Arquivo para fevereiro, 2009

Hino Homérico XXVIII

Posted in degredo no olimpo, idéia não tem dono on 28 de fevereiro de 2009 by mari messias

Palas Atena, ilustre deusa começo a cantar,
a de olhos brilhantes, de muitos conselhos, de inexorável coração,
virgem temível, protetora de cidades, poderosa
Tritônia, a quem o próprio Zeus, próvido, gerou sozinho
da sacra cabeça, a portar áureas guerreiras armas,
e brilhantes. A todos os deuses veneração tomou,
que a viram diante de Zeus, que porta a égide,
saltar-lhe da imortal cabeça vibrando a lança aguda.
O próprio Olimpo tremeu sob o ímpeto grave da Olhos-brilhantes,
a terra em torno ressoou e o oceano em purpúreas ondas agitado
conturbou-se e súbito o mar salino estancou. Deteve
por longo tempo o preclaro filho de Hiperião
os celerípedes corcéis, até que, menina, as armas despiu
divinas dos ombros imortais
Palas Atena e riu Zeus próvido.
E, salve, filha de Júpiter, o que porta a égide,
de ti eu me lembrarei em outra canção.

(Tradução de João Angelo Oliva Neto)

(indiscutível: Athena, a de olhos brilhantes, a temível, tem a melhor adjetivação possível <3. não sei por qual motivo não fazemos isso, mas deveríamos nos referir uns aos outros assim: adjetivo&genealogia)

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Holy Site

Posted in quotes da rapeize on 26 de fevereiro de 2009 by mari messias

Mari: Daí no negócio eles perguntam a religião, achei isso super forma de constranger. Até pq, enfim, eu não sei minha religião.

Marx: Mente. Se tu mentir que é católica é mais fácil de provar que qualquer outra religião. É só não fazer nada. E se te perguntarem qualquer coisa tu diz: “estou questionando minha própria fé”, que católico adora fazer isso.

Mari is now Católica.

Amor nos tempos do torrent

Posted in quotes da rapeize on 26 de fevereiro de 2009 by mari messias

Ciscai diz:
já tô baixando o disco
Ciscai diz:
comigo é assim
Ciscai diz:
gostei já cometo um crime

Dividir para somar

Posted in idéia não tem dono, o mundo (essa folia), super internet world on 26 de fevereiro de 2009 by mari messias

snap22

Muitas coisas mudam nossa vida ao longo dos anos. Músicas, filmes, livros, pessoas, etc. Mas nada mudou nossa vida como a internet. A internet é a nova pólvora e isso diz muito sobre nós. E eu não acho que devemos nunca nos esquecer disso.

A internet mudou tanto nossa vida por nos linkar com todas essas coisas aí de cima, mas mais que isso, ela mudou minha vida pq é o meu domínio anárquico no mundo.

Por essas e por outras o julgamento do Pirate Bay (o novo Napster) tem causado fervor nas pessoinhas que usam torrent, ie, todos que respiram.

Esse tipo de coisa, até então sinônimo de americanismo tacanho, sempre nos deixa em chamas pq sabemos que idéias e comportamentos assim não cabem mais no mundo. E as indústrias afetadas devem se adaptar ao seu público, não tentar queimar na fogueira os sinais de mudança, eles não vão embora.

Um levante virtual pode, muito facilmente, se transformar em um levante real. Falem mal de mim, mas não toquem na minha internet.  Quem acha isso besteira não lembra de carreiras enterradas poraí: Metallica, Cicarelli e muitos outros que sequer consigo lembrar o nome de tão losers que são.

As tentativas bem sucedidas de se adequar ao novo-mundo, antes coisa-de-indie, agora são coisa-até-de-Madonna.

Os artistas tem direito ao direito autoral, podem dizer alguns. Mas se o mercado não estivesse vivendo em moldes insatisfatórios o público não buscaria alternativas. Básico e simples, eu acho. No começo do Napster rolava uma campanha brasileira assim: Baixe o preço que nós voltamos a comprar cds. Não baixaram, agora ja era. Hshshshs.

