Arquivo de abril, 2008

Pyratas

Posted in poemetos on 30 de abril de 2008 by mari messias

(Em homenagem ao momento saí do armário, curto pornografia, que é um equivalente ao Ronaldo Esper assumindo que é gay, um poeminha putorro. Mais um trecho do meu poema de lendas familiares e pyratas.)

Canto VIII
Do amor embriagado (qual a maldade?)

Tão torta a dama
Admira não fosse donzela
Nem por desespero a queria na cama
Conquanto sua fama de cadela

A cada nova vista
Está o corpo mais nu
Sendo a dama hedonista
Talvez lho ceda o cu

Ao fim de outra jarra
Sossega o conflito
Estando na bandarra
Talvez não seja delito

Eis que tudo esquece
Quando uma pequena mão
Em suas calças desce
E o gosto lho obriga
E a putaria lho apetece

Não conheceu o amor
Com Ana Bela
Não o conheceria jamais
Fosse por escolha dela
Com Ana conheceu o pecado
Degredado em seu cono
Praticou o desavergonhado
Metendo em seu forno
Até ter o pisso esfolado

Orgônio

Posted in deveras pessoais, idéia não tem dono, maconha on 30 de abril de 2008 by mari messias

141213

Eu sempre tive uma paranóia (ok, várias, mas hoje falarei desta. Hshshs). Eu achava que meus pais não tinham me criado dentro de padrões reais e sim dentro de padrões ideais, do que eles esperavam que a sociedade se tornasse depois das mudanças que sempre almejamos que algum dia cheguem. E por isso meu convívio na sociedade real estava danado pra todo sempre.

Claro que esta teoria é meio que um refúgio das minhas responsabilidades pessoais, pq eu tenho dois irmãos e eles vivem de maneira bem diferente de mim e das nossas próprias maneiras estamos todos adequados com a sociedade. Algumas vezes deixamos a desejar, todos deixam, mas nunca chegamos ao ponto de matar o presidente, pro sofrimento alheio. Hehehehhe.

E, enfim, também é obvio que boa parte do que eu sou vem dos meus pais, mas a maior parte vem de mim, de como eu optei por ser e do que eu optei ler. Talvez a opção pela leitura de uma coisa em lugar de outra passe por teorias de sublime e por opções irracionais, mas passa pelo que eu aceitei gostar também. E isso serve pras outras coisas da vida (como no Procura-se Amy Mallrats: “Eu aqui falando de assuntos sérios como quadrinhos e você vem falar de besteiras como amor”).

Então, apesar de sempre rolar um humor sofrido sobre o deslocamento, eu não trocaria ele pelo cabimento. Por mais leve e doce que seja caber. E por mais que eu também ache muito bonito a leveza, prefiro ela nos outros que em mim. E não muito perto, em geral. Se eu quisesse isso eu sei que poderia, mesmo que fosse menos feliz e demorasse um pouco pra aprender, enfim, poderia. Eu poderia levar uma vida simples sem leituras pornográficas ou sabedorias alheias. Até pq isso não é meu papo de boteco favorito, mesmo que eu não seja chegada em boteco. Enfim. Poder podemos quase tudo, mas vale a pena ficar atado pra sempre em coisas marromeno?

De toda forma, um dos caras que eu lembrava de ler precocemente foi o Wilhelm Reich. Muita gente o odeia. Eu achava que ele tinha pervertido minha capacidade de amar mas, porra, eu sou uma pessoa super altruísta. Então resolvi reler umas coisas e me dei conta que não, que foi super proveitoso ter lido aquilo naquela época pq, mesmo sem lembrar de detalhes, hoje, quando reli vi que ele tocou minha alma como uma definição do que eu queria ser quando fosse adulta. Depois descobri que não queria ser adulta, claro, então continuo querendo ser isso, menos o adulta. Cito um pedaço que reli e achei ingênuo e altruista e minha cara:

