Whatever works

Podia começar esse post com um longo blablabla sobre como Woody Allen voltou a falar de NY, como acho que ele ta criando a paródia romântica ou, quiça, falar sobre a confusão disso tudo com o o eu-narrador-eu-autor, onanismo centenário. Ou ainda, poderia ficar falando dos problemas que vi, do que não gostei, tem várias coisas. Mas, ai, nem ligo. Sinceramente. Mesmo. Me larga. Beijs.

E se você ainda não viu o filme talvez deva parar de ler, possa ser que eu lance algum spoiler e, oh, avisei.

Negócio é: tenho um amigo ariano que, como tal, além de fã de Woody Allen, também se acha um indivíduo super livre. Vamos chama-lo de Tãder. Tempos atrás estavamos trocando poéticas de vida e conselhos (possivelmente muito errados, como é costume aos conselhos) e ele ficou emputecido (sem rancor, que ele é um doce de pessoa) com meus cronogramas e meu super-poder de auto-controle mórbido. Claro, mesmo sendo jovial como todo ariano, ele devia estar ligado que comprimindo e controlando tanto, eu ia acabar implodindo. Então, no seu bom estado de espírito (esqueci de dizer que ele é uma pessoa feliz e muito boa, isso é sempre relevante pra mim), Tdr ficou tentando me obrigar a repetir feito mantra: “Não sou eu quem me navega, quem me navega é o mar”, ao que eu respondia: “Que isso, bro, quem me navega sou eu, merrrmo”. Eventualmente notei que nem sempre.

E digo isso, que pode te soar idiota, pq tu é muito inteligente e maduro, pra falar que acredito que Allen fez outro filme-bula para tentar nos explicar por qual motivo nem sempre somos quem podemos ser.

Talvez o lance seja que ele está velho e tenha tido a epifania do Bauman, que ta inteira aqui, mas cito um pedaço:

quanto mais velho você é, mais sabe que os pensamentos, embora possam parecer grandiosos, jamais serão grandes o suficiente para abarcar a generosa prodigalidade da experiência humana, muito menos para explicá-la.

Não sei.

O que vi foi um filme de enaltecimento do irracional, no prisma que talvez seja de sua competência. E isso sempre foi um poblema.

Ontem sentei pra pensar sobre o filme, na minha pequena catarse não furiosa, não destrutiva, não hormonal, e um poster ficava me dizendo que “O mistério da grande alegria é selvagem”. Normalmente eu ficaria puta da cara com essa frase de efeito. Defina mistério, defina GRANDE ALEGRIA, defina selvagem. E já pensaria em meia dúzia de conceitos de selvagem e de mistério e tentaria entender o grandealegria. Não que eu não tenha entendido a frase, no sentido subjetivo, captou?

Mas como fiquei com aquele filme martelando a meloa, cheguei em casa, bebi resto de vinho olhando a vista e pensando como gostaria de cobrir ela de pronomes possessivos. E tantas coisas e pessoas mais, pronomes possessivos. Se acreditasse neles.

E D.H. Lawrence falou que sexo é saudável, mas quando vai pro cérebro vira doença. Cada coisa com sua parte correta do corpo, tipo isso. Então o mesmo deve servir pro cérebro, é saudável, lindo, me alegra, mas acho que quando vai virando tu inteiro, vira doença, danação, choro e ranger de dentes, etc.

Traduzido no Braziu como “Tudo pode dar certo”, talvez fosse mais adequado como “Quem me navega é o mar, as vezes”.

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2 Respostas to “Whatever works”

  1. Messias, minha querida… tudo pode dar mais certo, se se deixar ao sabor do vento e da maré. Mas não esqueça o sestante e a bússola! Vela aberta e a mente também. Bjxx

  2. Queridíssimo. Siliga que demoro, mas eventualmente entendo. Hahahaha.

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