Especialmente no Brasil, onde um CD custa 40 reais, a carteira da estudante da desconto de 10% nos filmes (em finais de semana e feriados em Porto Alegre) que custam 15 reais, e o salário mínimo é o que? 400 pila? Claro que toda a mudança de comportamento global não veio só do custoXbenefício, veio também de as coisas, o mundo, nós, andarmos pra frente (quase sempre, ao menos).

Por isso eu sugiro que todos os afetados (ie, todos) participem lá da campanha de apoio ao Pirate Bay. Acho uma campanha muito esperta. E acho digno o levante virtual. Se comprometer é o hit do verão (sim, participei).

snap3

P.S: Sim, eu acredito e defendo net neutrality como uma coisa MUITO SÉRIA MESMO. Meu mundo nos moldes que eu vivo e aprecio depende disso.

O carnaval (essa folia)

Posted in idéia não tem dono on 24 de fevereiro de 2009 by mari messias

Danse Russe

If I when my wife is sleeping
and the baby and Kathleen
are sleeping
and the sun is a flame-white disc
in silken mists
above shining trees,–
if I in my north room
dance naked, grotesquely
before my mirror
waving my shirt round my head
and singing softly to myself:
“I am lonely, lonely.
I was born to be lonely,
I am best so!”
If I admire my arms, my face,
my shoulders, flanks, buttocks
again the yellow drawn shades,–

Who shall say I am not
the happy genius of my household?

William Carlos Williams

Know your limits

Posted in idéia não tem dono, nadavê véiô on 21 de fevereiro de 2009 by mari messias

(roubei da Cherry, o que me faz sentir um tanto CNN macabra <-redun?)

Juno

Posted in deveras pessoais, idéia não tem dono, o mundo (essa folia), rubens ewald tchora on 20 de fevereiro de 2009 by mari messias

Eu nunca quis ver Juno, mas como decidi passar o carnaval isolada em uma ilha de conforto e ventos suaves, no lugar de cair na farra e simular que estamos em 2012, e esta era a única coisa não grotesca na TV então eu vi.

Eu sempre achei que o filme fosse uma merda. Primeiro, Juno é coisa de romano. Os valerosos sabem que o correto seria que ele se chamasse Hera, a verdadeira e única, a senhora com de olhos de novilha. Segundo pq, fala sério, eu sou roteirista e já fui stripper é mais hype que eu posso suportar.

Mas aí eu me lembro que “Feliz quem pode com amor e ébria alegria/Saudar-lhe o acaso mais glorioso que um sonho”.

Pode ter relação com minha experiência neardeath esses dias, pode ter relação com o momento mundial de gerar escorpianos, pode ter relação com o momento amor entre freaks (coisa que Mox considera preconceituosa), pode ter relação com encontrar minha verdade deste momento.

Todas as últimas comédias românticas que eu vi, incluindo a promessa Zack e Miri e a surpresa Run, fatboy, run, soaram uma merda cheia de moral. Vicky Cristina Barcelona é uma paródia romântica, então sendo fiel ao conceito original, Juno está bem. E isso me irrita, admito, mas é a vida.

Não me engano, moral é o que faz dos filmes comédias românticas. Logo no começo, ela não faz um aborto. E mesmo que isso seja apresentao de forma compassiva e cheia de trololós, é uma moralita.

Mas eu gostei. E Cherry certamente me esfregara isso na cara e Marx vomitará como a repossuída.

Mas, ei, depois da minha experiência alguns dias atrás eu me sinto renovada e gostaria de citar uma coisa que não cito faz tempo, mas devia ser um REMEMBERFORÉVIS:

Você deve sentir! É lindo sentir!

(leia inteiro aqui na tradução da Cherry)

P.S: Napoleon Dynamite nem se compara, pelamor, continua sendo uma obra-prima do cinema-fake-indie-jovem-americano. Nenhum outro filme apresentou a vida com tanto tédio e danças encriveus e bifes na cara como ele.