“Fui acusado de ser um utópico, de querer eliminar o desprazer do mundo e defender apenas o prazer. Contudo, tenho declarado claramente que a educação tradicional torna as pessoas incapazes para o prazer encouraçando-as contra o desprazer. Prazer e alegria de viver são inconcebíveis sem luta, experiências dolorosas e embates desagradáveis consigo mesmo. A saúde psíquica não se caracteriza pela teoria do nirvana dos iogues e dos budistas, nem pela hedonismo dos epicuristas, nem pela renúncia monástica; caracteriza-se, isso sim, pela alternância entre a luta desprazerosa e a felicidade, o erro e a verdade, o desvio e a correção da rota, a raiva racional e o amor racional; em suma, estar plenamente vivo em todas as situações da vida. A capacidade de suportar o desprazer e a dor sem se tornar amargurado e sem se refugiar na rigidez, anda de mãos dadas com a capacidade de aceitar a felicidade e dar amor.”

Então, nada pode ser mais delírio que estar plenamente vivo em tudo que se passe. Ok, podem chineliar ou citar zumbis, eu aceito. Hshshshs.

Anarco o que?

Posted in nadavê véiô on 25 de abril de 2008 by mari messias

zak smith girls mandy

Então, esta foi uma semana muito confusa. Para começar descobri que meu exemplo de vida, o ser humano em quem me fiava para ser alguém melhor (sim, é uma piada, mas até lá) não é quem eu pensava. Eugene Hutz não é escorpionino e isso anula boa parte do poder de projeção sentido até então. Choro e ranger de dentes.

Depois disso entrei em uma pesquisa que envolvia arté e descobri que nesta area residem as mais malucas situações com a qual a alma humana pode lidar. Pra começar, Guro. Que é mais ou menos tudo o que o Sade jurava que fazia, acho.

Depois atingi um novo nível, sem querer soar Pantera, ao descobrir o pintor e “lá em casa” Zak Smith. O sujeito está envolvido com um dos feitos mais bizarros da alma humana: o anarco pornô. Ele e sua preté, Mandy Morbid (ai, os nomes já me matam) fazem horrores (e por horrores eu quero dizer pornô-polvo, pornô-vaudeville,etc) no mundo pornografico alternativo e tudo isso enquanto ele é um artista que pode se considerar bem sucedido (aqui eu cito MOMA e todo mundo faz oooooh).

Na real ele diz que faz pornografia pq lá está o dinheiro, mas acho que isso era uma ironia já que ele é um pintor e lá está o dinheiro. Além do que, dizem as boas línguas que ele doa tudo que vem do XXX pra coisas como WM3 e outras ações igualmente importantes, já que é anarquista, ie, anarco pornô. E em outro lugar li ele falando que sobrevive bem como pintor faz anos.

Enfim, enquanto Zak pinta, a Mandy manifesta seu anarco pornôzismo liberando geral via web, uma vez por semana, para amigos, conhecidos e pro próprio Zak (que quando vira ator pornô vira Zak Sabbath-OH OS NOMES), em videozinhos no site dela. Capitalismo sendo combatido de formas inusitadas. Não fossem um bando de góticos (ou punks, ou, enfim, pessoas de ny) eu respeitaria pela VANGUARDA.

De toda forma, Zak, enquanto Smith, vale demais, por isso é o único link que digo. O resto vocês procurem que não sou mãe de Onan: http://www.zaxart.com/

Pyratas

Posted in poemetos on 23 de abril de 2008 by mari messias

Epílogo I
A doença do pago: terra é o nãomar

Daqui onde se despede o pasto
Daqui onde a terra não é mais que lastro
De onde tudo que é o mundo é parte
Daqui que vi cos olhos de guri e de moço
Deste lugar que me teve a contragosto
Daqui me afasto

No galope do chucro
Deixou al mar boa parte sua
Como deixa o enamorado
Que na partida se amua

Assentou os olhos na terra
Como quem vê de si tão pouco
Que esforça a vista e erra
E para quem avista é louco

Areou-se de si naquele charco
O pleno desabafo do peito
Um pouco de mar e alento
Mas onde a vista fosse era terra

(Isso é um pedaço do meu poeminha de pyratas e lendas familiares. Eu gosto muito deste pedaço. É bem próximo do final e é todo sentimental, pq ele se despede do mar. Espero que seja possível notar isso, enfim. As partes em itálico são sempre as falas dos personagens, neste caso do personagem principal, El Don de José.)

