Arquivo para março, 2009

Sutilezas

Posted in idéia não tem dono on 31 de março de 2009 by mari messias

Como um trecho de Zizek chega na minha mente. Meus comentários entre parêntes em itálico e o texto do paizinho em negrito pra diferenciar bem. Vale mais a pena ignorar eles (os meus comentários), o texto é massa bagarai. A ideologia do paizinho é bem legal. Claro, ele é o paizinho, afinal.

Para evitar esse exemplo já desgastado, porém, voltemo-nos para o campo da sexualidade (sim, sexo super não é exemplo desgastado, velho louco). Um dos lugares-comum de hoje é que o chamado sexo “virtual” (punheteiro), ou “cibernético”, representa uma ruptura radical com o passado, uma vez que, nele, o contato sexual efetivo com o “outo real”  perde terreno para o prazer masturbatório (sabia que era punheteiro), cujo suporte integral é um outro virtual – o sexo por telefone, a pornografia, até o “sexo virtual” computadorizado (ok, ja saquei) …. A resposta lacaniana (ai, me sinto comendo merda. por  qual motivo fazeis isso comiga, paizinho?) a isso é que, primeiro, temos que denunciar o mito do “sexo real”, supostamente possível “antes” da chegada do sexo virtual: a tese de Lacan de que “não existe relação sexual” significa, precisamente, que a estrutura do ato sexual “real” (do ato praticado com um parceiro de carne e osso) (neste ponto parece relevante dividir que estou relembrando as fotos de casamento do Zizek com a gata desde o último comentário) já é intrinsecamente fantasmática (ui, adoro fantasmática); (ui, adoro ponto e vírgula) o corpo “real” do outro serve apenas de apoio para nossas projeções fantasmáticas (uuh). Em outras palavras, o “sexo virtual” em que uma luva simula os estímulos do se vê na tela (momento tecnologias nintendo que não deram certo), e assim por diante (and so on and so on and so on), não é uma distorção monstruosa do sexo real, mas simplesmente torna manifesta sua estrutura fantasmática (<3) subjacente (ok, me recuso a dizer que Lacan mandou bem, certo que foi a leitura ideológica de doente – no melhor sentido imaginável – do paizinho, só pode. adendo importante: a percepção de que todo sexo é masturbatório quase me fez desmaiar de mindgasms).

Slavoj Zizek in Um mapa da ideologia

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Ponto Eletrônico

Posted in nadavê véiô, o mundo (essa folia) on 30 de março de 2009 by mari messias

Momento MECOMPRA do dia:

Meus caros, Desi e eu resolvemos provar que não estamos na vida a passeio e agora temos um blog que está ali disponível forévis (talvez) nos links. Chama Ponto Eletrônico.

Vou explicar pro leitor mangolão que não consegue concatenar muito bem. Funciona assim: nós lemos coisas legais, é nosso trabalho, afinal. Quando achamos alguma coisa interessante e queremos dividir, resumimos bem resumido, colocamos lá com o link original e o leitor ishpéhto vai atrás se achar que interessa. Ê comunismo da informação dellíça.

Siligão, então.Virão fãs, ein. :D

Mestre

Posted in degredo no olimpo, deveras pessoais on 29 de março de 2009 by mari messias

luizpa

Vera Karam tem uma frase, que nunca acho e sempre tenho vontade de citar literalmente, sobre a sensação de familiaridade que ela teve com as pessoas do teatro justamente por elas abraçarem sua esquizofrenia. Essa noção de multiplicidade que eles aceitam e vivem. Por atuarem, escreverem, dirigirem, enfim, vivenciarem suas inumeras facetas, as facetas seu conhecimento.

Miles de posts atrás eu mais ou menos falei sobre isso, sobre a diferença que existe entre o mundo do teatro e das letras, que está bastante relacionada com a forma como as pessoas interagem com o seu objecto de estudo.

Pois bem, alguns anos atrás eu estava exactamente no ponto onde descobri isso. Descobri minha familiaridade, ainda que eu seja uma tímida mórbida, com essa esquizofrenia e minha vontade de demandar mais no tacto com o meu objeto de estudo afeto. Mas antes de saber isso, eu sabia que estava cansada da Letras, sem saber exactamente por qual motivo e pra qual caminho ir.

E minha saída, resultado de uma montagem do João Ricardo prum texto meu dasantigas que me apresentou ao Luiz Paulo e do coração doirado de minha mãe que me sugeriu um curso, sabendo que adooouro cursos, foi que eu fizesse a oficina de dramaturgia do professor Luiz Paulo.

