Fail better

MOMENTO AUTO-AJUDA DE SI MESMA: FIZ MERDA, MAS SORRÜ

O mundo certamente não é um lugar pacífico, easygoing. O mundo das nossas cabeças e pequenos problemas reproduz a estrutura do mundo que vivemos, logo, o mesmo se aplica. Ou, ao menos, assim deveria ser. Muitas vezes é o contrário e nos perdemos em emaranhados sem sentido/motivo, cuja unica função é nos guiar pela mão até as portinholas do Hades. É o caso clássico de viver dentro ou fora da cabeça. Acredite, estive lá e não é um lugar bonito. Não no Hades, que não sou Orfeu, claro. Algumas pessoas aprendem a minimizar os danos de fora com o mundo de dentro, são as sortudas. E sorte, como diz o cientista, não tem relação alguma com sorte.

Mas o que eu queria dizer, mesmo, é que tem uma quote clichézona do Beckett assim:

Ever tried. Ever failed. No matter. Try again. Fail again. Fail better.

E, nesse sentido, valem todas as máqsimas de vida que eu carrego no peito, que me lembram o quanto eu tive que ser teimosa (coisa que sempre me disseram ser meu pior defeito) pra poder chegar no momento interno no qual me encontro, um momento de, veja bem, sonho americano, alegria não eufórica. É, no caminho deu merda e, ja diria a profecia:

You can’t always get what you want, but if you try sometimes you just might find you get what you need. Ouié, wuhu.

Junot_wao_coverE tudo isso eu trago para falar do livro em prosa que mais me agradou nos últimos muitos tempos. Chama-se The Brief Wondrous Life of Oscar Wao. Prometo não lançar spoilers, tendo em vista que o livro é muito melhor que a maior parte das vidinhas marromeno que tenho visto por aí, ie, ficção de superar a realidade, ie, LEIAM. De toda forma, Wao é um  adolescente nerd de cabelo ruim que vive no mundo da cabeça. Sim, bem parecido com todos que devem estar lendo isso, olhando em flashback. E, além de um ser interessantíssimo, Wao é um doce de criatura e nos cativa e nos fazer odiar o autor que não fez todos os capítulos narrados por ele.

*minha teoria*

E, enfim chegamos onde eu queria chegar. O autor, Junot Diaz, ganhou um pulitzer com esse livro. Eu lia nas biografias dele que ele escreveu um conto ducaralho (nunca li), pro qual todos pagaram pau afu, e só ONZE anos depois publicou Wao. Sentia muita empatia pelo possível sofrimento que ele passou nesse meio tempo, e pelo possível trabalhão que ele teve ao longo dos anos superando a crise de vazio e fazendo um livro que te consome a vida e consome a vida dos leitores. Como Ulisses, Os Cantos, Os Lusíadas.

Nesse mundo instantâneo que vivemos e no qual as pessoas se unem em pequenos clãs de adoração aos deuses do marasmo, um livro sempre tem um prazo menor de feitura que deveria. Um bom livro, como um bom whisky, demora mais tempo que os leitores gostariam. E o autor precisa sobreviver.

Por isso Leminski disse que a vida é curta demais pra mais de uma idéia. Um bom livro pro autor, que nem sempre é um bom livro pros leitores, é como um obsessor colado no sujeito, sugando sua vida. No melhor estilo Stanislavski, um escritor entra no mundo paralelo, segue o tempo-ritmo dele e adiós, amigos. Não é por nada que escritores são os únicos, além dos religiosos extremos (outra forma lindíssima de ficcionalizar a vida) que tem estigmatas. Dos seus personagens.

Mas, ei, nada disso é simples. Lembro de Assis dizendo em sua oficina, que tinha falado para um sujeito: Ora, se te dói tanto escrever, abandone. Não concordei. Não sou adepta das criações pasteurizadas. Não que o meu autor ideal precise sofrer, mas ele vai, em algum momento. Ele é um perfeccionista, afinal. E qual a única maneira de atingir a perfeição-possível? TENTANDO.

Mas, ah, todas as melhores coisas da vida envolvem algum sofrimento e muito muito prazer. E, depois de sofrer, ele vai atingir um nirvana. Regozijo. Se conseguir o que quer, ou chegar perto, acabar, orgasmo cósmico, como diria Walter Mercado.

*fim da minha teoria, começo da teoria do Junot*

E, então, Junot Diaz, nesse lindo texto que me foi enviado pelo cabeçãozinho Daniel Pellizzari (um autor e tanto, deve sofrer afu) diz:

Want to talk about stubborn? I kept at it for five straight years. Five damn years. Every day failing for five years? I’m a pretty stubborn, pretty hard-hearted character, but those five years of fail did a number on my psyche. On me. Five years, 60 months? It just about wiped me out. By the end of that fifth year, perhaps in an attempt to save myself, to escape my despair, I started becoming convinced that I had written all I had to write, that I was a minor league Ralph Ellison, a Pop Warner Edward Rivera, that maybe it was time, for the sake of my mental health, for me to move on to another profession, and if the inspiration struck again some time in the future…well, great. But I knew I couldn’t go on much more the way I was going. I just couldn’t. I was living with my fiancée at the time (over now, another terrible story) and was so depressed and self-loathing I could barely function. I finally broached the topic with her of, maybe, you know, doing something else. My fiancée was so desperate to see me happy (and perhaps more than a little convinced by my fear that maybe the thread had run out on my talent) that she told me to make a list of what else I could do besides writing. I’m not a list person like she was, but I wrote one. It took a month to pencil down three things. (I really don’t have many other skills.) I stared at that list for about another month. Waiting, hoping, praying for the book, for my writing, for my talent to catch fire. A last-second reprieve. But nada. So I put the manuscript away. All the hundreds of failed pages, boxed and hidden in a closet. I think I cried as I did it. Five years of my life and the dream that I had of myself, all down the tubes because I couldn’t pull off something other people seemed to pull off with relative ease: a novel. By then I wasn’t even interested in a Great American Novel. I would have been elated with the eminently forgettable NJ novel.

So I became a normal. A square. I didn’t go to bookstores or read the Sunday book section of the Times. I stopped hanging out with my writer friends. The bouts of rage and despair, the fights with my fiancée ended. I slipped into my new morose half-life. Started preparing for my next stage, back to school in September. (I won’t even tell you what I was thinking of doing, too embarrassing.) While I waited for September to come around, I spent long hours in my writing room, sprawled on the floor, with the list on my chest, waiting for the promise of those words to leak through the paper into me.

(…)

That’s when I should have put everything in the box. When I should have turned my back and trudged into my new life. I didn’t have the heart to go on. But I guess I did. While my fiancée slept, I separated the 75 pages that were worthy from the mountain of loss, sat at my desk, and despite every part of me shrieking no no no no, I jumped back down the rabbit hole again. There were no sudden miracles. It took two more years of heartbreak, of being utterly, dismayingly lost before the novel I had dreamed about for all those years finally started revealing itself. And another three years after that before I could look up from my desk and say the word I’d wanted to say for more than a decade: done.

(…)

You see, in my view a writer is a writer not because she writes well and easily, because she has amazing talent, because everything she does is golden. In my view a writer is a writer because even when there is no hope, even when nothing you do shows any sign of promise, you keep writing anyway. Wasn’t until that night when I was faced with all those lousy pages that I realized, really realized, what it was exactly that I am.

All my loving I will send to you, Junot. Danke por tudo, valeu a pena, irmão.

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3 Respostas to “Fail better”

  1. Remember the fukú.

  2. ao completar dexoito años

  3. Paulo Fernandes Says:

    foda
    foda
    e
    foda

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