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Eu e Milton esses dias falamos sobre o fato de não existir mais um lugar onde as pessoas falam realtime, virtualmente, sem pré seleção feita por conhecidos em comum ou afins. Um papo de orfãos de #, IRC pros leigos, claro. Mas até que ponto é ilegítimo pensar isso?

Social Networks são muito mais cartões de visitas, ie, em teoria cada vez menos conhecemos pessoas randomicamente, sem que esse conhecimento seja intermediado por amigos (mesmo os virtuais), gostos, poses, etc etc. Por isso é compreensível que a maior parte das pessoas se esforce tanto nas redezinhas fazendo o descolé. Já diria o profeta (e que dia pra citar isso) somos quem podemos ser, sonhos que podemos ter.

O conceito de conversas realtime com completos desconhecidos está caindo em desuso no mundo virtual também. Depois da vida real, onde vivemos em grupelhos herméticos que mal respiram, estamos nos fechando para o desconhecido mesmo onde, supostamente, podemos alcançar isso de forma segura.

Eu vejo isso como uma tentativa de otimizar as relações humanas. E poderia citar exemplos infinitos, fora as redesociais já citadas como, por exemplo, MeetMoi, um serviço de encontros location based.

Mas acorre que (e se pararmos pra pensar nisso acabamos ficando um tanto surpresos) nossas melhores amizades e afetos em geral nem sempre o são pelo excesso de afinidade lógica, coisa tátil que pode ser otimizada de maneira direta VAPT VUPT, como abaixo.

Eu -> Ezra -> Tu = 100%

Ainda que isso seja relevante, eu acho que em geral  o intangível tem papel tão ou mais relevante. Ok, podem me chamar de fã de Octavio Paz, não nego, nunca neguei. E CITO:

Conversar

Em um poema leio:
Conversar é divino.
Mas os deuses não falam:
fazem, desfazem mundos
enquanto os homens falam.
Os deuses, sem palavras,
jogam jogos terríveis.

O espírito baixa
e desata as línguas
mas não diz palavra:
diz luz. A linguagem
pelo deus acesa,
é uma profecia
de chamas e um desplume
de sílabas queimadas:
cinza sem sentido.

A palavra do homem
é filha da morte.
Falamos porque somos
mortais: as palavras
não são signos, são anos.
Ao dizer o que dizem
os nomes que dizemos
dizem tempo: nos dizem,
somos nomes do tempo.
Conversar é humano.

(Trad. Antônio Moura)

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