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Asbestos Gelos

Posted in maconha, nadavê véiô, o mundo (essa folia) with tags on 29 de agosto de 2010 by mari messias

Asbestos gelos é uma expressão homérica (usada pelo Homero, não o professor, mas também grande sujeito) que quer dizer risada inextinguível. Dizem os conhecedores da língua hellenica que a raíz do negócio é relacionado com fogo, inextínguivel como o fogo. É uma risada que só os Deuses podem dar. Como os relatos dessa risada que eu li tem relação com o  Hefestão, outro grande sujeito, que trabalhava com forja de metal, pode fazer todo sentido pensar que estejamos fazendo esta relação: fogo, Hefesto. Mas aí, as únicas criaturas que podem dar uma risada inextinguível e continuar a fazer outras coisas, viver sua vida sérios enquanto lá, em outra situação, seguem dando aquela risada, são os deuses, compreende? É assim que eu vejo, e acho bonito pacas.

E se pensarmos que o Arista, outro queridão, falou uma coisa que levamos a ponta de faca até hoje, que só rimos de homens que consideramos inferiores, com defeitos, não os heróis trágicos ou épicos, é massa pensar que Hefesto era um deus coxo que fazia rir. E deve ser por isso que ele casou com a mais gata das gatas, Afrodite, a deusa amante das risadas.

Pra falar a verdade, não sei como as coisas começam. E sendo sincera mesmo, esse negócio muito impreciso e não me causa nenhum furor. Mas eu sei que em todos os momentos que consigo lembrar (pq li sobre, já que não tenho Delorean) o homem esteve atado ao senso de humor. Professor Propp mesmo disse que a “comicidade costuma estar associada ao desnudamento de defeitos, manifestos ou secretos” e o Doutor Verena disse que rir é “uma forma específica de conhecimento do social e de leitura da opressão” ou ainda de “de relaxar ante as restrições da vida cotidiana”.

Então quando pensamos nesse mundo que vivemos agora, onde adoramos nos gabar do incrível acesso a informação que temos, aprovar essa mini reforma que proíbe o senso de humor político é ir contra Afrodite. E isso eu não posso suportar.

Quando twittei que Manuela D´avila foi responsável por uma parte dessa reforma, o twitter oficial da candidata me enviou o link da resposta da mesma, onde ela dizia que, entre outras:

SOU CONTRA QUALQUER TIPO DE CENSURA, INCLUSIVE A CENSURA DO HUMOR NA TV, e minha emenda garante a liberdade dos internautas.

ASSIM, em caps. Mas aí, ali no link dela nem tinha o texto da emenda, pelo UOL achei, onde tu pode ler que “é vedada utilização e veiculação de trucagem, montagem ou outro recurso de áudio ou vídeo que, de qualquer forma, degradem ou ridicularizem candidato, partido ou coligação.”, mas nos sites de candidatos e partidos. O que inviabilizaria o motto eleitoral da mesma, que era “E aí, beleza?”, mas massa. Ela também propõe proibição de qualquer propaganda online paga.

Então o grande horror surge com o Flávio Dino do PC do B do Maranhão (claro), que ampliou essa coisa aí de cima “é vedada utilização e veiculação de trucagem, montagem ou outro recurso de áudio ou vídeo que, de qualquer forma, degradem ou ridicularizem candidato, partido ou coligação.” Pra qualquer situação, incluindo televisão, programas humorísticos, auto-tune, sua mãe, o Damião, enfim.

Daí tem uma dona lá que argumenta sobre o lance de evitar favorecimento pela opinião pública. Ok, do básico.

Mas, né, todo mundo pode falar o que quiser, contanto que seja o que eu quiser. Por isso é importante manter o bom senso, o de humor. Já que ele só ocorre quando existe uma platéia. Esqueci quem, mas tem um teórico que diz isso. Enfim, é como quando eu conto uma piada e tu não ri, não quer dizer que ela não tenha graça. Se eu falei é pq achei engraçada, quer dizer que ela não tem graça pra ti, pq não te toca, e isso é a moral do humor. A troca desses dois níveis. Neste sentido, não existe vitimizar um público, lobotomizar o povo pelo senso de humor, a menos que ele seja tocado pelos problemas relatados pelo humorista, ele não vai rir.

Enfim, é como diria o velho misógino Schopenhauer, nossa vida, de longe, tem cara de comédia. E políticos escolhem ser vistos de longe por muita gente, aquelas pessoas que pagam o salário deles. Então, atura o parabéns, bro.

[provando total desrespeito com a mini reforma do Dinão, eis um apanhado do horário político]