As Naus

Seguindo os posts inúteis com citações que eu acho delliro, apresento As Naus, do Lobo Antunes, meu livro fetiche forévis ailoviu coração.

Se tu não leu e pretende ler ou se ainda tá no meio do livro, não leia. Mas se tu é um desinteressado pelo assunto, ok, também não leia. Acho que só eu vou ler esta merda, afinal. Não que isso anule qualquer mérito já que, conforme disse, Lobo Antunes é meu paizinho. Hshshshs.

De toda forma, sobre o livro, eu vejo como uma ironia amargurada sobre os portugueses retornados de Angola que vivem uma espécie de deslocamento supremo: nem angolanos, pois foram expulsos, e quando moravam em Angola criaram uma espécie de terceira nacionalidade: a dos portugueses que moravam em Angola e nem portugueses, pelo supracitado e pq um país daquele tamanho não teria espaço nem se quisesse praquele excesso de gente. É a idéia de Portugal sendo colonizada pelos próprios portugueses (ou filhos deles nascidos em Angola mas sempre criados na terceira nacionalidade). E minha cabeça gira:

“Nunca encalhei, no entanto, em homens tão amargos como nessa época de dor em que os paquetes volviam ao reyno repletos de gente desiludida e raivosa, com a bagagem de um pacotinho na mão e uma acidez sem cura no peito, humilhados pelos antigos escravos e pela prepotência dos antropófagos.”

Outra idéia que percorre o livro é a do sebastianismo. Cito um pedaço que me fez ter caimbras faciais de tanto rir:

“Foi então que topámos com um grande aparato militar de castelhanos protegendo uma tenda alumiada de barraca de feira, centenas de estandartes, bandeiras e cozinhas de campanha, cirurgiões que amolavam bisturis e ilusionistas que divertiam a tropa, e uma sentinela que nos informou que o rei Filipe se reunia com os seus marechais na rulote do Estado-Maior a combinar a invasão de Portugal, porque D. Sebastião, aquele pateta inútil de sandálias e brinco na orelha, sempre a lamber uma mortalha de haxixe, tinha sido esfaqueado num bairro de droga de Marrocos por roubar a um maricas inglês, chamado Oscar Wilde, um saquinho de Liamba.”

O final deste livro me fez chorar lágrimas do tamanho de um paralelepípedo, é sublime. Eu já tinha separado ele pra colocar aqui mas achei que seria muita filha-da-putice (ei, parece que o hífen vai desaparecer, vamos abusar enquanto podemos). De toda forma, se fosse possível tatuar tudo que se gosta eu tatuaria As Naus. Mas imagine um coração com AS NAUS escrito dentro e concorde: nem tudo é tatuável.

Pra quem acha que eu exagero no descabelamento, cito Wando, vulgar e comum é não morrer de amor.

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