De fato, como aluna de Letras sempre achei que não sabia o suficiente sobre dramaturgia, ja que acho que abordamos isso sempre muito vagamente.

E nas oficinas do professor Luiz Paulo, que eram de escrita criativa, eu descobri mais sobre a estrutura, a teoria, os clássico. E sobre mim. Até cheguei a essa conclusão ai de cima. Que eu, sendo como sou, sendo quem sou, não tolero tratar meus livros, meu conhecimento, com distância e assepsia.

Professor Luiz Paulo me lembrou o que me deixava enamorada nos intelectuais (meus familiares inclusos) do teatro e por quais motivos eu queria ser mais como eles, seu conhecimento desmedido e seu amor vivo. Que era bem diferente do perfil da maioria das pessoas de letras que eu estava convivendo exaustivamente e que estava me deixando tão pouco empolgada com a vida. Claro, sempre existem exceções. Mas, enfim, foi uma bela descoberta. Uma coisa que me fez rever meus modos e me fez voltar a sentir paixão, coisa que eu considero fundamental para existir.

Então, hoje fui na comemoração dos 50 anos de teatro do professor Luiz Paulo. Meu mestre.  Não é qualquer coisa fazer 50 anos de ofício, convenhamos. Deste ofício, então. Foi um momento bastante bonito.

Sentada lá, comendo, fumando, rindo, vendo pessoas do meu imaginário centenário, enfim, me senti como se eu estivesse num tipo de festa cigana.

Eu não faço bem parte desse grupo. Não faço teatro, afinal. Sou tímida, afinal. Mas eu me sinto confortável entre aquelas pessoas, mesmo as que eu não conheço ou que não simpatizam muito comigo. É o mais próximo que eu chego do senso de pertencer ao mundo e de entender a idéia do hexagrama 46, aquela coisa de brotar desviando dos obstáculos.

Então alegriaalegria pelos 50 anos de teatro do Professor Luiz Paulo, meu mestre, que mudou minha vida de tantas formas sábias e epifânicas e deve ter mudado tantas outras de tantos outros alunos. (mas ele me disse que eu sou a aluna favorita dele, ok? morram de inveja, mortais. hshshshs)

Foi lindo.

Oh sweet nothing

Posted in ieieie on 28 de março de 2009 by mari messias

Something about this instance
Something about this minute
Striving for the future
But don’t realise that we’re in it
A moment just to float
To ponder and to dote
To dry and to soak

(valeu Noah pela belíssima canção. aproveitem o final de semana com seu sweet nothing, rapaziadinha)

Ah, sim. Hoje, Hora do Planeta (não o Capitão, anta). Das 20’30 até as 21’30 todo mundo no escurinho delliro brincando de braile. Fazfavor, ein. Demandem do boteco, demandem do broto, demandem de si mesmos, peguem a lanterna de fricção, admirem a lua, essas coisas ripes (sem eufemismos aqui). Mas depois acendam, que Marx morre de medo que as pessoas esqueçam de acender as luzes e o mundo volte pra Idade das Trevas.

The other shoe

Posted in deveras pessoais, o mundo (essa folia), quer que desenhe? on 27 de março de 2009 by mari messias

towersshoefull

Vinganças. UF.

Dizem que meu signo, escorpião, é dado a vinganças. Eu não posso falar pelos outros, mas posso dizer por mim que acho vingança uma coisa totalmente despropositada. Como se a vida fosse fácil e eu tivesse que inventar complicações que nunca terminam.

Pq vingança nunca acaba. Fica um raciocínio bolinha onde não cabe lucro, só esforço em vão e dano. Não faz o menor sentido. É isso que penso.

Pois bem, digo tudo isso por alguns motivos.

Dias atrás vieram a tona em jornais do cânone ocidental (o homem branco, esse dominador aguerrido) notícias que já circulavam aos kilos pela internet em meios de divulgação independentes e nem tanto. Mas nesses jornais fizeram tombar o sujeito mediano, nós.

As notícias falavam do horror despropositado na ofensiva israelense->palestina.

A real, eu acho, é que nós não queremos saber.

Não queremos saber de ciganos sendo queimados vivos na Itália ainda hoje. Não queremos saber de velhinhos sendo metralhados na Palestina. Isso dificulta ter uma visão encaixotada da realidade e nos confronta com aquela idéia clássica de que o cerumano não é, de nenhum ponto de vista, objetivo.

Não somos. Isso é foda. Mas ninguém disse que seria fácil.

