Essa não é minha

Olhe só que loucura, eu estava mesmo escrevendo um post sobre o Banksy quando REVELARAM A BOMBA, ie, fotos da cara do sujeito.

Preciso dizer que algumas coisas na vida me empolgam sem data de validade, Bansky sendo uma delas. Não só pq ele arrasa, mas pq junto com a popularização da street art ele é responsável pela popularização da teoria da arte. E explico com exemplos.

Quando a polícia inglesa estava cobrindo graffitis com tinta preta e cobriram o pulp banana dele, surgiu um debate acalorado sobre isso e, por consequencia, sobre o que é arte. O que pode e o que não pode ser coberto, superado, de onde surge o valor da obra, de fora, de dentro, do lado. Enfim.

Outro debate que ele sempre faz ressurgir é o do meio da obra e a importância deste meio. Seja pq um cara arrancou a parede pra vender pq era BANKSY, seja pq este tipo de fugacidade e alteração pelo meio faz parte da produção de street art.

Mas o que o Banksy mais tem chamado atenção nos últimos mil meses é para o problema autoral. Qual o valor do autor para a obra e vice-versa. Agora as obras dele tem um tipo de selo de autenticidade, pra evitar que pessoas arranquem paredes falsificadas. E na nossa sociedade iconica, a adoração do ícone Bansky ameaça, faz tempo, o conceito que integrava inicialmente a street arte, de autor anônimo. Eu acho lindo a história de autor anônimo. Por exemplo, eu amo o Ethos (e poemas/músicas/etc de autores anônimos). Sei que muita gente deve conhecer, eu nem faço idéia de quem é. E eu acho que muitas vezes esta associação autoral, biografismos e idolatria destrói a produção. E a produção, o fervor, a busca, são a essência da arte como eu a vejo. Das artes.

Uma das coisas mais divertidas do Café Tacuba é que o vocalista uma época assinava como Anônimo, daí todas as músicas eram de autor anônimo, sacou? hshshshs.

Então, depois de fotos de ladinho, de capuz, de passagem, agora temos fotos nítidas de quem seria o Bansky. O anonimato, já diria o Ripper, sempre foi uma grande arma da imortalidade. Não que Banksy precise disto, ele já conseguiu colocar um quadro como prank em um museu e ver este quadro passar a fazer parte do acervo do lugar. Mas será que nós precisamos TANTO ASSIM de uma biografia, uma imagem de culto?

E o povo não perde tempo, já que agora a teoria é de todos que quiserem. Teorize, ou morra.

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4 Respostas to “Essa não é minha”

  1. pensei mais e concluí que povo+teoria=sociologia. hshshshshs

  2. E a arte oferece a melhor reflexão sobre ela mesma…

  3. Essa tirinha é demais. Laerte é foda. Belo post mari.

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