Arquivo para janeiro, 2009

Ser travesti

Posted in o mundo (essa folia) on 31 de janeiro de 2009 by mari messias

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Hoje eu e Marx, em breve visita ao solar dos Messias, tivemos contato com uma epifania televisiva patrocinada por Glória Perez e Cia em sua igualíssima novela Caminho das Índias.

Veja bem, eu acho novela um saco. Gostaria muito de ter mais paciência para usufruir da mais genuína criação dramaturgica brasileira, mas eu acho um saco MESMO. Nem só pq são sempre os mesmos conflitos, personagens, planos, coisital. Nem só pq demanda que tu disponha de um tempo excessivo da tua vida todos os dias pra ficar parado pagando de otário e achando graça em cabelão de Hebe. Nem só por, enfim. Eu acho um saco. Prefiro quadrinhos.

Mas aí estavamos sentados e um personagem velhinho passava com uma criança por ruas étnicas e o diálogo que reproduzo é mais ou menos o que rolou onde os nomes que usarei para travesti e afins eram nomes étnicos, também. Tudo com muito laranja curry num Darjeeling 1,99 style.

Velho e criança andam pela rua, travesti étnicos dançam, velho se apressa em tirar dinheiro do bolso e dar para travesti.

Criança: Vovô, por qual motivo o senhor deu dinheiro para elas se elas não são doentes ou velhas?

Velho: Menina, elas são TRAVESTIS.

Criança: Oooooooh, elas são homens vestidos de mulher.

Velho: Elas não são nem homem nem mulher, elas são o terceiro sexo. Uma praga lançada por TRAVESTIS é a praga mais potente que existe, por isso nunca devemos negar dinheiro para elas.

Criança olha para velho com admiração. Velho olha para criança como quem sabe do que está falando. Travestis dançam faceiras.

Nos olhamos, gargalhamos e concluímos que algumas sabedorias são universais: FUKÚ (ZAFA)+Alo, travesti.

Ser mudééérno

Posted in idéia não tem dono on 29 de janeiro de 2009 by mari messias

Então na minha mais absoluta falta de compostura eu fui conhecer a FNAC paulista gaúcha no shopping carioca gaúcho e me afundei em livros. Um deles de poemas do jovem Borges que, enfim, minh’alma que mistura sebastianismos confusos com afeições profundas ao cenário geográfico da terra natal e dialetos solitários muito gostou.

E eu vou mesmo colocar um poema aí mais adiante, mas agora acho mais interessante dividir issae, quase como um catuque:

Por volta de 1905 Hermann Bahr decidiu: “O único dever, ser moderno”. Vinte anos depois, eu também me impus essa obrigação totalmente supérflua. Ser moderno é ser contemporâneo, ser atual; todos fatalmente somos. (…) Não há obra que não seja de seu tempo (…)Nada sabemos da literatura de Cartago, que verossimilmente foi rica, só que não podia incluir um livro como o de Flaubert.
Esquecido de que já o era, quis também ser argentino. Incorri na arriscada aquisição de um ou dois dicionários de argentinismos, que me forneceram palavras que hoje mal posso decifrar (…)

Assim se explica Borges no Prólogo de Lua Defronte. Ao longo diz mais, conta como sente que esta cidade, a desse livro, tem algo de “público e ostentoso“, pouco pessoal. Afirma, mesmo, que sente o que está ali como alheio, em suas virtudes e defeitos. Tudo isso bastante tempo depois, em 69, grande ano para as lésbicas.

Mas aí, me privo de conclusães óbvias, pensem lá e eu penso cá.

Beeeeeeeeeeeeeeeeeeeeijo

R.I.P. Hélio Gracie

Posted in o mundo (essa folia) on 29 de janeiro de 2009 by mari messias

O Jiu-Jitsu que criei foi para dar chance aos mais fracos enfrentarem os mais pesados e fortes. E fez tanto sucesso, que resolveram fazer um Jiu-Jitsu de competição. Gostaria de deixar claro que sou a favor da prática esportiva e da preparação técnica de qualquer atleta, seja qual for sua especialidade. Além de boa alimentação, controle sexual e da abstenção de hábitos prejudiciais à saude. O problema consiste na criação de um Jiu-Jitsu competitivo com regras, tempo inadequado e que privilegia os mais treinados, fortes e pesados. O objetivo do Jiu-Jitsu é, principalmente, benificiar os mais fracos, que não tendo dotes físicos são inferiorizados. O meu Jiu-Jitsu é uma arte de autodefesa que não aceita certos regulamentos e tempo determinado. Essas são as razões pelas quais não posso, com minha presença, apoiar espetáculos, cujo efeito retrata um anti Jiu-Jitsu.

O glamour do não efêmero

Posted in idéia não tem dono, maconha, o mundo (essa folia), super internet world on 29 de janeiro de 2009 by mari messias

Tudo passa, claro. Desde pequenos somos confrontados com isso quando pessoas morrem, amigos mudam de colégio, perdemos livros e sites que adoramos deixam de existir. Apesar do Internet Archive.

