Os escoceses que me perdoem

Bom, de tempos em tempos eu tenho um momento maconha. A maconha atual é imaginar assim: dois fumetas simulando que estão nos anos 60 sentados assistindo pedalinho. Daí um deles diz isso:

– Nós somos punheteiros pq fomos colonizados por punheteiros

Algo assim. É uma idéia super nova e genial. Hshshshs.

Mas a sério. Nós fomos colonizados por Portugal e, diferente do que 90% das pessoas costumam afirmar, nosso país desde 1500 recebeu fluxos gigantes de ladrões, sodomitas, judeus, ciganos. Todo o restolho da pátria mãe. (na verdade o restolho religioso começou uns 200 anos depois, mas vocês entenderam)

“Eu sou alemão”. Não, amigo, tu é brasileiro. Por mais chinelo que tu te sinta sendo brasileiro, tuas origens, sejam alemãs ou vietnamitas, são certamente mais chinelas.

E com toda esta bagunça genética e burocrática iletrada que é ser fruto de uma colonização extrativa, pq não somos os criadores de coisas como Trainspotting? Pq não pensamos na nossa nacionalidade a não ser quando decidimos nos embaianar, ser tropicais, abacaxi no cu? Pq sofremos do complexo turístico? Não temos que ser turisticamente atraentes, não é nossa função no mundo.

Somos a Angela Bismarchi dos países, sempre fazendo mais uma plástica pra parecer com quem deviamos ser. Só que isso não nos impede de ser freaks da body modification. A brasilidade que me desculpe, mas eu fui colonizada por punheteiros. E não me sinto na Terra Brasilis.

E nem estou aqui pra defender Antonio Cândido e sua literatura engajada shit. Mas enquanto ouço Tecnicolor dos Mutantes e rio das referências brasileiras ditas em português e não em Brazilian eu admito que gostaria de ler coisas que falassem do sufocamento que é ser um país tropical, abençoado por zeus, bonito por natureza.

Por outro lado, tentar encontrar isto aqui talvez seja uma busca estilo teoria da literatura: vamos enquadrar o país nos nossos desejos. Se não é obvio, não é natural, né não?

Alias, nos grandes eventos esportivos fica ainda mais claro como somos um país essencialmente melancólico, né não? Nós somos os Payasos do comercial do Bafici, mas eu admito que só tou ouvindo a música pelo solo de guitarra. Hshshshs.

E ao longe as pessoas pastam, mãos dadas em um parquinho com água suja, pensando que lindo é este brasilzão de meu deus.

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3 Respostas to “Os escoceses que me perdoem”

  1. curti esse textículo. e eu escuto hard rock porque a vida de palhaço, na verdade, não é tão engraçada quanto deveria ser.

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