SONETO 185 POSTIÇO

No tempo de Bilac ou de Camões
ficava favorável ao poeta,
por trás da amável ordem indireta,
brilhar na confraria dos chorões.

Jorrava inspiração aos borbotões,
mas tudo convergia à mesma meta:
fazer do seresteiro que soneta
palhaço das perdidas ilusões.

Poetas, seresteiros, namorados,
posavam todos eles de infelizes.
Quem lia, comovia-se: “Ai, coitados!”

“Imploro-te, sorrindo, que me pises!”,
diria um pobre Glauco, em baixos brados,
aos pés da menos linda das atrizes.

Glauco Mattoso

(um bom final de sexta, dia besta. ê, virou poesia. quanta ironia. hshshs.)

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