Jesus, Flynt & Mexico

Larry Flynt, acredito que a maioria saiba, é o criador da Hustler. Hustler, acredito que a maioria saiba, é uma revista pornográfica que nasceu nos EUA e existe por todo mundo agora. Pelos anos 90 Milos Forman dirigiu um filme sobre ele e rolou uma grande e eufórica onda de canonização em vida do sujeito.

Nem tão ao céu nem tão ao inferno, Flynt é um reacionário com espasmos sexistas mas ao qual nós, seres da modernidade, devemos muito. E pessoas que, como eu, levam a sério e tentam entender a pornografia devem ainda mais.

Não acho que toda essa dedicação dele a pornografizar o mundo seja totalmente intencional, entretanto. Acho que uma mistura de joselitismo com marketing fizeram dele o porta voz das pessoas que não aceitam que a pornografia continue sendo uma das únicas manifestações artísticas relegadas de forma perene ao submundo.

De toda forma, falo disso porque a Playboy mexicana acaba de lançar uma polêmica deveras flyntiana, ainda que bem mais sutil, ao colocar na capa uma “homenagem” para a Virgem na época das peregrinações ao santuário da Virgem de Guadalupe. Não é nem preciso dizer que a revista foi praticamente apedrejada e obrigada a pedir desculpas publicamente pela gafe.

A mistura de sexo e divindade também foi uma boa arma da difusão de Flynt. E pra Carol Miranda. E pra meio mundo.

Enfim, eu acho que já falei aqui antes desse mix esperto e tão usual desde sempre. E me vejo obrigada a citar José Paulo Paes, que recebeu a chave de oiro da Grécia, e defendia que entre os romanos começa a se intensificar essa consciência dividida, ie, essa noção de sagrado e profano. De que sexo e deus não se misturam. Mas que ainda por um bom tempo isso permanece unido, de diversas formas. Eu colocaria o adendo de que seguirá unido pra sempre em alguns prismas. E também acho que já coloquei aqui trecho dos relatos de Santa Teresa que eu roubei de um livro do Bataille e que são totalmente sexualizados, coisa muito comum na paixão religiosa. O casamento com Deus, esse papo todo. E também acho que já citei aqui, em algum momento, as prostitutas sagradas, cosital.

Caso você se questione se a polêmica seria tanta se não fosse a Virgem eu digo que acredito que seria, lembre de Madonna ou de Flynt convertido.

E digo tudo isso para concluir que, uff, Bocage não modernizou, Madonna não modernizou, Flynt não modernizou, Playboy México, definitivamente, não modernizou. Carol modernizou deveras, convenhamos.

E mesmo assim continuamos apavorados. Que mundo esse nosso. Onde vão parar as coisas. Nova manchete, choro e ranger de dentes.

Fiquem com a doce capa da Playboy Mexicana. Achei cafona mas, vá, cada qual com seu gosto. Casto e belo.

playboy-virgin-mary

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