Vamos brincar de

William Carlos Williams, amado, propôs um poema coisa, sem idéias. Se achou o maioral, mas os fumetas japa já faziam isso antes que ele pudesse imaginar o que era tuberculose. Eu, adepta da contemplação, sentada com a gata preta olhando o horizonte sem dizer uma palavra por três horas, sentindo o vento frio do cacete, penso que os caminhos da mente são nocivos nocivos nocivos. Quando Corso disse que é lindo sentir ele, certamente, não estava se referindo ao emaranhado de sentimentos doentios que temos. Ou estava, era o Corso. O Corso também dizia que dinheiro não tinha dono e que os amigos deveriam oferecer suas mulheres para ele em sinal esquimó de alegria. Mas enfim. Este nosso sentir não é nem mais sentir, o sentir primordial morreu-se.

Claro que isso é difícil, eu tenho a lua em capricórnio e me acostumei a sentir pensando. Mas o primeiro passo é rir dos emaranhados. O problema talvez seja que, chegando ao sentir primordial não reste mais muito o que fazer com palavras, desejos, letras, proximidade. E fiquemos sentados, como gatos pretos: tanto depende de um vento na cara.

Contraponto mundano, deveras mundano. Meu haikai do meio micro workshop que fiz na faculdade uó com a japa ripe:

sol do meio dia

acendo cigarro de

barriga vazia

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