O ânus do autor

Posted in mofo, textos on 23 de abril de 2008 by mari messias

(também é antigo, dei uma mudada geral, entretanto. nutro apreço pelo tipo de humor desgraçado que inaugurou no meu coração, ou que veio dele, afinal. enfim. se não estou enganada chegou a sair no falecido fraude.org. aproveito a oportunidade para fazer meu trocadilho favorito: CUBA LANÇA. fim. hshshshs.)

Snap1

Joaquim amava a palavra, especialmente os adjetivos. A cada dia escolhia um e passava horas repetindo-o em voz alta, para que grudasse em si.

Confiante, como sempre, dizia de si para si e mais ninguém:

– Esta há de ser minha mais ESPLÊNDIDA obra.

E ía trocando, tentando definir-lhe a grandiosidade. Depois de acabada, sabia, seria capaz de, finalmente, lançar-se fora do corpo do senso comum e daria asas à todos seus sonhos mais fulgurosos, mais profanos, mais generosos, mais gloriosos, etc.

O amontoado de tentativas cessava sua elocubrações. Seria GRANDE, IMENSA. Mas como? E voltava-se para o papel, tentando decidir-se por um estilo que coubesse em tamanha grandiosidade.

I- O ÂNUS DOCE

Enquanto a jovem Carlota enxugava as bochechas rosadas com seu pequeno lencinho bordado eu afagava-lhe os cabelos doirados. Seu corpo, iluminado pelo sol matutino, deixava-se libertar em pequenos bocados para alegria de meus olhos, que ora pastavam suas pernas, ora seu colo.

Havia algo de doce neste seu luzir requentado (e eu ainda não fazia idéia do que poderia ser), que me comprometia os pensamentos. Eramos crianças inocentes arrebatas por idéias putantes que sequer conhecíamos.

– Está muito calor, Cristian, vamos tomar um banho de rio.
– Ora, não sejas tola, Carlotinha.
– Vem, vamos.

Ela me segurou pela mão e eu me deixei levar, cabelo desobrigado pelo vento de feição que nos refrescava a cara.

Chegamos na beira do rio e ela foi logo se livrando das fartas vestimentas, enquanto eu, atônito, tentava decidir o que poderia haver de mais doce naquele corpo.

Foi quando se livrou da calçola que notei, extasiado, a protuberância desconhecida.

Vi seu corpo submergindo e emergindo novamento na água, como fosse superior à natureza.

– Não vais entrar? A àgua está ótima!

Neguei com a cabeça. Ela deitou-se na grama, nádegas expostas ao sol, como um pequeno anjo de faces frescas que era. Sentei-me ao seu lado e fixei meu olhar quase religioso naquela visão divina. Ao final das metades rosadas, que eram como outras bochechas ainda mais macias, notei um pequeno fruto, o mais encantador espetáculo que meus olhos já presenciaram. Não é possível que coisa tão singela e meiga possuísse tão árdua tarefa. Tomou-se minh´alma de serenidade. Aflorava-lhe toda a doçura do botãozinho do cu. Se o umbigo nos ligava à mãe no ventre, seu pequeno ânus era um canal com Deus. Ele separa de si toda injustiça e toda tristeza deste mundo. Tão confiante parecia em sua tarefa de amar que mal pude conter-me em beijar-lhe.

De absorto que estava, sequer ouvia os ruídos do resto do mundo.

Compenetrado o olhava cada vez mais de perto. Parecia-me que ele queria falar comigo. Notei-lhe a pequena boca abrindo e liberando um minúsculo traque em minha cara. As bochechas de Carlota rosaram-se, na face, ainda mais que em sua bunda e ela, constrangida, desculpou-se.

