Everybody was Campus Party

DIA 1 da invasão zumbi

Como um dos maiores eventos de tecnologia do país, antes mesmo de chegar já tenho algumas reclamações sobre a CP. O site é tosquíssimo. A agenda é incompreensível. Não existe busca nela, os assuntos são mei bizarros. Uma amiga me ligou pedindo direcionamentos sobre como comprar ingressos. OI. Coisa que eu demorei um bom tempo pra achar. Eu que não sou n00b. Hshs. Ela também não é, btw.

Bom, além disto, o evento acontece muito longe. Todos os meus amigos paulistas me disseram: ah, mas como é um evento gigante, lá na pqp, eles devem ter vans até o metrô, até algum lugar central. Não tem. Ok, a estrutura é todo criada para que vc fique aqui, acampe. Mas obrigar o sujeito a comprar esta idéia é americanismo, não cola mais. Por isso acho que a CP tá com os dias contados. E isso tu olha na cara dos passantes. Imagino que bem mais populares que nos outros anos.

Os caras pensam: estamos lotados, quem reclamar vsf, não quer não vem. Roma tb pensou assim amigs. Ninguém sabe dar infos direito. Entrei em 3 filas. Esperei 1´30 pra entrar.

Por outro lado, não posso negar a emoção que senti de avistar o toldão da feira ao longe. Desde a primeira edição quis vir, como boa nerd desde antes de ser uma coisa boa ser nerd. É como aquele texto que postei :

There was a time–yes, my children, the legends are true–when J.R.R. Tolkien was not cool. Really. Very much not cool. Also video games, and Spider-Man, and the X-Men.

Nessa época as coisas eram mais difíceis pros nerds, por isso eramos mais unidos, como são os povos que vivem sob ameaça. E as coisas não eram como são agora, também, com o próprio conceito do que é ser nerd. Ser nerd era uma batalha constante e foda. Poucos sobreviviam. Mas isso foi antes de 300 virar filme e podíamos pensar em Leônidas e Molon Labe sem aftertaste amargo nenhum.

Esses dias pensei que essa galera das exatas anda muito tosca. Lembro da minha juventude quando os programadores liam mais filosofia que eu. E é sobre essa época aurea que veio nos falar o Kevin Mitnick. Na verdade ele veio nos falar de antes, mas vamos pensar que foi dessa época pq nessa época fizeram um telefilme sobre ele, ele virou o cara: cracker e hacker, acho. Ah, sei lá. VSF PFV BEIJS AMIGS.

Mas, enfim, eu sabia que ele seguia  sendo o cara pq ícones são ícones e ele tem uma história muito cheia de reviravoltas como só o pessoal do arté consegue. E por isso imaginei que estaria lotado. Daí tb descobri que ele era atração principal. O que ajudou.

Mas  ele começou com uma apresentação inicial desgostosa. Cafona. OMG. Risadas na platéia. Eu fiquei confusa.  Daí ele deu uma palestra sobre o que ele chama de social engineer, que são pessoas que hackeiam as outras. Saca?

Numa época que todo mundo fala de dividir contribuir repensar ações ser qualificado pra falar fazer ele vem me ensinar a passar a perna, a ser manipuladora, escrota.

Aí me ocorre: o que os US fizeram com o MITINIQUI? Mas já na colada lembro do livro que tou lendo onde o Eagleton fala sobre a importância de formular perguntas, aquilo tudo que até ja comentamos aqui, ser maior que a importância de responder muitas vezes.

E roubo a citação de King Lear dele: I´ll teach you differences

Ele vem nos ensinar que todos querem nos passar a perna, nos substrair informações, que não existe relacionamento puro. Ela vem nos ensinar um fantasmático endiabrado.

Por outro lado, a mensagem do Mitnick é a mensagem da geração dele, uma geração que vivia em um homem só. Todos juntos reunidos numa pessoa só. Uma geração de egos, que foi soterrada por mudanças mais rápidas que ela tava preparada pra encarar.

Não tinham existido nunca no mundo mudanças como estas, né. Nós vemos isso all the time, mas, saca. Naquela época as coisas eram como no Gênesis, demoravam 150 anos de GESTAÇÃO. Hshs.

Ele continua um ícone, as pessoas demonstram afeto, demonstram que curtem e admiram os feitos, mas tb demonstram que o discurso não faz mais sentido.

O momento alto foi quando ele fez o que sabe, crackeou o celular de um fotógrafo que se ofereceu. Comoção. Os trechos de histórias foram divertidos. Ele é simpático. Mas o resto foi solitário e saí decepcionada e cansada, mas com vontade de dar um abraço nele.

Então rumei pra mesa sobre Games, Mídia e Regulação. Não pude ver inteiro por uma série de confusões, mas que bela exposição de idéias. Que belas idéias. Que belas pessoas.

De certa forma eles tb falaram sobre o que Mitnick sentia, uma ansiedade regulatória, o desconforto que manifestamos diante das novidades e como as pessoas regulam sobre isso quando tem poder e desconhecimento e os danos disso.

Gostaria de ter anotado melhor, ter visto mais. A parte de legislação me atrai muito, como se sabe. Acho que quase sempre podemos nesses regimes de exceção pra falar de quase tudo na vida.

Os negritados são expressões que roubei do que ouvi lá.

E agora, daqui de onde vejo, o povo se reúne e ovaciona e lota a apresentação do Jovem Nerd, provando o que eu disse lá no primeiro parágrafo. GPA TDB

BEIJSNÃOIREIJAMAIS

[e depois falo da soundwalk que EU AMO QUERO SER GRANDE, SACA]

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