Slacker Pride

Atenção, eis um post super positivo, pra variar um pouco:

Quem me conhece sabe que eu nutro leve obsessão pelos conceitos de geração X & Y.

Eu, um quase estereotipo da Gen X em alguns aspectos, com amigos profundamente X, me deslumbro com vários nuances da Y, sem querer soar Suzana Vieira, que eu considero uma evolução do que fomos até então.

E admiro, mesmo, a capacidade de pensar que tudo pode ser resolvido. Can we?, eu pergunto, e eles respondem: Yes, we can. Hshshs.

Nos últimos tempos que andei enfrentando a burocracia kafkaniana do mundo, um grande amigo Gen Y me ajudou a ver que tudo pode ser resolvido, sem saber, talvez. E eu realmente acho que só um Y poderia pensar assim.

Eles são menos pessimistas e, por consequencia, menos melancólicos. Nós passamos boa parte da nossa adolescência vivendo em fronteiras de mortes. Não foi ruim, os que não viraram cínicos (como o Churchill, não como o Diogenes) viraram essas pessoas maravilhosas que eu amo. Cheio de noções do sofrimento, da necessidade da compaixão, mas com bem menos noção de alegria que deveriamos, em geral.

Nós sempre deixamos de lado a frugalidade da sobrevivência o cotidiano pelo atordoamento de viver intensamente. Eles nos ensinam, com suas técnicas avançadas de culinária, que isso constitui viver. Que existir não precisa ser viver-exaltado pra ser bom.

Isso tudo foi lindamente ironizado no Time to pretend do MGMT (que é total Gen Y):

I’m feeling rough, I’m feeling raw, I’m in the prime of my life
Let’s make some music, make some money, find some models for wives
I’ll move to Paris, shoot some heroin, and fuck with the stars

Por outro lado, lendo um texto muito bacana hoje me dei conta que eu via menos méritos na minha geração que deveria. E cito:

We jumped from job to job. Put off marriage. Never bought a place. And we never heard the end of it. We were drifters, they said. Layabouts. No respect for work and real estate or the value of a good pair of cufflinks.

But now, in the cold glare of a recession, everything looks different: We’ve got no house to lose, no career to dash, no school-aged children in need of pricey Wii gaming systems.

Not recession-proof, exactly, but recession-resistant, at least.

(…)

But in retrospect, it’s clear that we did something right. We lived a smaller life, a life we could afford. And as the country rebuilds the economy, as it tries to replace it with something more sustainable than a leaning tower of subprime mortgages and consumer binging, it is time to reevaluate that much-maligned Gen X archetype: the American Slacker.

“Slacker,” like most labels, has always been a crude and misleading shorthand. We were a bit aimless, us urban, liberal-arts types. We were a little too enamored of irony, perhaps. A little too frivolous.

E Mallrats nunca pareceu tanto um hino sobre a importância de uma vida mais sincera&frugal, né mermo?

Anúncios

12 Respostas to “Slacker Pride”

  1. Tu se acha estereótipo de X porque é VINTAGISTA, já que por todos os critérios conhecidos pela humanidade tu pertence à Y :-)

  2. não sonha, pellizzari
    NÃO SONHA

  3. In Generations, Howe and Strauss use the years 1982-2001 as the birth years of the Millennial Generation
    (and I rest my case)

  4. a matéria do Boston.com me parece uma tentativa, quase angustiada, feita por alguém em dúvida sobre as próprias escolhas, de se justificar/desculpar para si mesmo, tendo A CRISE como referencial e um pouco de poética beat como analgésico.

    mas a crise, cedo ou tarde, terá passado, então o argumento terá perdido sua validade. além do que, o cenário brasileiro está muito distante do cenário norte-americano, portanto acredito que as premissas de lá não se encaixam muito bem por aqui.

