Arquivo para abril, 2010

Running

Posted in idéia não tem dono, ieieie on 30 de abril de 2010 by mari messias

Because I always feel like running
Not away, because there is no such place
Because, if there was I would have found it by now
Because it’s easier to run,
Easier than staying and finding out you’re the only one… who didn’t run
Because running will be the way your life and mine will be described
As in “the long run”
Or as in having given someone a “run for his money”
Or as in “running out of time”
Because running makes me look like everyone else,
Though I hope there will ever be cause for that
Because I will be running in the other direction,
Not running for cover
Because if I knew where cover was,
I would stay there and never have to run for it
Not running for my life,
Because I have to be running for something of more value
To be running and not in fear
Because the thing I fear cannot be escaped, eluded, avoided,
Hidden from, protected from, gotten away from,
Not without showing the fear as I see it now
Because closer, clearer, no sir, nearer
Because of you and because of that nice
That you quietly, quickly be causing
And because you’re going to see me run soon
And because you’re going to know why I’m running then
You’ll know then
Because I’m not going to tell you now

Gil Scott Heron

Seu nome

Posted in idéia não tem dono on 29 de abril de 2010 by mari messias

Já twittei faz tempo, mas vale, de novo. Do livro Esquimó, do Fabrício Corsaletti, pela Cia das Letras, tou aceitando.

se eu tivesse um bar ele teria o seu nome
se eu tivesse um barco ele teria o seu nome
se eu comprasse uma égua daria a ela o seu nome
minha cadela imaginária tem o seu nome
se eu enlouquecer passarei as tardes repetindo o seu nome
se eu morrer velhinho no suspiro final balbuciarei o seu
[nome
se eu for assassinado com a boca cheia de sangue gritarei o
[seu nome
se encontrarem meu corpo boiando no mar no meu bolso
[haverá um bilhete com o seu nome
se eu me suicidar ao puxar o gatilho pensarei no seu nome
a primeira garota que beijei tinha o seu nome
na sétima série eu tinha duas amigas com o seu nome
antes de você tive três namoradas com o seu nome
na rua há mulheres que parecem ter o seu nome
na locadora que frequento tem uma moça com o seu nome
às vezes as nuvens quase formam o seu nome
olhando as estrelas é sempre possível desenhar o seu nome
o último verso do famoso poema de Éluard poderia muito
[bem ser o seu nome
Apollinaire escreveu poemas a Lou porque na loucura da
[guerra não conseguia lembrar o seu nome
não entendo por que Chico Buarque não compôs uma
[música para o seu nome
se eu fosse um travesti usaria o seu nome
se um dia eu mudar de sexo adotarei o seu nome

minha mãe me contou que se eu tivesse nascido menina
[teria o seu nome
se eu tiver uma filha ela terá o seu nome
minha senha do e-mail já foi o seu nome
minha senha do banco é uma variação do seu nome
tenho pena dos seus filhos porque em geral dizem “mãe”
[em vez do seu nome
tenho pena dos seus pais porque em geral dizem “filha” em
[vez do seu nome
tenho muita pena dos seus ex-maridos porque associam o
[termo ex-mulher ao seu nome
tenho inveja do oficial de registro que datilografou pela
[primeira vez o seu nome
quando fico bêbado falo muito o seu nome
quando estou sóbrio me controlo para não falar demais o
[seu nome
é difícil falar de você sem mencionar o seu nome
uma vez sonhei que tudo no mundo tinha o seu nome
coelho tinha o seu nome
xícara tinha o seu nome
teleférico tinha o seu nome
no índice onomástico da minha biografia haverá milhares
[de ocorrências do seu nome
na foto de Korda para onde olha o Che senão para o
[infinito do seu nome?
algumas professoras da USP seriam menos amargas se
[tivessem o seu nome
detesto trabalho porque me impede de me concentrar no
[seu nome
cabala é uma palavra linda mas não chega aos pés do seu
[nome

no cabo da minha bengala gravarei o seu nome
não posso ser niilista enquanto existir o seu nome
não posso ser anarquista se isso implicar a degradação do
seu nome
não posso ser comunista se tiver que compartilhar o seu
[nome
não posso ser fascista se não quero impor a outros o seu
[nome
não posso ser capitalista se não desejo nada além do seu
[nome
quando saí da casa dos meus pais fui atrás do seu nome
morei três anos num bairro que tinha o seu nome
espero nunca deixar de te amar para não esquecer o seu
[nome
espero que você nunca me deixe para eu não ser obrigado a
[esquecer o seu nome
espero nunca te odiar para não ter que odiar o seu nome
espero que você nunca me odeie para eu não ficar arrasado
ao ouvir o seu nome
a literatura não me interessa tanto quanto o seu nome
quando a poesia é boa é como o seu nome
quando a poesia é ruim tem algo do seu nome
estou cansado da vida mas isso não tem nada a ver com o
[seu nome
estou escrevendo o quinquagésimo oitavo verso sobre o seu
[nome
talvez eu não seja um poeta à altura do seu nome
por via das dúvidas vou acabar o poema sem dizer
[explicitamente o seu nome”

O.o

Posted in quotes da rapeize on 28 de abril de 2010 by mari messias
Juliano Dornelles. diz:
pq eu tenho uma ARMA SECRETA.
mari diz:
NÃO DIZ TUA SEXUALIDADE
Juliano Dornelles. diz:
minha sexualidade.
mari diz:
eu tenho uma arma secreta pro sofrimento da cegueira temporaria
se chama ver inter se dar mal na libertadores
Juliano Dornelles. diz:
hsdkjhdajhsakhsa
“se chama ver”
?
acho que vou te comprar um radinho de pilha.
já deixo sintonizado na gaucha pra ti.
ou um cão cíclope, que é tipo um cão guia, pra quem é cega de um olho só.
vou anotar na tua wishlist.
quando teu aniversário chegar.

Acquainted with the Night

Posted in idéia não tem dono on 25 de abril de 2010 by mari messias

I have been one acquainted with the night.
I have walked out in rain—and back in rain.
I have outwalked the furthest city light.

I have looked down the saddest city lane.
I have passed by the watchman on his beat
And dropped my eyes, unwilling to explain.

I have stood still and stopped the sound of feet
When far away an interrupted cry
Came over houses from another street,

But not to call me back or say good-by;
And further still at an unearthly height
One luminary clock against the sky

Proclaimed the time was neither wrong nor right.
I have been one acquainted with the night.

Robert Frost

“]”]

Frost em momento descontraído e bem medicado, com Lulu (ou Totó, ou algo do tipo)

Sugestão para o Ministério da Saúde

Posted in poesia visual, reações adversas on 19 de abril de 2010 by mari messias

idslexia

Posted in quotes da rapeize on 13 de abril de 2010 by mari messias
mari diz:
proxima camiseta que farei
será super sucesso
DWA
Chini diz:
HAHAHAHA
ia sugerir fazer em 3
mas ATTITUDE DESKERS WITH será o resutado
mari diz:
HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAA
Chini diz:
AT   T
IT U D  D
E
mari diz:
cara
podemos fazer uns braceletes com virgulas
ATTITUDE [BRACELETE DE VIRGULA] DESKERS  [BRACELETE DE VIRGULA] WITH  [BRACELETE DE VIRGULA]

Homem que não vive da glória do passado

Posted in degredo no olimpo, deveras pessoais, idéia não tem dono, maconha on 13 de abril de 2010 by mari messias

There’s always some post-modernist twist, you bitch!

Gogol Bordello

Uns anos atrás eu voltei pra casa MALUCA com a possível confirmação de que todas as interações humanas fossem encenadas. Sim, eu sou uma ingênua. Isso surgiu de uma conversa com minha então professora de Literatura Oral, Tettamanzy, e me arrebatou pq coincidiu com o que veio a ser só o começo de uma graaaande maconha minha sobre quem somos, como somos percebidos socialmente e os nuances ficcionais de todos os relacionamentos humanos.

Como eu tenho um amigo queridíssimo do meu coração que estava fazendo mestrado “em performance”, fui implorar uns conselhos. E, como sempre, ficamos horas pirando o cabeção mutuamente. Mas neste dia ele me falou de um negócio que chama twice-behaved behavior, que falaria da repetição de comportamento, ie, um comportamento que nunca aconteceria pela primeira vez. Logo, ele seria encenado, nunca espontâneo, sacou? E isso seria arte, performance. Mas isso também é vida, concluiu o sujeito lá do negócio que fui ler depois que meu amigo me falou isso. Ou ainda, ouso dizer, isso é mais vida que arte, como acabamos notando se vemos uma peça de teatro duas vezes ou pensamos nos shows do Monk ou em qualquer show que valha a pena.

Claro, pra essas coisas não serem só um amontoado de WTFs, chegamos no que o Cummings chamou de ser “obsessed by Making”. Que estou para conhecer alguém que seja bom em qualquer coisa [incluindo na vida] e não passe por issae. Mas, né, também disse o supracitado: “This may sound easy. It isn’t.”

Pra mim, as boas obras de arte ao vivo são aquelas que não se fazem sempre exatamente iguais, pra isso temos CDs e filmes. Ao vivo alguns de nós esperam mais. Ao menos da arte, já que normalmente não esperamos mais da vida, que deprê, né?

Não nos sentimos nem um pouco babacas ir nos mesmos lugares, semana após semana, ouvindo as mesmas coisas, falando as mesmas coisas, simulando a mesma novidade. Pelo contrário, sentimos um certo conforto nisso. E deve ser por este mesmo motivo que alguns de nós ainda ficam desconfortáveis quando o guitarrista não faz o solo que sabem inteiro e planejaram toda a semana reproduzir [com a boca].

E é por não sermos exatamente iguais que nem todos concordamos que este seja o papel da arte na nossa vida. Nem da auto-reprodução perfeita, nem da linearidade, nem da previsibilidade, nem do afago, nem da seriedade sorumbática e aristotélica. Não que eu não ame o Arista, queridão. Mas, né, tumba do canône é tão 90s, amigo.

Sobre isso, disse ali o Kafka:

“Se o livro que estamos lendo não nos acordar com uma pancada na cabeça, para que o estamos lendo? Precisamos de livros que nos afetem como um desastre, que nos angustiem profundamente, como a morte de alguém que amamos mais do que a nós mesmos, como ser banidos para florestas distantes de todos, como um suicídio. Um livro tem que ser o machado para o mar congelado dentro de nós.”

Então eu decidi escrever isto voltando de uma viagem, lendo Eagleton falar sobre o fim do desespero diante da noção de que a vida não tem significado intrínseco, nem linearidade, que é o que vivem os pós-moderninhos. E o que ele diz me pareceu bastante claramente a síntese da angústia de alguns dos espectadores diante da última peça da Cia Espaço em Branco, que dá nome ao post, Homem que não vive da glória do passado. E que é a peça deles que eu mais gostei, claro, que sou anti-pop-alerta.

Então, como me ensinou meu amigo João Ricardo, a vida imita a performance, mas onde o ego é substituído pelo Making. E aí, bom, não curtir é só um dos resultados possíveis. E tentarei não julgar ninguém por isso, claro:

Postmodernism, by contrast, is not really old enough to recall a time when there was truth, meaning, and reality, and treats such fond delusions with the brusque impatience of youth. There is no point in pining for dephts that never existed. The fact that they seem to have vanished does not mean that life is superficial, since you can only have surfaces if you have dephts to contrast with them. The Meaning of meanings is not a firm foundation but an oppressive illusion. To live without the need for such guarantees is to be free. You can argue that there were indeed once grand narratives (Marxism, for example) which corresponded to something real, but that we are well rid of them; or you can insist that these narratives were nothing but a chimera all along, so that there was never anything to be lost. Either the world is no longer story-shapped or it never was in the first place.

Até tu, manô?

Posted in ieieie, super internet world on 8 de abril de 2010 by mari messias

Tou devendo dois posts aqui. Não que alguém se importe ou mesmo saiba, mas isso me incomoda. De toda forma, vou começar pelo fim, pelo último que escreveria, já que gastei toda a minha organização antes das quatro da tarde de hoje.

