A Nora que seu pai pediu

Posted in idéia não tem dono on 6 de novembro de 2012 by mari messias

Anúncios

Feliz aniversário, Keats

Posted in idéia não tem dono on 31 de outubro de 2012 by mari messias

Give me women, wine and snuff
Until I cry out «hold, enough!»
You may do so sans objection
Till the day of resurrection;
For bless my beard they aye shall be
My beloved Trinity.

(não existe poeta desse decanato que se salve, ein. quanto orgulho. e olha que esqueci uns tantos, feito o Dylan Thomas)

Ainda nas comemorações

Posted in idéia não tem dono, poesia visual on 31 de outubro de 2012 by mari messias

(gifeia, gif. wtf)

Em face dos últimos acontecimentos

Posted in idéia não tem dono on 31 de outubro de 2012 by mari messias

Oh! sejamos pornográficos
(docemente pornográficos).
Por que seremos mais castos
que o nosso avô português?

Oh! sejamos navegantes,
bandeirantes e guerreiros
sejamos tudo que quiserem,
sobretudo pornográficos.

A tarde pode ser triste
e as mulheres podem doer
como dói um soco no olho
(pornográficos, pornográficos).

Teus amigos estão sorrindo
de tua última resolução.
Pensavam que o suicídio
fosse a última resolução.
Não compreendem, coitados,
que o melhor é ser pornográfico.

Propõe isso ao teu vizinho,
ao condutor do teu bonde,
a todas as criaturas
que são inúteis e existem,
propõe ao homem de óculos
e à mulher da trouxa de roupa.
Dize a todos: Meus irmãos,
não quereis ser pornográficos?

Hoje o querido Drummond completaria 110 anos de pura sabedoria obscura e pornográfica. Pelo prazer que tem me dado todos os dias da vida, obrigada. Pela surpresa de ser o autor do único poema pop citado por aí sem dificuldade (uma pedra, ai) e pela alegria de dividir o decanato comigo (e com a Ana Guadalupe), TE AMO, PORRA <3

Ode Descontínua e Remota para Flauta e Oboé – De Ariana para Dionísio

Posted in idéia não tem dono on 9 de outubro de 2012 by mari messias

É bom que seja assim, Dionisio, que não venhas.
Voz e vento apenas
Das coisas do lá fora

E sozinha supor
Que se estivesses dentro

Essa voz importante e esse vento
Das ramagens de fora

Eu jamais ouviria. Atento
Meu ouvido escutaria

O sumo do teu canto. Que não venhas, Dionísio.
Porque é melhor sonhar tua rudeza

E sorver reconquista a cada noite
Pensando: amanhã sim, virá.
E o tempo de amanhã será riqueza:
A cada noite, eu Ariana, preparando
Aroma e corpo. E o verso a cada noite
Se fazendo de tua sábia ausência.

Porque tu sabes que é de poesia
Minha vida secreta. Tu sabes, Dionísio,
Que a teu lado te amando,
Antes de ser mulher sou inteira poeta.
E que o teu corpo existe porque o meu
Sempre existiu cantando. Meu corpo, Dionísio,
É que move o grande corpo teu

Ainda que tu me vejas extrema e suplicante
Quando amanhece e me dizes adeus.

A minha Casa é guardiã do meu corpo
E protetora de todas minhas ardências.
E transmuta em palavra
Paixão e veemência

E minha boca se faz fonte de prata
Ainda que eu grite à Casa que só existo
Para sorver a água da tua boca.

A minha Casa, Dionísio, te lamenta
E manda que eu te pergunte assim de frente:
À uma mulher que canta ensolarada
E que é sonora, múltipla, argonauta
Por que recusas amor e permanência?

Porque te amo
Deverias ao menos te deter
Um instante

Como as pessoas fazem
Quando vêem a petúnia
Ou a chuva de granizo.

Porque te amo
Deveria a teus olhos parecer
Uma outra Ariana

Não essa que te louva

A cada verso
Mas outra

Reverso de sua própria placidez
Escudo e crueldade a cada gesto.

Porque te amo, Dionísio,
é que me faço assim tão simultânea
Madura, adolescente

E por isso talvez
Te aborreças de mim.

Hilstinha <3

Midsummer, Tobago

Posted in idéia não tem dono on 24 de setembro de 2012 by mari messias

Broad sun-stoned beaches.

White heat.
A green river.

A bridge,
scorched yellow palms

from the summer-sleeping house
drowsing through August.

Days I have held,
days I have lost,

days that outgrow, like daughters,
my harbouring arms.

Derek Walcott

(me repito nos poetas, chama bom gosto, babaca)

Primavera, essa querida

Posted in idéia não tem dono on 24 de setembro de 2012 by mari messias

Chuva de primavera —
Uma criança
Ensina o gato a dançar.

Issa

(daqui)
(mais do Issa, com o mais belo poema)

Feliz Inverno

Posted in idéia não tem dono on 20 de junho de 2012 by mari messias

Inverno
É tudo o que sinto
Viver
É sucinto

Leminski

Todo por um

Posted in idéia não tem dono on 25 de abril de 2012 by mari messias

A manhã está tão triste
que os poetas românticos de Lisboa
morreram todos com certeza

Santos
Mártires
e Heróis

Que mau tempo estará a fazer no Porto?
Manhã triste, pela certa.

Oxalá que os poetas românticos do Porto
sejam compreensivos a pontos de deixarem
uma nesgazinha de cemitério florido
que é para os poetas românticos de Lisboa não terem de
recorrer à vala comum.

O humor todo lindo do Cesariny.

Emptying Town

Posted in idéia não tem dono on 13 de abril de 2012 by mari messias

Each fall this town empties, leaving me
drained, standing on the dock, waving bye-
bye
, the white handkerchief
stuck in my throat. You know the way Jesus

rips open his shirt
to show us his heart, all flaming & thorny,
the way he points to it. I’m afraid
the way I miss you

will be this obvious. I have

a friend who everyone warns me
is dangerous, he hides
bloody images of Jesus around my house

for me to find when I come home — Jesus
behind the cupboard door, Jesus tucked

into the mirror. He wants to save me
but we disagree from what. My version of hell
is someone ripping open his
shirt & saying,

look what I did for you.

Nick Flinn (conheci aqui)