Brincando

Posted in idéia não tem dono, nadavê véiô, o mundo (essa folia), quer que desenhe? on 17 de fevereiro de 2009 by mari messias

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Fabre amada acaba de me mandar um coisa super divertida pra fazer no carnaval: brincar de vestir a Cathy e o Heath. O único adendo é que Heath está rosado nos desenhos e todos sabem que a história ocorre assim: uma menina ganha um cigano de presente; um cigano não ganha uma menina de presente. Então, comprando giz de cera pra colorir o Heath não consigo pensar em nada melhor pra fazer.

Talvez simular um ataque de skinheads ao tentar explicar para a família pq não voltou grávida de Salvador? Nah, quem faria uma coisassim?

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(imagem de djênio desconhecido, enviada por Paulo)

Robert Frost

Posted in idéia não tem dono, poesia visual on 17 de fevereiro de 2009 by mari messias

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Robert Frost poderia tomar para si o título de FML, ie, Frost My Life. Mas ele conseguiu fazer pior: virar um dos meus poetas favoritos.

FML: O pai do Frost morreu quando ele tinha 11 anos e deixou a família com 8 pila no bolso. Uns 15 anos depois a mãe morreu de câncer. Além disso, A DOENÇA: filho de mãe depressiva e sem acesso ao incrível mundo da genética, Frost, também um depressivo, casou com uma terceira depressiva e teve seis filhos (depressivos, claro). Um morreu de cólera, um se matou, um morreu internado no hospício, um morreu logo depois de nascer, enfim, FML.

Bloom, que hoje eu Marx descobrimos nadar em uma piscina de maionese criando Teoria Literária, tem um micro capítulo do seu livro Xênio falando do bonito. E ele cita duas afirmativas em especial, ambas feitas pelo Frost. A primeira é de que “o poema é uma resistência temporária à confusão”, que me deixou singelamente tocada.

E a outra falando da preocupação criadoira do poeta: “toda poesia afirma algo e subentende o resto. Então, por que fazer afirmações com poesia? Por que não fazer com que ela se limite a subentender?”

Então o Bloom fala (e tirei os trechos mais piscina-style) o que pensa de Frost:

“Emerson e Frost compartilham da solidão norte-americana, a noção de que só podem se sentir livres se estiverem sozinhos.*

(…)

Frost foi um dos gênio da ironia especialmente soturna, caracterizada nem tanto pela afirmação de algo cujo verdadeiro significado difira do sentido mais óbvio, mas pela acepção que bate e volta, descontruindo o sentido primeiro. Quanto autoconhecimento somos capazes de suportar? Frost concebeu a pergunta após refletir sobre Shakespeare, mas, em Frost, a questão assume um personalismo ferrenho, quase intolerável, seja por ele ou pelo leitor atento”

* tão WCW isso, ein

Então aí vai o hit do verão, outros podem ser lidos aqui. Ironia, sugere Marx, diante da minha exclamação: isso é auto-ajuda!

The Road Not Taken

Two roads diverged in a yellow wood,
And sorry I could not travel both
And be one traveler, long I stood
And looked down one as far as I could
To where it bent in the undergrowth;

Then took the other, as just as fair,
And having perhaps the better claim,
Because it was grassy and wanted wear;
Though as for that the passing there
Had worn them really about the same,

And both that morning equally lay
In leaves no step had trodden black.
Oh, I kept the first for another day!
Yet knowing how way leads on to way,
I doubted if I should ever come back.

I shall be telling this with a sigh
Somewhere ages and ages hence:
Two roads diverged in a wood, and I–
I took the one less traveled by,
And that has made all the difference.

Dandysmo

Posted in quotes da rapeize on 17 de fevereiro de 2009 by mari messias
(o nome do casaco é Hemingway)

(o nome do casaco é Hemingway e ele custa 145 libras, sounds like amour pra mim, morena)

FERNANDES, Paulo diz:
DANDY EXPLICANDO O AMOR:
“O amor, é como uma loja da Merc: você olha de fora e diz “LINDO!”, mas quando entra fica se perguntando se vai dar 35 pounds num casaquinho xadrez que nem te parece lá essas coisas”