*N.A.: Confrontou-se, desanimado e vítima de um leve desarranjo, com esta idéia de ânus imaculado. Temendo o cu divino, largou-a, de vez, de lado.

I- O ÂNUS AMARGO

Todos os ânus são medíocres. Principalmente estes da minha geração, que as damas andam a perfumar e os rapazes a repudiar os reais feitos.

Se tenho um sentimento muito grande, por ele me cago. E nada de mal há num cu fazer o que lhe é próprio, quem dera seus donos o fizessem também. É necessário que haja simetria nos atos, que se cague pelo rabo e se fale pela cara, não o contrário.

Se a todos os cus de meu tempo repudio, são os acadêmicos que odeio ainda mais. Decrépitos e bolorosos, em toda sua pompa e talco não há espaço para um peido que saia folgado. Retém sua merda até se matarem de dor, mas não as deixam livres. Como se procurassem uma fórmula. Um cagalhão arredondilhado, ou curto e consistente, como um haikai.

São estas flores de mediocridade que me alegram o cu quando sento e, pensativo, me ponho a cagar. É preciso acabar com esta idéia que temos de nossos próprios ânus, pois se não estão no mundo para nos presentear, estariam para que?

Minha rosca esta te dando a outra face quando ousa mostrar-se. Ela quer poder dizer ao cu de toda gente que chega de cabeças pequenas e espíritos manejados. Que chega de suicidar o cu com laxativos, que os queremos arregaçados, hemorróidicos, encaralhados, hemorrágicos.

Então, pasma-te, burro, diante de meu cURRO, pois é por borrar-te neste teu negro engodo, que não o deténs.
PRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRÓÓÓÓÓ.

*N.A.: Viu neste sarro de idéia um idiotismo ainda mais refinado que o seu. Quem se interessaria por um cu ateu?

I- O ÂNUS SECRETO

Leonor entrou na minha vida por um lapso tão grande, que não consigo ter certeza se cheguei a entrar na dela. Já nos conhecíamos, mas eramos escrotos demais, mesmo um para o outro. Ela era a atriz-garçonete que trabalhava no bar onde eu costumava ser o bêbado-poeta. Nunca conversamos. Aliás, poucas vezes nos olhamos, então já vou adiantando para vocês não sentarem seus cus suados na esperança de que eu vá dizer o quanto ela era bonita. Eu não costumo apelar tanto para conseguir um texto. Nem se lembrasse o faria.

Como disse no começo, foi tudo um lapso. Enquanto eu me afundava em vodka com guaraná na busca de uma poesia que não fosse afeminada, ela percebeu em mim uma possibilidade. Estou falando destas coisas mais difundidas na verdadeira literatura e que, entretanto, não tem relação nenhuma com bundas de mulher.

O leitor mais esperto já deve saber que nenhuma dama, por mais falsa e feminina que seja, se oferece para carregar um homem bêbado até sua casa simplesmente para agradar a Deus. Então ela carregou nossas carcaças até meu apartamento e, assim que me largou na cama, começou a vasculhar a casa para ver se achava algum trocado.

Eu ri alto, desafiador. Isto deve ter deixado a moça desconcertada, pq ela parou um pouco, como se tivesse ouvido um berro de morto. Depois, caminhou até a cama e parou sem enorme rosto redondo em cima da minha cabeça. Ficou em silêncio. Eu abri os olhos e tentei resmungar alguma coisa, mas não consegui e acabei emborcando para o outro lado, pegando no sono.

Em tempo de bêbado, duas horas depois acordei com uma vontade incrível e mijar e vi que ela estava dormindo do meu lado. Quando eu me levantei ela abriu os olhos e eles ficaram me seguindo. Deve ter notado que eu ia para o banheiro e foi atrás. Abri o zíper e tirei o pau pra fora.

