Nossa cidade é muito grande e tão apequenada

Curti muito este post do Marcelo Soares, chama O triste caso da cidade que se apequenou e só notou quando viu a sola do chinelo sobre sua cabeça e cito um pedaço pro leitor não voraz, como a alvorada voraz, já que o leitor voraz vai ler todo, como manda o figurino:

A Cláudia Laitano acha que Porto Alegre está se apequenando. Ela vai direto na jugular do problema:

“Podemos colocar a culpa na Sedac, no fato de a secretária Monica Leal não ter intimidade com a Cultura ou na constatação óbvia de que o atual governo do Estado não considera a área cultural um assunto realmente relevante, mas é preciso levar em conta que boa parte da culpa desse marasmo é de todos nós que vamos ao cinema e frequentamos (ou gostaríamos de frequentar) centros culturais. Minha sensação é de que Porto Alegre está “se apequenando”, se conformando com o marasmo da cena cultural como um todo, com poucos cinemas com programação fora do mainstream, com poucos centros culturais atuantes, com pouca ou nenhuma política cultural pública. A cidade está encolhendo, e nós com ela. E a área cultural é o melhor indicador desse fenômeno.”

Eu cheguei à mesma conclusão, também – e já faz dez anos. Meu sogro chegou à mesma conclusão também, depois de conhecer a oferta de programação cinematográfica de São Paulo e de ver que, por mais obscuro que seja o filme, sempre tem gente assistindo. E não é um ou dois.

O processo de apequenamento de Porto Alegre vem ocorrendo há anos, e é surpreendente que os remanescentes precisem do baque do fechamento da sala Norberto Lubisco para constatar isso. Eu comecei a notar isso no final dos anos 90, quando a banca da Praça da Alfândega deixou de ser a melhor da cidade. Se há 15 anos ela tinha todas as revistas importadas mais fascinantes e jornais do Brasil inteiro, hoje ela é especializada em vender apostila de concurso público e DVD pornô. Depois, os cafés da Rua da Praia começaram, um a um, a virar financeiras de empréstimos com crédito consignado.

Rolava um sucateamento muito claro, mas o discurso oficial era que o Rio Grande ainda era grande. O problema fundamental é econômico – grande parte do boom imobiliário de Porto Alegre nos últimos anos se deve ao preço internacional dos grãos plantados no interior. Na cidade, as oportunidades estão em fazer concurso público. O pessoal que gosta do desafio de criar e empreender, como bem lembrou o Alexandre de Santi no primeiro comentário aí embaixo, acaba desistindo de dar murro em ponta de faca e vai embora. E é esse pessoal que movimenta bons cinemas, boas livrarias, boas bancas.

(…)

Foi uma mediocridade arduamente conquistada com muito esforço da parte de cidadãos, governos, empresas e imprensa. Mérito é mérito. Sirvam suas façanhas de modelo a toda a Terra.

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