  5. não acho que a crise passa. a crise que enfrentamos, como as antecessoras, altera moldes da sociedade e passa a fazer parte da idéia da mesma, isso é o que acho.
    concordo que, sim, cenários diferentes. mas não acho que incrivelmente diferentes, como gerações atras. não a ponto de invalidar a cronica do sujeito que pensa o lado positivo do slackerismo.
    coisa que eu não colei e que acho bem relevante pra fundamentar o que disse aí em cima é:
    We brought you the Internet, worked on green technology, and filled the ranks of Teach for America. We crossed the color line, ate local produce, and bought secondhand clothing. We lived in smaller spaces, drove smaller cars, and took the subway to work.
    Padrões que, em certo sentido, nascem em crises anteriores e se mantém em crescimento, burlando os padrões de até então em busca de novos, em surgimento em crescimento.
    Não literalmente estes ou aqueles, mas afinal de contas, o nobel foi pro Al Gore, a TEC existe, nós não conseguimos pensar a vida sem internet, compramos online, eu compro organico e bolsas-cafonas-de-marca viraram coisa de camelo e gente de gosto duvidoso.
    mas, claro, nada é universal. toda teoria que fala de grandes grupos fala de maiorias, sempre tem quem não se encaixe.
    (adendo: se a referência ao cenário brasil/usa foi ao cenário de crise acho que vale ainda menos. não existe país no mundo que seja capaz de sair ileso de uma crise dessa magnitude de uma potência dessa magnitude. até japão, eldorado do consumo nerd, está fodido. nem a china sai ilesa. que dirá o brasil, onde basta espirrar pra nossa estabilidade financeira avoar)

  6. evidentemente uma crise acarreta mudanças em um ou mais contextos. afinal de contas, até mesmo morfologicamente é isso que o termo significa. mas, considerando que crises são caracterizadas como “estágios”, em algum momento elas devem ser “encerradas”. ou isso ou ainda estaríamos vivenciando a Crise de 29, já que, de alguma forma, os eventos daquele episódio ainda hoje têm influência no nosso contexto.

    quanto à diferença de cenários EUA x BRA, eu realmente os considero bem distantes, sobretudo na questão econômica, que é usada como pano-de-fundo para encabeçar o artigo do Boston.com. embora alguns nichos nacionais tenham sido bastante afetados pela crise, de modo geral a economia por aqui continua aquecida, e por isso não percebo como um “slacker brasileiro” poderia usar o mesmo argumento.

    por outro lado, MM, eu não estou em nenhum momento questionando os feitos e méritos da assim-chamada-geração-x, tampouco menosprezando o “lado positivo do slackerismo”, como você disse. pelo contrário, eu não apenas os reconheço totalmente como também lhes sou simpático [pelo menos em parte]. no primeiro comment, eu me referia [ou tentava me referir] especificamente ao tom do artigo, aquele CHORAMINGO com entrelinhas MELANCÓLICAS, como se dissesse NO FIM DAS CONTAS NÃO ESTÁVAMOS TÃO ERRADOS QUANTO NÓS MESMOS SECRETAMENTE ACREDITÁVAMOS ESTAR, porque esse tom, largamente utilizado pela tal geração, tem um quê deprimente. é como se, embora sempre incisivos em suas afirmações, “esse povo” inevitavelmente estivesse sempre com um pé atrás e pelo menos quatro dedos cruzados. enquanto isso, as novas gerações parecem menos estressadas consigo mesmas e com as inevitáveis situações em que perceberão que estão erradas sobre alguma questão. nessas horas, eles simplesmente dizem OK FODA-SE, fazem uma piada de si mesmos e recomeçam a bagaça.

  7. eu acho que tua percepção ta mei subjetinha sobre o teor o texto, andreson. mas ok, subjetividade é o que ha.
    de toda forma, o que eu li foi: nosso molde de comportamento chamado de chinelo teve seus méritos, agora vejo, massa. e espero que não viremos caetano veloso, o que deixara tudo mais massa.
    o que me lembrou o putariazine: chinelos demais pra literatos, literatos demais pra chinelos.
    não acho que economia alguma esteja aquecida. estamos, quando muito, vivendo com danos mínimos em alguns setores. o que temos é uma noção ilusória de que tudo está bem pq não estamos na merda absoluta, mas todos os nossos bens de consumo foram tocados, do meu aluguel ao teu guaraná.
    e eu ainda não passei da crise dos 29, nego, siliga. hshshshs. bora se respeitar, fazfavor? hshshshs.

  8. a respeito do seu adendo: o Brasil foi muitíssimo menos afetado pela Crise que países como Japão e China. não por acaso o Mantega disse ontem que seremos o primeiro país a superar o episódio. e arrisco um palpite ainda: em menos de seis meses alcançaremos índices acima do esperado na cotação do dólar e na Bovespa =)

  9. quem tem 10, perde 5, quem tem 2 perde 1. o brasil sempre será o país do futuro, sem querer soar X.

  10. é, pelo menos alguma vantagem em se ter menos.

    e você tem sorte em ter chego a crise dos 29, porque eu ainda sequer superei a Revolução de 17 =)

  11. Eu acho que realmente o texto do slacker tem um ar de “ótimo, tenho algum argumento para dizer pro meu pai porque moro aqui até hoje”.

    Mas, bem… a geração X realmente tem vários problemas porque crescemos no meio de uma mudança ABSURDA, que a geração Y hoje em dia toma como pronta, i.e. a revolução das tecnologias da informação/internet. Fora isso, os anos 80 foram bonitos só para quem usava roupa da Pakalolo e bolsa da company: para o Brasil e para o mundo foi chamada de “Década Perdida”, a década do Reagan e da Tatcher, do neo-liberalismo como única bandeira econômica, o fim patético da USRR, etc. Em suma, por mais que achem que criança não presta atenção, o mundo prestou atenção na gente. Peter Berger diz que é na infância a primeira e mais importante socialização do indivíduo, porque é nela que se constrói o basilar dos valores do indivíduo. Então, crescer em uma década perdida ajuda um tanto a explicar porque nossa geração é tão perdida.

    Por conta disso, tomamos essa postura destrutiva de quem não se reconhece em um mundo que mudava o tempo todo. Em 1992 eu comprava meu primeiro PC AT 40 Mhz. Avião. 5 anos depois ele era uma lembrança patética pro meu pentium 133. Enfim, tudo mudou MUITO rápido. Tão rápido que ninguém se toca, especialmente a geração Y que veio ao mundo quando as coisas passaram de “rápidas” para “normais”: hoje em dia é normal uma tecnologia/conhecimento evaporar em um ano. Para nós, herdeiros de um mundo pessimista, de pais que viveram com o espectro da guerra, da fome, da inflação galopante… as coisas ainda são “rápidas” e tentamos nos adequar a elas. Por isso, coisas simples como arrumar um emprego ou saber que corte de cabelo usar se mostram questões complicadas para a grande maioria das pessoas que são o esteriótipo dessa geração.

    Em suma, não é questão de se desculpar, mas há de se entender que os processos sócio-cultural cobram o preço do ingresso daquele que vivem neles. Talvez o grande desafio da geração X é superar o grande erro da geração passada a nossa, e aprender com a geração Y, de verdade: parar de ver tudo como “rápido”, entender que o conceito de normalidade muda, que o que era convencional deixou de ser, ou seja, que o que é sólido, LITERALMENTE, se evapora no ar. A geração X antes de ser professora, deve ser aluna da Y. Temos muito o que ensinar para eles do que NÃO fazer, e eles, de como nos adequar ao mundo atual sem perder nossas identidades e características geracionais que informam quem somos.

    Ok, chega.

  12. “Although different groups and individuals consider different ranges of years as constituting Generation Y, those ranges of years are almost always within the outer bounds of 1976 as the earliest possible year and 2001 as the latest. (…) If the years 1977-2000 are used – as is common in market research – then the size of Generation Y in the United States is approximately 76 million”

    FICA NA TUA DE Y

    hahahaha

    EU SOU MINHA PRÓPRIA GERAÇÃO

    GENERATION XPTO

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: