Eram os deuses lobisomen?

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Então, todos sabem do fuku (zafa) de sextas-feiras treze, aquela coisa de santa ceia, Loki, blablabla. E todos sabem das lendas de loucura e mutações das luas cheias, mas (e cito uma frase que guardei faz tempo NO CORAÇÃO) “But, hey, it´s only a story, with no solid evidence, the kind of shit only a nerd could love”, como diria Junot.

Eu tive uma epifania esses dias pelo motivo mais idiota nadaver do mundo e fiquei me lembrando do texto de um indiano que eu li faz anos nem sei onde mas nunca esqueci o contiudo. Acorre que o cara teve sua epifania suprema da vida que parecia um surto maníaco mas muito mais doce onde ele descobriu a presença do divino em tudo. Na porta, na flor, na pedra, nos animais. E começou a louvar absolutamente todas as coisas e dançar alegremente, tudo era mágico e lindo.

O que me leva de volta pro meu negócio, onde o que quero dizer é que não importa a forma, o teor, a fonte, o ineditismo, o academicismo da epifania. Importa o resultado final.

Ie, se de onde menos esperamos vem a solução pro que não estavamos nem nos perguntando mas era, afinal, a questão. (Catatau, pagina 26)

Deve ser por isso que dizem que olhar diferente aumenta a criatividade, que Lynch veio pra nossa terrinha suada falar de fervores búdicos alimentando sua produção. São tudo formas de ver.

Me agrada muito lembrar do dia que eu vi Silvio Santos. Todos nascemos olhando para a cara de Sílvio Santos tanto que já nos acostumamos. Ele é mobília da casa brasileira mas, segundo o indiano, é deus e é mágico. Um dia eu olhei de novo e vi. E o que vi me horrorizou. Ele é feio, mais que feio. Ele é o bastião do feio e cafona, está entre os seres mais anormalmente feios e cafonas que acho que já vi. Repare na boca, repare na roupa, no jeito de falar. JESUSA, viro uma supernova só de pensar.

Desde então eu notei que belo, feio, marromeno, aceitável não são bem conceitos sobre os quais devamos concordar, afinal. Ein, Eco, puxei teu tapete bonito. Quem acha que uso isso de desculpa que pense em Cameron Diaz como gata. AFE. E tenho dito.

Mas isso é bom, poxa. Não estamos mais no colégio e pra que ser como devemos se podemos ser como nos funciona melhor, independente de onde isso nos levar, ja diria Otaviano, que ruma ao posto de novo Silvio Santos e pega aquela mulher que diz que adora se sentir desejada. Que casal. Uf.

E, pra finalizar, cito belo poema da Hilst. Essa, sim, sublime de fato (não comemorativo Barbie Ionesco). O poema fala sobre formas de olhar no amogzinho. Mas. Ah, va.

Se te pareço noturna e imperfeita
Olha-me de novo. Porque esta noite
Olhei-me a mim, como se tu me olhasses.
E era como se a água
Desejasse
Escapar de sua casa que é o rio
E deslizando apenas, nem tocar a margem.
Te olhei. E há tanto tempo
Entendo que sou terra. Há tanto tempo
Espero
Que o teu corpo de água mais fraterno
Se estenda sobre o meu. Pastor e nauta
Olha-me de novo. Com menos altivez.
E mais atento.

:~

casacomigomorta?

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