Ela abriu a boca e esperou. Não consegui segurar o mijo, mas enquanto ela engolia, eu berrava:

– Na boca não, porra!

Quando minha bexiga se esvaziou, voltei para a cama, deixando-a ali com a boca cheia de vodka e guaraná refinados. Mas ela não estava satisfeita e me seguiu de volta. Tirou a roupa e se colocou de quatro, esperando que eu fizesse algo.

Agarrado em sua bunda, com muito esforço, consegui me ajoelhar. Então, como Moisés, tentei afastar aquele mar morto. Quanto mais esforço eu fazia, ainda maior parecia aquela carga. Afogado entre as bochechas, não conseguia encontrar seu cu de jeito nenhum. Na duvida pensava se ele realmente existia ou era, simplesmente, muito discreto.

Indignado, cheguei a pensar: que tipo de recinto contrata uma garçonete sem cu?

Continuei minha tarefa de remover até me afogar em suas nádegas e, quando eu acreditava ter chegado no final, aproximava meu rosto para ver se encontrava seu cu. Mas nada. Não havia nada ali.

Fiquei imerso neste trabalho mecânico por um bom tempo, curioso até os ossos com este cofre secreto. Isso aparentemente a agradou, já que ela começou a gritar alto, ondulando seu amontoado de carnes.

Desiludido e quase afogado por esta bunda descomunal, caí para o lado e dormi. Quando acordei, no dia seguinte, ela já tinha ido embora.

*N.A.: Relendo o texto, teve uma incrível impressão de riqueza. Para confirmar, impôs seu odor ao ar, certo de ter aprendido uma liçãodevida.

I- O ÂNUS DO AUTOR

Medito a bunda na cadeira. Assim, bem impessoal, como um cu sem corpo. Para não haver quem desconfie que neste cuidado repouse uma imensa hemorróida (ainda que se saiba esta verdade universal, quem tem um cu sem dono sabe que não perde por se assanhar).

Se sequer em uma memória distante posso buscar, não azede seus olhos me vendo amargar. Sendo, ou não, verdadeiramente doce, para um cu possante não há nada que se possa negar.

Mas de que falo? Este meu pouco viu. Se houver uma réstia que compre dignidade, me mando em pesquisa e não haverá senão meu que se possa mudar. Quantos cus ainda hei de desconhecer, antes que me seja dado o poder de descagar?

Aviso: quem carrega esta carga em forma de fardo, seja o próximo a puxar e saiba que merda é a réstia inútil da memória passada: descarga.

Do meu próprio posso falar, ainda que com pouco conhecimento, sei que existe e onde está. E sei, por assim pensar, que de buracos na barriga só se caga poesia.

Se merda é outro, meu intestino guarda, frouxo, aquele que vive de se apertar. Miúdo e afinado, meu cu esgoela o peido da merda anunciada.

Sinto, se nada há aqui que se possa televisionar. Nem eu mesmo sei o que mais posso falar.

Em tempo farei meu cu tão macho que se torne quite com sua vontade de imoralizar. Meu cu macho em peido oco de amor por outro brioco.

recordar é viver

Posted in mofo, poemetos on 22 de abril de 2008 by mari messias

De quinhentos anos atrás, da época do K. Eu ainda curto, apesar de achar saudosismo uó.

maiakovski quando sentia
khlebnikov quando criava
a euforia que existia
quando ainda se acreditava
que a morte do czar
era o passo que faltava
para que a vida fosse poesia

Sideshow

Posted in deveras pessoais, poemetos on 22 de abril de 2008 by mari messias

Ah, sim, sobre abrir um novo blog.

