A insignificância cotidiana

mumiaBom, imagino que maioria de vocês tenha mais coisas pra fazer da vida que ler essa bloga, então digo que logo no começo falei que estava fazendo isso como uma das iniciativas de alterar alguns pontos da minha existência. Nesse caso, a timidez quase fóbica. Eu sou tímida, sempre fui, possivelmente morrerei assim. Mas estava de tal forma tímida que sentia que parava de respirar na presença de oitros seres humanos. E é isso. E minha idéia de bloga é um tanto darwinista e um tanto reggaeira. Sobreviver trocando uma idéia, Jah.

Salvo raras iniciativas, como as aqui citadas do teatro de comentários e do blog do soldado raso do Odisseus, blog pra mim sempre foi issae mermo. Darwin+Jah.

Aí existem aqueles blogs especializados que tu vai procurando coisas específicas, tipo o Gizmodo. Mas blog pessoal, como o nome diz, só interessa pro teu pessoalzinho.

Então hoje li um texto que fala que os blogs são os novos Wunderkammer. Tipo coleções pessoais de bizarrias. Deixa eu citar um pedaço pra ficar mais claro:

That is to say, the genealogy of Web logs points not to the world of letters but to the early history of museums — to the “cabinet of wonders,” or Wunderkammer, that marked the scientific landscape of Renaissance modernity: a random collection of strange, compelling objects, typically compiled and owned by a learned, well-off gentleman.

Já de saída fico de cara porque o pessoal adora essa coisa de reencarnação. Eu mesma gosto muito de traçar paralelos, meu jogo favorito. Quem tu é em tal filme, em tal livro, em tal situação, coisital. Mas é bobeira, eu sei. É só um jogo de conhecer as pessoas, saber como elas se veem. Divertido, mas nada definitivo.

Eu acho que isso, quando deixa de ser joguinho de entretenimento em rodas de amigos passa a ser uma dificuldade fodida de ver sua propria insignificância.

Oh, meu blog. Enfia no cu, ermão.

E aviso logo o que me afasta deste conceito: acho que, salvo pessoas como eu que tem Síndrome de Stendhal, não existe mais se abismar com as coisas como existia naquela época. Não existe similar a múmia pruma criança/jovem/adulto daquela época hoje em dia.

Veja bem, se eu vejo uma múmia, hiperventilo, choro, acho que desmaio. Amo múmias como amo minha vida. Mas naquela época uma múmia era o desconhecido. Hoje, o desconhecido é o desconhecido. Não existe desconhecido para se conhecer na web.

Não que conheçamos tudo, jamais. Mas temos a doce sensação de que podemos alcançar todo o conhecimento que quisermos pela web, que só não o fazemos porque não queremos/podemos/tivemos tempo. Tantos estudos sobre as angústias que isso causa, excrusive.

Conhecer o conhecimento alheio, tem muito, deixou de ser como era. Conhecer deixou de ser como era.

Sem dramas, sem saudosismo. Nada disso me agrada. Especialmente nesse contexto. (Já estou admitindo saudosismo em alguns contextos, mas com pesar)

Só digo que por esse motivo não existem novas Wunderkammer, minha opinião, mesmo sem saber a tradução literal dessa merda. Assim como não existem novas (insira algo que é eterno pra você e que ficou no passado e que você jura, mas jura, que não deveria ser uma tecnologia ultrapassada, choramingão).

(eita: esqueci de dizer que certamente Moj vai me corrigir. O começo dos Weblogs era uma compilação de links como o Stumble, coisital, coisital. Meu ponto inda serve nesse caso, mermão.)

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2 Respostas to “A insignificância cotidiana”

  1. o mundo muda

    mas é o mundo que temos

  2. sempre foi a mesma coisa
    só mudou o estilinho, boto fé, boto fé
    (é o mundo que temos por enquanto, REMEMBER LHC)
    hshshshsh

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