O mito do assaltante gentil

(Spaggiari, o bom assaltante e seu lema: sans haine, sans violence et sans arme)

Por mais trash que pareça, só histórias reais aqui. Se prepare.

Hoje de noite aconteceu uma coisa bizarra, eu fui acordada por um assalto aqui embaixo do prédio e, mais bizarro ainda, nem me liguei que era um assalto até acordar pela segunda vez, hoje de manhã. Vou tentar repetir os detalhes pra vocês:

Quando acordei, o assaltante, vamos chamá-lo assim pq eu obviamente não sei o nome do cara, já tinha feito sua abordagem. Foi isso que me acordou, provavelmente. Pq ele super tinha uma projeção vocal invejável. O motorista respondeu:

M- Ok, pode levar tudo, não me importo. Só deixa eu pegar meus CDS (?!?!?!?!)

A- Claro, me desculpe por fazer isto, mas meu filho tá no HPS (?!?!?!?!?)

M- Sem problema, cara, eu sei que tu tem teus motivos (?!?!?!?!?)

A- Isso aí, cara. Sem violência desnecessária, isso que importa (Spaggiari?)

M- Claro, claro. Tu sabe onde tem um orelhão?

A- Ali (é bem perto, de fato).

M- Ok, cara, valeu. Boa sorte com teu filho.

A- Brigada cara, tu também boa sorte.

Carro sai correndo loucamente.

(Gray Fox, o assaltante do bem em Oblivion)

Vale pensar: seria isso resultado das políticas pacifistas que assolam o mundo? De toda forma, surreal. Pq isso me lembrou os meus assaltos e eu acho que este assaltante estava uns 50 níveis acima dos meus, sem querer soar RPG já soando. Vamos aos meus assaltos:

1º: Eu estava em uma parada de ônibus quando um cara com cabelinho de baile funk chegou.

A- Oi, eu quero pegar o ônibus (sei lá qual, porra, faz anos), mas eu não sei ler. Será que tu poderia me dizer se é aquele?

A panaca aqui olha e quando volta pra responder o cara já, de forma ninja, tirou canivete e colocou na minha barriga

A- Passa o relógio ou eu te furo 3X

Eu- Ok, só deixa eu tirar aqui pra não estragar a pulseira (eu curtia o relógio, eram outros tempos. Jshshshshs)

Não me lembro mais detalhes, volto pra casa chorando. Minha mãe briga comigo pq eu sempre voltava tarde e de ônibus pra casa. Eu digo que estou chorando, meu deus, isso é muito hediondo. Eu, aos 15 anos. Eu digo que estou chorando pq aquele jovem está tão imerso em violência que comete ela corriqueiramente por coisas que valem tão pouco. Coisassim. Nessa hora minha mãe devia ter me dado uma tunda de laço, fala sério.

2º: Eu e uma amiga resolvemos visitar uma terceira amiga. Os problemas: é passe livre de noite e descemos na parada errada de ônibus.

Íamos descendo a rua, que de um lado estava cheia de tapumes, quando um cara chega e abraça minha amiga e coloca a arma na minha cabeça. O cara era possivelmente o precursor dos crackheads atuais (foi em 96, 97, acho. Crack ainda não era tão difundidos). Sério, não se pode dirigir bêbado mas um crackhead pode colocar uma arma na minha cabeça e engatilhar. Quando eu olho pra cima pra ver se alguém está passando vejo outro assaltante vindo. Adrenalina louca, penso: é um arrastão.

Não era, felizmente. Mas passei por um anos depois em um carnaval de Porto Alegre (com Clara e Cherry).

De toda forma, voltando. Minha amiga começa a chorar compulsivamente e os assaltantes começam a demandar. Voltando para a minha cena: estou com a arma na cabeça do primeiro assaltante e com o segundo abraçado em mim. Relax total.

A2- Passa o relógio

Eu- Este já foi no primeiro

Pois é, eu fiz uma piada com os donos da minha vida naquele momento. É muito não saber reagir bem em situações difíceis. Mas minha amiga chorava sem parar e eu dizia: Vamos ficar calmos. E cada vez que eu dizia isso o cara empurrava mais a arma na minha cabeça.

O assalto deles foi um fracasso. E acabaram sendo presos. Quando o carro de polícia chegou pra nos levar atrás dos assaltantes eu fiquei uns 15 minutos chorando compulsivamente. Minha amiga parou de chorar, até. No Palácio da Polícia três coisas clássicas aconteceram.

A primeira delas foi que os assaltantes tinha roubado, entre outras merdas (tipo, 8 reais. Hshshshs) um tetris de camelô meu. Sempre que eu saía de uma sala pra outra o maldito do tetris estava na mão de um policial diferente. A segunda foi que eu tive que reconhecer a arma, algo assim. E o PM perguntou pra mim e pra minha amiga quem tinha estado com a arma na cabeça. Eu disse que eu e ele disse: Aee, ein, quase morreu. Nome da arma(Sei lá qual arma), verdadeiro, bem novinho, carregado e engatilhado. Quer tocar? Eu respondi: Err O.o

A terceira foi que os assaltantes nos ameaçaram de morte. Aos 16 anos, depois deste tipo de terror, tu nem pensa que os caras nunca vão conseguir te achar, nem vão procurar, se sobreviverem na cadeia (um deles tinha uma bala alojada na bochecha, fala sério, Demian). Eu passei meses tendo pesadelos com aquele merda.

(puuutz, esqueci uma ainda mais clássica. No outro dia umas oswaldeiras que eu conhecia e estavam no Palácio da Polícia fazendo sei lá o que disseram pra todo mundo que eu tinha sido presa e estava no mesmo local com um adevogado bonitão, ie, meu pai. hahahahahahaha. boa demais)

Depois disso parei de andar de ônibus de noite. Até que fui assaltada pelo taxista:

Eu- Cara, tu me deu o troco errado.

A- Tu vai fazer o que? Estamos só eu e tu aqui.

Isso me lembra que pago o equivalente a cinco meses de trabalho em impostos. Como é bom morar na Suíça.

Mais sobre alinhamentos aqui.

6 Respostas to “O mito do assaltante gentil”

  1. Adoro relatos do mundo cão, mas não muito fortes. Gosto mais dos relatos do mundo filhotinho com bigode de leite.

  2. adoro piadinhas idiotas de anônimos
    me lembram o banheiro do colégio

  3. Bah, desculpe se pareceu uma piada idiota, nao foi a intenção. Gostei do texto e gostei do blog, realmente. Desculpe qualquer coisa.

  4. nossa, desculpe eu
    as vezes eu sou rude como um romano
    hehehehehe
    brigada, de toda forma

  5. Ok. Tu foi assaltada pelo motorista de táxi? hahahahahahahahahaaha. Outro dia continuo lendo o Blog, pq isso foi demais pra mim!

    :D

  6. HAHAHAHAHHAHA
    favor não humilhar

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