Até tu, manô?

Tou devendo dois posts aqui. Não que alguém se importe ou mesmo saiba, mas isso me incomoda. De toda forma, vou começar pelo fim, pelo último que escreveria, já que gastei toda a minha organização antes das quatro da tarde de hoje.

Então, dois dias atrás eu estava ouvindo um cd (sem julgamentos, seus indies) do Gil Scott e daí chegou no clássico abaixo:

E eu voltei meu pensamento para como as coisas mudaram de lá pra cá. Agora nós podemos, sim, ficar em casa, plug in, turn on and cop out e fazer uma revolução, blablabla. Até pq o centro do que ele quis dizer aí não tem relação alguma com qualquer interpretação tacanha deste tipo, ele estava falando, como eu vejo, somente, do negócio de que nada se faz só assimilando.

Por isso nenhuma revolução passaria pela TV, se tu ficasse em casa e simplesmente plug in, turn on e cop out. E isso tudo são idéias tão distantes que eu noto meu cérebro mal sendo capaz de entender que qualquer meio me obrigue a simplesmente assimilar, se eu quiser que ele seja revolucionário. Pro meu fucked up brain a forma revolucionária é qualquer forma empregada para este fim. Mas isto pq a minha cabeça agora, pós tudo, praticamente ignora qualquer modalidade de texto onde só ocorra a vinda.

Então, o que se perde com esse leitor que eu sou? Eu me transformei neste leitor por culpa da internet/tecnologia ou por ser eu? O fato de ser  uma leitora compulsiva/opinativa desde sempre influi?

Uma vez li uma defesa que dizia, nem lembro mais de quem era, que os textos fixos nos ensinavam sobre a morte. A incapacidade de alterar o final de um texto nos ensinava sobre perder, sobre destinos irrefutáveis, sobre a vida. E que nós, inseridos neste contexto de finais sem essa fixidez original, desaprendíamos isso e sofríamos mais. Então o autor defendía que um jogo, um texto online, que as modalidades diversas de texto nas quais temos mais poder dentro da cadeia criativa nos tornavam mais infelizes.

O que, se tu parar pra pensar, é meio altruísta. O que se faz em um RW [que é como o Lessig chama os textos onde o leitor pode opinar, os ReadWrite] é participar, trocar, complementar, não necessariamente alterar o final. Mas isso também se faz na vida. Um jogo, o mais próximo de um texto sem final fixo que eu consigo imaginar agora rapidão, ainda assim propõe alternativas fixas, que nem sempre são as que eu, jogador, gostaria. E isso é bem menos que a vida, como eu a vejo, ao menos.

E, digo mais, já alterei lembranças de finais de livros. Mas a ficção e a realidade não tem a mesma função na minha existência. Se tivessem, só precisaria de uma delas.

E Harold Bloom que é HB, ordinário de primeira, escroto maioral, curto ele bagarai, chega e diz que um dos formadores de um bom autor é a angústia da influência, que trocando em miguelão dialet segundo mal me lembro é, marromeno, acabar de ler Os Cantos e dizer: PQP CARALHA TO CEGA, mas acho que faria algumas coisas diferente, possivelmente melhor, tal e tal e tal. E fazer, claro.

E digo isto tudo para comentar comentário do Jack White, que acredita que a internet profana a música. A tumba do cânone, meu amigo, é tão 90s. Profanar é o nome que tu dá ao que eu vejo como uma nova maneira de vender se formando, uma maneira menos centralizada e uma maneira mais angustiada. Não melhor, não pior, nova. Daí ele paga de Lily Allen e diz ainda, sobre A INTERNET:

“Of course, after reading about three words of someone’s comment at the bottom of an article I turn off”

Não tolerar os outros é a onda do verão, né? Bom, mas tudo começou com aquele papinho de igualdade como pretexto pra justiça. Logo o JW, maior pose de diferentão e não consegue sobreviver a comentários. Po, esperava mais. Sério, mesmo.

Mas vá, cada um faça o que quiser. E isso que defendo isso aqui, fazendo o que quero. Isso, claro, respeitando as regrinhas da sociedade que são: não virar o Bono. Desde já obrigada.

Celebrando isso, vamos ouvir com muito respeito um WS:

Uma resposta to “Até tu, manô?”

  1. […] o blog da Mari Messias, deparo-me, no meio de um post longo e cheio de mimimi, com a seguinte citação: E Harold Bloom […]

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