E eu tenho lido e relido e relido o In The Shadow Of No Towers pra ver se consigo chegar em um raciocínio que não aborde mais graphic ou mais novel, mas seja coerente e justo com ambos. E a primeira história é essa metáfora que coloco aí pra vocês lerem sobre o medo do outro sapato que nunca cai.

Um bêbado deixa cair um sapato. Acorda todos. Daí toma cuidado com o próximo sapato, não faz barulho. Mas todos já estão acordados, temerosos, esperando que venha o próximo. Drop the other shoe. Estamos aqui nos aguardes, ansiosos.

O Spiegelman fala do terror que rolou na vizinhança dele depois do 11/09. Todos esperando o outro sapato, o governo usando esse temor pra domar, promover, atemorizar.

A doce e suave vingança que foi sendo tramada dentro da “casa” dele, que num processo bem sofridinho fez com que ele voltasse a desenhar também pra chamar a atenção pro grande terror que estava instaurado no medo do outro sapato. Não no sapato em si.

Como disse Zizek, meu paizinho, com uma esquerda assim, quem precisa de direita.

Ah, isso serve pro Brasil, claro, serve pra esquerda mundial que ignorou a mesma reportagem que saiu nos jornais de agora e foi mostrada uns 2 meses atrás pela Al Jazeera (esses brutos radicais), serve pra todos nós temos certeza de que a culpa vem de fora. Se calarmos a culpa, no melhor estilo antigo testamento, tudo se resolve.

Pff. Precisamos mesmo é de peças pregadas por Exu pra cair na real. Alguém que carregue óleo em peneira e nos faça ver os bando de babacas simplórios que somos, sempre esperando o outro sapato.

Ai, cansei, vou pra casa.

Pra saber detalhes e pormenores vão aqui, hereges.

Cafézinho Onã

Posted in quotes da rapeize on 25 de março de 2009 by mari messias

milton diz:
mas tu precisa alguém que é considerado genial te chamar de genial pra que alguém pare e tente entender o que tu quer dizer
mesmo que o que tu queira dizer é só dizer que é muito difícil dizer o que não pode ser dito etc.
mari diz:
isso funciona com qualquer qualidade, é tudo atribuição de alguem que domina essa qualidade
até beleza
milton diz:
sim, sempre
triste isso
mari diz:
tipo, qualidades são seres selvagens, que foram domados e são passados adiante
por isso eu não respeito a ideia geral das pessoas sobre elas
NÃO ME DA TEU PONEI, NÃO QUERO

littlenightmare-311

Matt Hoyle’s Barnumville

Posted in quer que desenhe? on 25 de março de 2009 by mari messias

snap14

Pros desinformados, o primeiro nome dessa bloga foi Sideshow.

O cabeçalho, lindíssimo e definitivo (tentei substituir esses dias e senti uma dor física, de modos que segue o mesmo), é de um mágico vintage. O cartazes dos mágicos costumavam ter manifestos de forma bem pouco sutil nossos confrontamentos internos, com anjos e demônios e tudo mais. Sugerindo, claro, que eles tinham um contato com o ladilá.

snap31

Todo esse imaginário burlesco bizarro é deveras cativante, indeed. Por isso me sinto obrigada a dividir com vocês o ensaio fotográfico do Matt Hoyle, chama Barnumville. O nome faz referência a uma cidade ficcional, mas o autor explica:

“It’s inspired by the real life town of Gibsonton Florida which used to be an active vacation town for wintering circus folk. I was lucky enough to shoot many known sideshow performers who are in the last remaining sideshows in America, Coney Island Sideshow and 999 Eyes Freakshow from Austin Texas.”

Vale a pena, pode ser conferido inteiro aqui. No mais, stay tru, beeeeeeeeeeeeeeijos.

snap21

Boca boca boca

Posted in deveras pessoais, o mundo (essa folia), poesia visual on 23 de março de 2009 by mari messias
mcqueen

McQueen e sua coleção LOOKS LIKE

Eu sempre deixei claro que meu negócio são os narezes. Nariz, pra mim, é o que define um rosto. Rosto, por sua vez, é um picolé de nariz. Pessoas como eu leram O Nariz, do Gogol, achando que fosse um poema de enaltecimento, CLARO. Pessoas como eu encomendam Be a nose! do Art Spiegelman em pré-venda. Pessoas como eu só se enamoram de pessoas com narizes definitivos.

Mas acontece que o mundo, o que acontece fora da minha cabeça, acha que a boca é o canal. Sabe lá por qual motivo, mas é assim que é nesse lugar medonho. As bocas estão sempre em primeiro plano.

Daí a potira-wannabe da Jolie vem ao mundo, com sua falta de bunda, seu nariz quase sem narinas, e sua boca de miúdos de frango e todos amam e eu tenho que simular que entendo pra não passar por alucinada from hell.

Mas, vá.

O lance das bocas é que nas últimas semanas notei uma volta BOCA DE COLÁGENO INDA HOUSA. WTF, você se pergunta. Só posso concordar.

colageno1

Antes do advento do BOTOX, as donas se detonavam na body modification com auxílio do colágeno. Era na boca, nas bochechas, por onde fosse possível detonar os traços mais delicados e transformar todos em um tipo de porquinho bochechudo com cara de choro.

Daí chegou o botox e todos aderiram ao visual sobrancelhas de malvadinha, Nicholson style, sacam?

Mas acorre que nos últimos dias passeando pelo meu bairro, o bairro que durante o dia congrega o melhor da saração made in poa e durante a noite congrega o melhor da saração e da micareta gauchinha, notei um aumento exponencial de BOCAS DE COLÁGENO. Me pergunto se elas são, mesmo, de colágeno ou só um colágeno revisited. Tipo brechó labial.

Então, cabe citar que o super antenado McQueen (la no começo do post) fez  valer a palavra de Hutcheon de que a paródia é a expressão máqsima de nosso tempo em suas referências ao Portinho na passarela Paris em sua última coleção chamada: LOOKS LIKE POA. Dando ênfase especial para as bocas looks like colágeno, claro. O horror mais que belo.

Se continuar assim, ok. Só não toquem no NAREZ, CAFAJESTES.

oi

Chamados

Posted in o mundo (essa folia) on 22 de março de 2009 by mari messias

Hoje, onze no Brique Circo Girassol de mi padre rolará. Sei que é em cima da hora, mas quem estiver ligado irá.

Hoje, nove da noite, programa do Noah 3a edição. Falhei de comunicar a primeira, mas oiçam oiçam. Ta detoando. Convidado Vitor Ramil, na Ipanema 94, 9 em Porto Alegre e online pros de fora.

Se ligão.

teorema

Outono

Posted in degredo no olimpo, deveras pessoais, maconha, o mundo (essa folia) on 20 de março de 2009 by mari messias

Bom, se eu seguir acreditando em tudo que me dizem passarei o ano todo em comemorações e essa é a minha meta, afinal de contas.

Hoje, pessoas coloridas, começa o outono. Meus próximos sabem que eu sou uma pessoa primitiva, ie, simples e, como tal, adoro comemorar estações. Portanto, por si só hoje já seria um dia relevante pra mim.

Acorre que hoje também é o início do signo de Áries (o primeirão dos signos) e, como veio por email me avisar a querida Amanda Costa, o começo Ano Novo Solar, o ano novo segundo a astrologia.

E aproveitando o rito de passagem sazonal e as simbologias outonais e meu acúmulo de muco nasal, divido uma coisa pra aliviar a tensão criada por tanto Zizek na meloa. E chega de salivar conhaque, mea xente, que isso é super estação passada.

Que venham as bacantes.

Walt Whitman, a kosmos, of Manhattan the son,
Turbulent, fleshy, sensual, eating, drinking and breeding,
No sentimentalist, no stander above men and women or apart from them,
No more modest than immodest.

Unscrew the locks from the doors!
Unscrew the doors themselves from their jambs!

Whoever degrades another degrades me,
And whatever is done or said returns at last to me.

Through me the afflatus surging and surging, through me the current
and index.

I speak the pass-word primeval, I give the sign of democracy,
By God! I will accept nothing which all cannot have their
counterpart of on the same terms.

Through me many long dumb voices,
Voices of the interminable generations of prisoners and slaves,
Voices of the diseas’d and despairing and of thieves and dwarfs,
Voices of cycles of preparation and accretion,
And of the threads that connect the stars, and of wombs and of the
father-stuff,
And of the rights of them the others are down upon,
Of the deform’d, trivial, flat, foolish, despised,
Fog in the air, beetles rolling balls of dung.

Through me forbidden voices,
Voices of sexes and lusts, voices veil’d and I remove the veil,
Voices indecent by me clarified and transfigur’d.

I do not press my fingers across my mouth,
I keep as delicate around the bowels as around the head and heart,
Copulation is no more rank to me than death is.

I believe in the flesh and the appetites,
Seeing, hearing, feeling, are miracles, and each part and tag of me
is a miracle.

Divine am I inside and out, and I make holy whatever I touch or am
touch’d from,
The scent of these arm-pits aroma finer than prayer,
This head more than churches, bibles, and all the creeds.

Todo aqui