Não aceitar é uma gafe entre seus amigos budistas e ninguém quer parecer aquele que não aceita a ordem natural do mundo segundo o budismo, tendo em vista que o budismo é a nova maçonaria. Hshshshsh.

Por exemplo, quando eu tinha a idade dos meus novos amigos jovens, a onda da rapeize era a GoreGallery aberta ou ainda um site só de coisas antigas que tinha o Path da mocinha do bem e do rapaz de famiglia e anúncios de cocaína. Ambos mortos agora, os sites.

Mais que mero entretenimento e frugalidade, parte da memória da minha juventude sumiu. E não daquele jeito que eu posso comprar outro livro que perdi. Tampouco daquele jeito bebi demais ou surtei. Daquele jeito não existe mais e eu só posso contar com o recurso memória.  Mas não estamos falando de pessoas, estamos falando de informações que constituem histórias múltiplas, o que torna tudo uma quase esquizofrenia.

Um tempo atrás estavamos no Damask (eu, Cherry, Marcel, Noah e Milton) e debatemos o Youtube enquanto rádio, um costume que eu tenho e que é coisa de jovem, que trata todo o conhecimento disponível como uma coisa que sempre vai estar ali.

A sensação de que os incontáveis sites da internet são, mesmo, fontes  intermináveis e que sempre estarão disponíveis. Conhecimento perene.

Milton, claro, apocalíptico como é, disse que pessoas como ele e Marcel, responsáveis por baixar toda a internet são uma espécie de senhores do conhecimento. Como se existisse um Hades dos arquivos deletados.

E hoje recebo um stumble legal do Mojo sobre mais ou menos isso.

At the exact moment Barack Obama was inaugurated, all traces of President Bush vanished from the White House website, replaced by images of and speeches by his successor. Attached to the website had been a booklet entitled 100 Things Americans May Not Know About the Bush Administration – they may never know them now. When the website changed, the link was broken and the booklet became unavailable.

Com minha mentalidade conspiratória eu acho que alguns conhecimentos somem pq isso é o que se quer deles. Que sumam. Que parem de atormentar. Como Bush (o ex presidente estadunidense, não a Kate). Mas alguns somem simplesmente pq deixam de interessar as estruturas que os mantinham, ainda que façam parte da vida dessas estruturas.

E enquanto a memória-de-vida fica cada vez mais efemera eu penso que quem sabe isso seja o verdadeiro apocalipse.

We are in danger of creating a black hole for future historians and writers.

Parando pra pensar sobre isso me dei conta que eu poderia soar um tanto saudosista e quero deixar claro que não é essa a idéia. Não acho que a história é o grande bastião da vida, tampouco. Nem sei se o mundo dura o suficiente pra sentir falta dessas coisas (e lendo Wao descobri o cliché nerd que é ser apocaliptica). Mas convém ponderar, ponderar sempre é útil, sabe lá o que se apresenta no por vir.

Como diz no Wao: Não se preocupe, seus filhos também não vão saber que os US invadiram o Iraque.

FUKÚ (zafa)*

Posted in quotes da rapeize on 28 de janeiro de 2009 by mari messias

mari diz:
velho, que livro
Eduardo diz:
não me conta
Eduardo diz:
se tu me contar eu passo os dedos no teu livro
Eduardo diz:
e ESPIRRO EM CIMA

*I’m old school like that, moreno.

Novo garoto propaganda

Posted in poesia visual, reações adversas on 28 de janeiro de 2009 by mari messias

snap22

com sal, disse o contra-regra

(2em1)

Atenção, ultra novidade do mondo trash: Siri é o novo Brando. Nem queira saber. Acredite.

L’amour, essa folia

Posted in idéia não tem dono on 27 de janeiro de 2009 by mari messias

Esquecer uma mulher inteligente custa um número incalculável de mulheres estúpidas.

Lobo Antunes, que vem pra FLIP desse ano

Um Adeus Português

Posted in idéia não tem dono on 22 de janeiro de 2009 by mari messias

Daí que eu coloquei logo abaixo um poeminha pequeno do Cesariny que muy me agrada e pensei: pobre O’neill, injustamente sempre na sombra do Cesariny. Sim, eu penso que injustamente. Pra mim foram os dois no mesmo nível, igualmente, expoentes e genios do surrealismo portugues.

Enquanto o Cesariny tem poemas geniais, brutais, cortantes, o O’neill vai por outro lado, mais português bucólico. As vezes ele chega a ser cafona, mesmo, mas quando não é, é de uma delicadeza que nos toca a alma como só um bom poeta consegue.  POETA, PIPOL.

E daí eu pensei ca comiga se colocava aqui meu poema favorito dele ou o hit dele e achei que deveria colocar o hit. Meu poema favorito é sobre Portugal e eu, que nunca estive la mas ja li tanto e tanto que fundei uma imagem de Eldorado gore na mente e de repente aquele sentido e aquele sentimento são interessantes só pra mim, ainda mais pelo momento e tudo.

E esse poema tem uma história tão horrível. Ele, o O’neill tinha esta namorada e ela era inglesa e ele portugues e era a época do salazarismo e eles tentaram os dois ir embora pra Inglaterra (e isso é tão portugues, ainda assim) e ele nunca conseguiu, era salazarismo e ele tinha o passado negro da poesia de guerrilha e tudo mais. E ela não pode mais ficar e eles se separaram. E ele escreveu esse poema e foi um hit, o hit dele.

E o poema não deixa de lado os temas constante dos grupos: crítica política, realidade nacional, individualidade, pequenos e grandes mitos. E lendo sentimos o sufocamento.

Mesma coisa que com Drummond: esqueçamos o mundo. Inspira, expira:

Um Adeus Português

Nos teus olhos altamente perigosos
vigora ainda o mais rigoroso amor
a luz dos ombros pura e a sombra
duma angústia já purificada

Não tu não podias ficar presa comigo
à roda em que apodreço
apodrecemos
a esta pata ensangüentada que vacila
quase medita
e avança mugindo pelo túnel
de uma velha dor

Não podias ficar nesta cadeira
onde passo o dia burocrático
o dia-a-dia da miséria
que sobe aos olhos vem às mãos
aos sorrisos
ao amor mal soletrado
à estupidez ao desespero sem boca
ao medo perfilado
à alegria sonâmbula à vírgula maníaca
do modo funcionário de viver

Não podias ficar nesta casa comigo
em trânsito mortal até ao dia sórdido
canino
policial
até ao dia que não vem da promessa
puríssima da madrugada
mas da miséria de uma noite gerada
por um dia igual

Não podias ficar presa comigo
à pequena dor que cada um de nós
traz docemente pela mão
a esta pequena dor à portuguesa
tão mansa quase vegetal

Mas tu não mereces esta cidade não mereces
esta roda de náusea em que giramos
até à idiotia
esta pequena morte
e o seu minucioso e porco ritual
esta nossa razão absurda de ser

Não tu és da cidade aventureira
da cidade onde o amor encontra as suas ruas
e o cemitério ardente
da sua morte
tu és da cidade onde vives por um fio
de puro acaso
onde morres ou vives não de asfixia
mas às mãos de uma aventura de um comércio puro
sem a moeda falsa do bem e do mal

Nesta curva tão terna e lancinante
que vai ser que já é o teu desaparecimento
digo-te adeus
e como um adolescente
tropeço de ternura
por ti

Alexandre O’Neill

Rebastecimento

Posted in idéia não tem dono on 22 de janeiro de 2009 by mari messias

Vamos ver o povo
Que lindo é
Vamos ver o povo.
Dá cá o pé.

Vamos ver o povo.
Hop-lá!
Vamos ver o povo.

Já está.

Mário Cesariny

A verdade sobre as escovas de dentes

Posted in quotes da rapeize on 21 de janeiro de 2009 by mari messias

mari diz:
uma escova de dentes nunca é apenas uma escova de dentes
FERNANDES, Paulo diz:
eu, por exemplo, tive uma mina
FERNANDES, Paulo diz:
que eu dei uma escova de dentes
FERNANDES, Paulo diz:
ela vacilava, eu emprestava pra outras
FERNANDES, Paulo diz:
e vê a merda que deu
FERNANDES, Paulo diz:
VEJA
FERNANDES, Paulo diz:
EU NÃO ME ORGULHO DISSO
FERNANDES, Paulo diz:
mas economizei uns reais
Eduardo diz:
eu me orgulharia
mari diz:
EU ME ORGULHO POR TI
mari diz:
tanto, mas tanto
mari diz:
QUE VAI PRO BLOG

mari diz:
com o advento da escova there is no TUA CASA
mari diz:
a TUA CASA é a “nossa casa”
FERNANDES, Paulo diz:
com a invenção da escova de dentes
FERNANDES, Paulo diz:
os contratos humanos mudam de cores
Eduardo diz:
bom
Eduardo diz:
hj ele usou a minha toalha
mari diz:
POR ZEUS
FERNANDES, Paulo diz:
PQP
Eduardo diz:
EU NÃO QUERO QUE ELE SAIA LEVANDO MEUS GAMETAS POR AÍ

Eduardo says:
O CORAÇÃO É O ÚNICO LUGAR ONDE EU NÃO TENHO AMOR

FERNANDES, Paulo diz:
bem, não tenho amor
FERNANDES, Paulo diz:
mas tenho o nytimes
Eduardo diz:
olha
Eduardo diz:
eu preferiria ter o NYTimes
Eduardo diz:
pq AMOR SÓ TRAZ PREJUÍZO
FERNANDES, Paulo diz:
sim
mari diz:
E O NYTIMES NÃO

mari diz:
velho acha que eu sou otária
FERNANDES, Paulo diz:
cara, tu és otária mesmo
(sinceritudeness)

(tem um link semi-secreto aí, se ligão, se ligão)