04Vedere obisnuita pe Calea Victoriei2

girando na roda
no trapézio miniatura
pequeno fraque
veja o nariz do palhaço
eis-me, senhores
connoisseur de araque
apresentando ao mundo
meus pequenos estragos
neste seu sideshow

Chronos in Uranus

Posted in deveras pessoais on 22 de abril de 2008 by mari messias

mh-saturno

Segundo a lenda Chronos cortou os genitais do pai, Uranus (que não ganhou o nome a toa, pelo visto), e engoliu os próprios filhos. Toda esta fúria implacável do senhor do tempo só pôde ser detida pela malemolência de seu filho mais novo, Zeus, ajudado pela mãe (no caso a esposa de Crono), Réia. Freud chora mas, mais que isso, o mundo dos devotos do hellenismo agradece pela substituição de um tirano canibal por um tirano putanheiro.

Depois de, sempre auxiliado por mulheres, libertar seus irmãos e criar um novo reinado mais belo e malandro, Zeus passou a se dedicar a encontrar novos métodos de fertilização, como chover no molhado e afogar o cisne, se é que o nobre leitor está por dentro do que digo.

Para os leigos e temerosos, a astrologia jura que Chronos tem um presente reservado para todos nós e ele se chama: retorno de saturno. Neste período, seremos capazes de vivenciar nossa própria titanomaquia, descobrir qual divindade do Olimpo devemos seguir e se vamos, afinal, cume acima ou abaixo. Segundo meu amigo-dionisíaco, Jão, é aí que descobrimos com o que temos que nos comprometer pois surgem nossos primeiros fios grisalhos e nossas artrites e se, nem assim um sujeito é capaz de se comprometer com a vida, merece mesmo morrer. Nada é mais comprometido que morrer.

Mas como sobreviver aos amargos presentes que nos reserva Chronos? No início só conseguimos reagir com horror: como assim ele cortou as bolas do próprio pai com uma foice? Que tipo de divindade faria isso? Depois de um pouco de reflexão, a pena: ele sofria abusos em casas. Até a descoberta: uma natureza implacável como esta só pode ser vencida pela inteligência malandra. Claro.

Hoje eu passei por um momento catártico. Andava tão reprimida, encolhida, que se aceitasse internalizar mais alguma coisa, virava uma supernova, explodia. Então eu estava em um ambiente hostil e decidi que não queria aquilo. E me comprometi com isto. Em não ser o que não quero por uma pressão externa que eu sequer respeito ou concordo.

Foi aí que o tchutchuco do Dionísio dançou na minha cabeça e me disse: a melhor maneira de não conseguir o que não se quer é se divertir e ser brutalmente sincero. E eu fui. Nossa, me diverti. Eu gosto de literatura medieval e não estou nisso pelo glamour pelo simples fato de que ODEIO glamour (nota mental: preciso fazer as pazes com Afrodite, a deusa do glamour e da libação em glitter). Pareceu pouco. Então aquele exagero que costumamos, nós os bizarros (e demais degredados), fazer para conseguir algo, eu fiz ao oposto. Pela primeira vez na vida pude ser mais estranha que sou em um ambiente que me obriga, em teoria, a simular o oposto. E, voilá. Me libertei.

Sim, eu venho de uma família-de-circo, como se o subtexto fosse: nos imagine como ciganos de histórias preconceituosas (nem entrarei no meu parentesco cigano e/ou pirata. Hahahah), carregados de bagagens, o cheiro de merda de elefante, três dias que não vemos banho. Mas seguimos, esta é nossa sina. Meu número de força capilar já foi um sucesso, mas o público não gosta mais de ver estas coisas, por isto meu tio que engolia facas e não superou a fase oral se afundou no álcool. Tudo isso num olhar alucinado de NÃO ME ACEITE, EU NÃO QUERO SER ACEITA POR PESSOAS COMO TU JÁ QUE SIM, TU TÁ CERTO, NÃO SOMOS IGUAIS.

Então acho que neste pequeno evento, que redesenha a história das piores reuniões desde que o homem ficou em duas patas, eu me comprometi comigo em definitivo. Foi massa. Todos deveriam tentar. A vida enquanto performance. Até pq, como diria Gogol: I make a better rock revolution, alone with my dick. Não, não o Gogol, o Gogol Bordello (ora, pois, como se o Gogol#1 tivesse adereços como o supracitado).