Então, dois dias atrás eu estava ouvindo um cd (sem julgamentos, seus indies) do Gil Scott e daí chegou no clássico abaixo:

E eu voltei meu pensamento para como as coisas mudaram de lá pra cá. Agora nós podemos, sim, ficar em casa, plug in, turn on and cop out e fazer uma revolução, blablabla. Até pq o centro do que ele quis dizer aí não tem relação alguma com qualquer interpretação tacanha deste tipo, ele estava falando, como eu vejo, somente, do negócio de que nada se faz só assimilando.

Por isso nenhuma revolução passaria pela TV, se tu ficasse em casa e simplesmente plug in, turn on e cop out. E isso tudo são idéias tão distantes que eu noto meu cérebro mal sendo capaz de entender que qualquer meio me obrigue a simplesmente assimilar, se eu quiser que ele seja revolucionário. Pro meu fucked up brain a forma revolucionária é qualquer forma empregada para este fim. Mas isto pq a minha cabeça agora, pós tudo, praticamente ignora qualquer modalidade de texto onde só ocorra a vinda.

Então, o que se perde com esse leitor que eu sou? Eu me transformei neste leitor por culpa da internet/tecnologia ou por ser eu? O fato de ser  uma leitora compulsiva/opinativa desde sempre influi?

Uma vez li uma defesa que dizia, nem lembro mais de quem era, que os textos fixos nos ensinavam sobre a morte. A incapacidade de alterar o final de um texto nos ensinava sobre perder, sobre destinos irrefutáveis, sobre a vida. E que nós, inseridos neste contexto de finais sem essa fixidez original, desaprendíamos isso e sofríamos mais. Então o autor defendía que um jogo, um texto online, que as modalidades diversas de texto nas quais temos mais poder dentro da cadeia criativa nos tornavam mais infelizes.

O que, se tu parar pra pensar, é meio altruísta. O que se faz em um RW [que é como o Lessig chama os textos onde o leitor pode opinar, os ReadWrite] é participar, trocar, complementar, não necessariamente alterar o final. Mas isso também se faz na vida. Um jogo, o mais próximo de um texto sem final fixo que eu consigo imaginar agora rapidão, ainda assim propõe alternativas fixas, que nem sempre são as que eu, jogador, gostaria. E isso é bem menos que a vida, como eu a vejo, ao menos.

E, digo mais, já alterei lembranças de finais de livros. Mas a ficção e a realidade não tem a mesma função na minha existência. Se tivessem, só precisaria de uma delas.

E Harold Bloom que é HB, ordinário de primeira, escroto maioral, curto ele bagarai, chega e diz que um dos formadores de um bom autor é a angústia da influência, que trocando em miguelão dialet segundo mal me lembro é, marromeno, acabar de ler Os Cantos e dizer: PQP CARALHA TO CEGA, mas acho que faria algumas coisas diferente, possivelmente melhor, tal e tal e tal. E fazer, claro.

E digo isto tudo para comentar comentário do Jack White, que acredita que a internet profana a música. A tumba do cânone, meu amigo, é tão 90s. Profanar é o nome que tu dá ao que eu vejo como uma nova maneira de vender se formando, uma maneira menos centralizada e uma maneira mais angustiada. Não melhor, não pior, nova. Daí ele paga de Lily Allen e diz ainda, sobre A INTERNET:

“Of course, after reading about three words of someone’s comment at the bottom of an article I turn off”

Não tolerar os outros é a onda do verão, né? Bom, mas tudo começou com aquele papinho de igualdade como pretexto pra justiça. Logo o JW, maior pose de diferentão e não consegue sobreviver a comentários. Po, esperava mais. Sério, mesmo.

Mas vá, cada um faça o que quiser. E isso que defendo isso aqui, fazendo o que quero. Isso, claro, respeitando as regrinhas da sociedade que são: não virar o Bono. Desde já obrigada.

Celebrando isso, vamos ouvir com muito respeito um WS: