Yeayeawecan, véiô

Hoje trocou o presidente dos USA, imagino que todos saibam. Momento histórico, as comparações, as comoções, tudo isso que eu não engulo muito bem.

Astrologicamente falando eu desejo muito acreditar em coisas assim, incríveis, mas acorre que não consigo acreditar, possivelmente pelo mesmo motivo, sempre acabo vendo elas com cargas teatrais e pesos de tapa-boca.

Entretanto admito que sinto inveja dos Estados Unidos, eles são o país que mais sabe ser épico no nosso tempo.

Depois de duas eleições falcatruadas que não foram tão comentadas lá como teriam sido aqui (e olhe que aqui, enfim), a queda do império por uma série de cagadas, mas CAGADAS, o chafurdar na lama, e eles conseguem mesmo assim pensar em si como Messias.

É um sentimento portugues invertido, citando Eduardo Lourenço invertido.

Diante da catástrofe criada foram tomadas medidas drásticas e o país decidiu eleger um negro orfão culto e polido. Quase o anti-cristo do americano médio que ficamos acostumados a conhecer e chamar carinhosamente de white trash.

E esse homem subiu no palco e fez um discurso de posse que parou o mundo quase que literalmente. Eu assisti tudo temerosa dos tiros a qualquer momento, que consagrariam a história americana com mais um Lincoln. Não rolaram, Oxalá nunca rolem. Oxalá Obama possa nos decepcionar no lugar de virar santo. Ou quiçá, aaah, fazer diferente, ein.

A bomba que rolou, ou que supostamente rolou, foi um discurso teoricamente polêmico onde Obama falou que tomava pra si um país em crise, sem dinheiro, não ecológico, em guerra, com iniciativas que nem sempre funcionam, etcetal. Mas tudo com uma suavidade e com a clássica reviravolta épica citando a fundação do país, a garra do povo, etcetal. Fora que ele não se comprometeu em momento algum. Foi praticamente a polidez-épica encarnada.

Nossa política, de quebra-pau em senado e Maluf dizendo que está deprimido pra sair da cadeia, Lula e seus discursos não tem nada disso. De novo eu comprei o produto AMERICA com a minha inveja.

Não podemos negar, os estadunidenses são fodidos mesmo. E eu não posso negar que continuo desejando que eles superem mais essa crise, antes eles que a China. Agora, tenho medo da campanha de marketing do Obama, assumo aqui entre amigos. MEDO. Hshshshs.

Mas adiante, repito o que disse posts e posts atrás. Se bobear acaba que nós, de novo, desejosos de Messias, Sebastiacas mofados, compramos o que tiver na feira dos salvadores e dos maiorais em geral.

Agora prometo que paro de falar do Obama e deixo meus amigos fanáticos em paz. Só acho que quando a esmola é dimaish, aquele papo.

6 Respostas to “Yeayeawecan, véiô”

  1. contagem regressiva pro comentário do diego.

  2. Na falta do Diego

    VAI TE FUDER TU E TEU SENSO CRÍTICO DE MERDA

    ESCUTAI MEA SÑOR

  3. É a vida imitando a arte; Nas três primeiras temporadas do clássico “24” (estrelando o ator mais shakesperiano do teledrama estadunidense, Kiefer Sutherland), o presidente também era um senador tição. Ele fez bastantes coisas, das quais nem lembro. E foi assassinado na quarta temporada. Depois,o presidente virou o irmão dele que, behold!– também era negro. Esse morreu num atentado a bomba dentro da Casa Branca.
    Na temporada atual, a presidente é uma mulher de boquinha. GO HILLARY!

    (Falando sério agora: o discurso d’Obama foi ÉPICO: uma mistura de reconciliação com CHUTE NOS RINS)

  4. achei tão de péssimo tom enquadrar Bush (o ex presidente, nãoa Kate) e Obama ao mesmo tempo. claramente que foi só pra fazer Obama mais bonito.

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