Excesso de opinião

Absolute truth is a very rare and dangerous commodity in the context of professional journalism. – Hunter S. Thompson

Ontem o Milton chegou aqui em casa eufórico, dizendo que tudo ia mudar graças a uma bomba dos Wikileaks. Eu não botei muita fé, já que a (troco de gênero quanto quiser, me larga) Wikileaks tem mostrado uma infindade de podreiras do mundo, mas nunca recebeu atenção de massa, aquela que MUDA TUDO, e que eles mereciam. Talvez o nome, como MARCA revolucionária (tipo Che), mas as informações nunca vi serem debatidas em mesa de bar por um bando de gente emocionada.

A importância desse medidor da mesa de bar é a seguinte: hoje tu senta em qualquer pé-sujo da Cidade Baixa-Centro e rapaziada sabe tudo sobre Complexo do Alemão e os grandes cabeças criminosas PORQUINHO, MOLEQUE E POLEGAR. E isso é uma rebatida bem triste ao meu eterno nhenhenhe de que não existe uma grande mídia. Claro, cada vez fica mais forte meu péssimo costume de medir pela exceção e a grande maioria das pessoas ainda se alimenta de TV e ZH.

Então, possivelmente os dados da Wikileaks venham a sair na GloboNews, no JN, mas eles vão chegar lá não como dados, essa é a minha angústia, mas como uma opinião. Opinião todo mundo deveria ter. E criar um blog, twitter, whatever, pra debater com os amigos. Claro, também, que tudo passa por um filtro de opinião, mas até que ponto esse filtro, corporativo, não jornalistico, não é uma espécie de profissão de fé? Tipo assim:

O Morro do Alemão já está tomado pela lei (GloboNews)

Isso não é um dado, isso é uma crônica.

E me angustia nessa cobertura que não existe nenhum tipo de distanciamento que me forneça dados para que eu possa formar uma opinião embasada na atual situação. E isso é o que o Wikileaks faz. E fez como o demo agora.

É triste falarmos em overdoses de informação quando nem sempre podemos encontrar informação, soterrada em tanta opinião. E não é por menos que Wikileaks é o dimonho do mundo moderno e os PirateBay (vendidos ou não, um ícone do fluxo livre de dados) tenham sido sentenciados a prisão.

Mais que saber o óbvio, tipo, US tem espiões na ONU, Wikileaks nos pega pelos dados: podemos pensar, temos informação pra raciocinar sozinhos.

Como eu vejo, duas das mais fundamentais funções da internet são libertar a informação e a opinião. Mas a segunda sem a primeira é pros religiosos, rezando pelo RJ, pedindo paz no Oriente Médio. Nós precisamos ter honra. Pelo menos nós que vivemos na beirada, que somos um desvio, que não conseguimos ver opinião como sinônimo de dado. Nossa função humana mínima é sentir essa brisa inadjetivável, sem ignorar os links que estão aí pra quem quiser ler. E opinar.

Leia mais no Guardian

Leia mais no ElPais

Twitter Wikileaks

Texto massa do ElPais sobre a importância Wikileaks pro jornalismo

Aí o vídeo que ta circulando do morador da Vila Cruzeiro acusa polícia de roubar R$ 31 mil:

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3 Respostas to “Excesso de opinião”

  1. merecia um diplome de journaliste só pelo texto.

    compartilhei com os amigs do reader.

    beeeeeij

  2. preciso logo de um diploma inútil. hahahaha
    saudadimais ;~

  3. Segundo a ABC, Christine [mãe de Assange] é dona de um teatro de marionetes em Nossa.
    http://www1.folha.uol.com.br/mundo/839060-mae-de-fundador-do-wikileaks-pede-que-filho-nao-seja-perseguido.shtml

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