Um final apoteótico

Eu tentei evitar assistir qualquer coisa além de Lessig nesta sexta-feira com cara de quase decandência aqui no Galpão Crioulo da Campus Party, mas fui praticamente atropelada pela campanha pra presidência, digo, pela Marina Silva e pela Dilma, que vieram. Bom, eu sei lá o que elas vieram fazer.

Marina Silva falou ali no cantinho onde o pessoal do Partido Pirata sempre fala. Barcamp. Falou aqueles papos dela, lá, que soam coisa de quem acredita em partenogenese. Quer dizer. Poisé. Dilma quase esfregou em mim sua body modification de madamA, acho style pacas, mas naquela vibe: por mim tudo bem, mas pq logo agora?

Aliãããs, saca que políticos usam sempre a mesma sílaba tônica, um lance pastorinha.

E nesse meio tempo, Lessig  arrumava sua apresentação, acompanhado por uma platéia de 7 ansiosos emocionados. Logo depois ele saiu para dar uma banda com Ronaldo Lemos. E isso não é uma daquelas historinhas que eu faço na minha cabeça antes de dormir, saca?

A apresentação não foi amparada por nenhum suporte tecnológico ao público, como todas as outras. Não teve cabos de energia, nem de rede. Por mim tudo bem, eu não usei nenhuma vez. Odeio flooders de twitter e odeio anotar no computador, acho enorme, acho que os outros olham, acho tudo uó [o que só me lembrou da urgência da minha próxima aquisição nerds que desejo desde 31/12/08: o micro note].

Mas, enfim, antes de partir pros finalmentes, vou linkar um post anterior que tem um trecho do REMIX, último livro dele, que foi a base essencial da palestra e vou dividir a definição de free dele que mudou minha vida:

Uma cultura livre apóia e protege os criadores e inovadores. Ela faz isso diretamente garantindo direitos sobre a propriedade intelectual. Mas ela o faz também indiretamente limitando o alcance de tais direitos, garantindo que os futuros criadores e inovadores mantenham-se o mais livre possível dos controles do passado. Uma cultura livre não é uma cultura sem propriedade, da mesma forma que um mercado livre não é um mercado aonde tudo é liberado. O oposto de uma cultura livre é uma “cultura da permissão” — uma cultura na qual os criadores podem criar apenas com a permissão dos poderosos ou dos criadores do passado.

Essa definição tirei do Cultura Livre, que junto com o Code, baixei online, tem free, busquem, super vale.

Bom, o papo todo do Lessig é basicamente um comparativo entre política e cultura. Política democrática como deveria ser, como é sendo corrompida, corrupta. Nem vou explicar, ESTAMOS NO BRAZIL. Cultura como deveria ser, como é sendo corrompida, corrupta, idem. Cultura de RW [read and write – com interação] e cultura de RO [read only – só de absorver conteúdo].

Seguindo, Lessig falou como a política criou um sistema que acaba por ser um processo autofágico autotrágico de promessas de recompensas futuras, onde um apoio é recompensado com dinheiro, vice-versa e não existe futuro, não existe livin la vida freestyle, tudo está traçado. É um pathós muito feladaputa. Não estou falando da Yeda, acho ela gente finíssima. [boca cheia de formiga quem curte]

E também assim a cultura de consumo [RO] corrompeu a cultura como a conhecíamos pré-tecnologia, que envolvia troca. E cita o exemplo do Sousa, que ta no REMIX, cara que defendia ferrenhamente uma legislação de direito autoral de sua época e, por isso mesmo odiava as eletrolas. Achava que essas coisas iam ser BAD RUSSIANS dos músicos. Falava das pessoas cantando na rua, como isso ia acabar, tralalala.

Coisa que, bem ou mal, é ilegal no Brasil se tiver um tímido que resolve não cantar e só assistir. Ou seja, nunca me convidem, o ECAD pode pintar por aí. Aliás, Lessig não esqueceu o ECAD, ein, amigs. Ele disse mais ou menos isso, cito quase literalmente:

Devemos combater organizações que supostamente falam pelos artistas e não falam. Elas só combatem mudanças.

E seguiu dizendo como elas defendem a estagnação, o elitismo, tudo mais que é o fundamento da sociedade como a conhecemos.

Enfim, levando o Remix como base, Lessig reafirmou a beleza dessas culturas de miscigenação, de não corrupção mas ilegalidade. E como essa ilegalidade corrompe a própria idéia fundamental do direito. Sério, leiam o post anterior, tem uma citação foda do livro que esclarece muito, já disse isso, né? Enfim, ele citou isso na palestra.

Pra finalizar ele falou de Brasil. De como ele nos vê: do Gilberto Gil, de como ele acha que nós estamos liderando o mundo, apresentando progressos reais e temos oportunidade de permitir uma verdadeira sociedade de REMIX na ampla acepção do termo, como ele a define: onde todos podem criar, misturar, discutir, debater, sem ter que pedir permissão, se tolher, ser criativamente escravos.

Não deu tempo de ler ainda, mas divido o link que ele lançou. Quero acreditar, mas eu vivo aqui, não acredito que o Gil é isso que ele vende e, olhe pros lados. Mas vamos lá, desistir nunca, render-se jamais.

Depois disso ele nos chamou pra viver o free em todos os aspectos da nossa vida. Po. Demorou, amigos. Bora criar nossa própria ONU. ONNU. E viver uma sociedade free, que se baseia em princípios P2P, troca, respeito mútuo, Bakunin ta te vendo, ein, QUE FEIO.

[reformulo o adendo, que gerou duvda: roubo, plágio, cópia, trabalho escravo, chame como quiser, não é o mesmo que free. aqui falando do que conheço. usar plágio como outro nome de paródia, referência, homenagem, citação indireta ou direta devidamente creditada, é uma maneira de questionar o contexto de originalidade somente. o princípio todo é não restringir o pensamento pelo próprio pensamento, como na idéia de que desculpamos comportamentos imbecis com comportamentos imbecis: se eu não fizer alguém faz. dignidade está diretamente atrelada a saber prestar reverência, saber se colocar, saber ver. humildade não cristã: reconhecer o bom e o mau e creditar, sem que isso afete o rumo da produção. sounds óbvio demais, mano.]

Finalizando, Lessig encerra essa semana que me fez ver que tem muito mais gente pensando os temas que eu penso [além de Milton e Seibel] e isso é um alívio tremendo. Muitas vezes me senti falando pras paredes. Literalmente. Aqui nem tem parede. E tem gente bagarai. É a prática de um mundo mais free em tudo, inclusive mais free de preconceito, que só ouvi uma babaca usar nerd pejorativamente. Adoro o colégio ter acabado.

FUNNY FACTS:

  1. Sabiiiiiiiiiiiiia que ouvi dizer que o Dahmer se recusa a vir pq a Telefônica patrocina? Acho muito muito massa e coerente. Amo muito tudo isso. Vocês tem lido os Quadrinhos dos anos 10? PORRA, DEMOROU.
  2. Saca o favelismo trendy? Chegou aqui. Galera colocando papelão na barraca pra isolar do frio direto. Palha demais.
  3. E por falar em tendências questionáveis: comida de cadeião é uma delas. Não consigo digerir essa. Paguei e não comi. Palha. A dica é: não mata os guri, Medéia

Beijs

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