A arte de amar

(nota minha: não, não essa)

Não faço poemas como quem chora,
nem faço versos como quem morre.
Quem teve esse gosto foi o bardo Bandeira
quando muito moço; achava que tinha
os dias contados pela tísica
e até se acanhava de namorar.

Faço poemas como quem faz amor.
É a mesma luta suave e desvairada
enquanto a rosa orvalhada
se vai entreabrindo devagar.
A gente nem se dá conta, até acha bom,
o imenso trabalho que amor dá para fazer.

Perdão, amor não se faz.
Quando muito, se desfaz.
Fazer amor é um dizer
(a metáfora é falaz)
de quem pretende vestir
com roupa austera a beleza
do corpo da primavera.
O verbo exato é foder.
A palavra fica nua
para todo mundo ver
o corpo amante cantando
a glória do seu poder.

Thiago de Mello

(quando eu era jovem ainda Moj se chocava: tu gosta de Thiago de Mello? Wot? Pois sim, um dos poetas favoritos do meu pai, amazonense como Moj, Mello é um doce altruísta. E me perdoem, eu acho que conservar um pouco de altruísmo é necessário, mesmo quando não faz sentido, mesmo quando é uma questão de pura fé. E o que não é questão de pura fé dado momento? Deus, Zeus, Eus. Buracos brancos, teorias em geral, todas as coisas que não comprovamos mas que deixam a vida mais ZIZEKOLÂNDIA. É, ainda não superei. Me deixam.)

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