Falar do que não se sabe

Quando eu era jovem ainda jovem ainda eu fiquei obcecada por sabishisa durante algum tempo, pro ódio mortal do João Ricardo (que faz uma vozinha irônica falando e tudo. hshshs). Diz a lenda (hshs) que Bashô se confrontou primeiro com o conceito de sabishisa quando seu amigo de juventude morreu. Solidão Solitude absoluta. O que esse tipo de coisas trouxe pra minha vidinha teenager feelings foi a necessidade de me confrontar com percepções sem sentimentalismos desnecessários, quase racionalmente, quase haikaistamente. Não que eu consiga, por isso necessidade, sacou?

Existo. Isso existe.

Sabishisa é aquilo que, eu acho, divide nossa vida em duas fases: quando notamos que. E antes, quando não era bem assim. Como no final do Retorno do Rey. Sabishisa de Sam:

Do not be too sad, Sam. You cannot always be torn in two. You will have to be one and whole, for many years. You have so much to enjoy and to be, and to do.

Lendo, esses dias, um Google Book sobre wabisabi, voltei a entrar em contacto brevemente com sabishisa (de maneira teorica). Nunca mais tinha encontrado nada sobre e cheguei a crer, mesmo, que tinha criado isso na minha mente desvairada de jovem. Mas então, eis o que dizia:

Along this path
There are no travelers
Autumn evening

Bashô

Por fim, seguindo esse post sobre coisas que desconheço, o livro voltava a citar um negócio que o WCW falou (claro, WCW é haikaista as can be). O livro não citava o WCW, mas falava sobre o poder de subentender do poema, algo que ele disse. O tamanho do poema seria inversamente proporcional ao que ele pode subentender. Isso também é sabishisa, como em, eu cito:

“Sabishisa , loneliness, is the haiku equivalent of Mu in Zen, a state of absolute spiritual poverty in which, having nothing we possess all.”

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6 Respostas to “Falar do que não se sabe”

  1. This mountain where cedars rise
    Into the autumn dusk

  2. to be alone/it is of a color/that cannot be named/this mountain where cedars rise/into the autumn dusk

    (Jakuren)

  3. De toda forma, seguindo no maconhismo. Em SAM (2003) vemos o claro papel alumiador de sabishisa. Onde ele deixa de possuir seu todo anterior, Frodo, e nisso passa a ter seu todo posterior, a vida no Shire.
    Por isso não convém tratar o conceito fanhamente, conforme em RICARDO (1999-2003), mas ver nele algo que é o começo-completar do ciclo. Como a sabedoria pela ignorância, em teoria aí o poeta adquire a verdade poética.

  4. transcendeu o maconhismo. ácido, no mínimo.

  5. Paulo Fernandes Says:

    isso parece disco novo do Caetano pra mim

  6. siliga, não tem nada sobre amor aqui
    é totalmente compreensivel
    hahahaha

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