 by mari messias

Southpaw diz:
vamos aguardar as fotos
Southpaw diz:
bateu em alguem ?
Southpaw diz:
hahahahaha
mari diz:
não, mas deveria

Dança das Cabaças – Exu no Brasil

Posted in degredo no olimpo, idéia não tem dono on 23 de maio de 2009 by mari messias

I <3 Exu y tu? Opa, esqueci de dizer que o link doi indicação do Gasparetti.
http://dancadascabacas.blogspot.com/

Semana Internacional do Zizek

Posted in idéia não tem dono on 21 de maio de 2009 by mari messias

“Não penso como Zizek mesmo!”

Caetano Veloso

Decidi que essa semana vou me dedicar mais que nunca a apresentar meus leitores ao Zizek (num esquema amigo imaginário),  pra criar uma euforia nos superbacanas pelos cartões de dia dos namorados, que são um plano meu e do Marx desde março. Vai ter muita frase deslocada, coisa bonita de se ver. Incluindo muito Zizek. Pra começar essa semana, qual frase poderia ser melhor que essaí? Digale. No hay. Foi enviada pela Obregon, pode ser lida aqui, perdendo a graça, em contexto. Próximo post explicaremos pra Caê o lance do café descafeinado.

Sê bem-vindo ao deserto do Real

Posted in idéia não tem dono on 20 de maio de 2009 by mari messias

A verdadeira paixão do século XX por penetrar a Coisa Real (em última instância o Vazio destrutivo) através de uma teia de semelhanças que constitui a nossa realidade culminou assim na emoção do Real como “efeito” último, buscando nos efeitos especiais digitais, nos reality shows da TV e na pornografia amadora, até chegar aos snuff movies. Esses filmes, que oferecem a verdade nua e crua, são talvez a verdade última da Realidade Virtual. Existe uma ligação íntima entre a virtualização da realidade e a emergência de uma dor física infinita e ilimitada, muito mais forte que a dor comum: a biogenética e a Realidade Virtual combinadas não abrem possibilidades novas e ampliadas de tortura, os horizontes novos e desconhecidos de extensão de nossa capacidade de suportar a dor (por meio da ampliação de nossa capacidade sensorial, por meio da invenção de novas formas de inflingi-la)? Talvez a imagem sádica definitiva, de uma vítima que não morra de tortura, que possa suportar uma dor infindável sem a opção da fuga para a morte, esteja também à espera para se tornar realidade.

Zizek

(esse livro ta detonando a meloa, aguardem, prometo dividir vááários trechos mais. hoje ia colocar um muito divertido, mas como isso teve relação com algo que estava lidando, coloquei esse. mas aguardão, sentão no desertinho do Real e aguardão)

É muito difícil ficar adulto

Posted in idéia não tem dono on 20 de maio de 2009 by mari messias

São Paulo, 12 de agosto de 1987.

Querida mãe, querido pai,
Não sei mais conviver com as pessoas. Tenho medo de uma casa cheia de pais e mães e irmãos e sobrinhos e cunhados e cunhadas. Tenho vivido tão só durante tantos – quase 40 – anos. Devo estar acostumado.

Dormir 24 horas foi a maneira mais delicada que encontrei de não perturbar o equilíbrio de vocês – que é muito delicado. E também de não perturbar o meu próprio equilíbrio – que é tão ou mais delicado.
Estou me transformando aos poucos num ser humano meio viciado em solidão. E que só sabe escrever. Não sei mais falar, abraçar, dar beijos, dizer coisas aparentemente simples como “eu gosto de você”. Gosto de mim. Acho que é o destino dos escritores. E tenho pensado que, mais do que qualquer outra coisa, sou um escritor. Uma pessoa que escreve sobre a vida – como quem olha de uma janela – mas não consegue vivê-la.

Amo vocês como quem escreve para uma ficção: sem conseguir dizer nem mostrar isso. O que sobra é o áspero do gesto, a secura da palavra. Por trás disso, há muito amor. Amor louco – todas as pessoas são loucas, inclusive nós; amor encabulado – nós, da fronteira com a Argentina, somos especialmente encabulados. Mas amor de verdade. Perdoem o silêncio, o sono, a rispidez, a solidão. Está ficando tarde, e eu tenho medo de ter desaprendido o jeito. É muito difícil ficar adulto.

Amo vocês, seu filho,
Caio.

Eu estou em uma comunidade de Orkut chamada: Autores que tem fãs escrotos, o ícone da negócia é o Caio Fernando Abreu. Lembro de conhecer ele, já no final da vida (dele, não minha, claro), eu uma adolescente bege, ele claramente uma pessoa que tentava ser simpática e transmitir toda a doçura que, claramente tinha, mas imagino o enfado. Na época já imaginava.

Ok, então eu sempre fui contra ler cartas de autores que morreram, menos as do Henry Miller. Explico o motivo. As pessoas quando escrevem, escrevem pra uma única pessoa ler. Contam com o sigilo daquilo, dizem coisas que não diriam normalmente. São o que não seriam senão com aquela pessoa que não somos nós. Eu prezo muito intimidade. Henry Miller não prezava. Ele escrevia todas as cartas com folha carbono e arquivava uma cópia, para a posteridade. Foi daí que surgiu uma comunidade e uma piada da rapaziadinha nos anos 90 que chamava Posteridade na cara.

Então, perdoem a sinceridade extrema dessa carta. Os depressivismos, toda essa coisarada. Relevem. É uma carta e não é pra nós.

Beeeeeeeeijosiliga.