Arquivo para JUST F* TURN HER

Aristotelicamente sua

Posted in idéia não tem dono, maconha, rubens ewald tchora with tags on 3 de dezembro de 2009 by mari messias

Podemos ver aqui como a proibição fundamental, longe de funcionar de modo meramente negativo, é responsável pela sexualização excessiva dos acontecimentos mais vulgares dos cotidiano. Tudo que faz a pobre heroína esfomeada, desde andar na rua até ter uma refeição, é transubstanciado na expressão do desejo de dormir com seu homem. E nos damos conta de como o funcionamento dessa proibição fundamental é absolutamente perverso, na medida em que é pego inevitavelmente no movimento reflexo pelo qual a defesa contra o conteúdo sexual proibido gera um movimento reflexo que tudo impregna. O papel da censura é muito mais ambíguo do que pode parecer. (…) De fato, não estaríamos afirmando que, quanto mais severa for a censura direta, mais subversivos serão os produtos gerados por ela de forma involuntária?

Zizek, Lacrimae Rerum

Aristóteles, e nem me darei ao trabalho de citar literalmente que a galere deve tar ligs, fala lá na Poética sobre a importância de subentender, não mostrar tudo, em alguns momentos (ou, de como matei meus filhos na coxia). Aí em cima Zizek está falando de um código similar, o Código Hays (1930-1967), versão Hollywoodiana e, portanto de caráter extremamente sexualizado do “código de conduta moral aristotélica”.

Tipo assim, lembro como se fosse nos anos 90 do Ewan McGregor falando sobre a censura no lançamento do Trainspotting nos US. Ele dizia algo como: “Você pode sacanear os seus amigos e se matar com heroína mas nunca, NUNCA MESMO, aproveite sexo.”

Bom, com tanta ênfase, eu poderia encerrar por aqui e dizer: isso foi minha reflexão sobre Crepúsculo e Lua Nova (muita coisa boa nesse link), mas vou tentar falar mais algumas das miledouze coisas que pensei nas duas últimas semanas sobre A SAGA.

Alias, nada pode definir melhor dois filmes que possuem apenas um diálogo (-Me transforme em vampiro –Não posso) e muito ensebamento de Ofélia que A SAGA DO ENSEBAMENTO PURPURINADO. Mas isso é sugestão minha. Prozac mudava tudo. Beijs.

O óbvio dos filmes é o caráter sexual, explicitado pelos ápices que sempre ocorrem pelos (únicos) beijos (plenos) de ambos os filmes, que configuram uma cena de quase sexo explícito na doação dos personagens ao ato em si. Mas essa configuração de sexualidade sem sexualidade, cheia de adjacências de significações, antes de ser uma reprodução dos inglórios amores platônicos da adolescência, especialmente tendo em vista que eles são namorados e tem 18 anos, é uma maquete sadomasoquista onde o prazer é gerado pela mimesis do ato que ocorrem nos grandes momentos de sofrimento. Basicamente, fazem sexo com a cabeça e pensam com o corpo.

Mas, enfim, não ficarei me prolongando no óbvio. Nem ironizando os sofrimentos do jovem que certa feita se ejeta da cama onde está com seu broto ou surge em seu quintal, sorumbático. Tampouco falarei que os filmes podem ser resumidos em: Vamos mais devagar, garota. Ou ainda, não direi como fiquei chocada com o fato de absolutamente todos os personagens dos filmes serem mulheres. E também ignorarei a moral de que meninas frígidas controlam o mundo enquanto pisoteiam corações, ou o possível subtexto psicótico.

Vou aproveitar pra falar um pouco do racismo em Lua Nova. Ou vocês acham que nem precisa? Tá bem na cara, né. Aquele papo de autora nunca ter lido nenhum livro de vampiro também não precisa, né?

Taí, bora ler um comentário mais astuto que o meu.

Beijsiliguem

Peguei daqui, indicação do Moxão.

Coloquei umas indicações extras nos comentários. Descobri por qual motivo uma autora parcamente alfabetizada e semi virgem faz sucesso e filmes ruins: pra nos brindar com piadas geniais infinitas. Sidivertem.