Cheia de auto-crítica quase até o fim

Bom, tem um poema do Baudelaire que fala

“Feliz quem pode com amor e ébria alegria/Saudar-lhe o acaso mais glorioso que um sonho”

(Antes que algum anal retentivo pergunte sobre a versão original direi que caguei pra versão original, que não sei francês, que gosto de tradutores e que minha única intenção linguística é a aprender o maior número possível de frases chinelas e inúteis em russo ouvindo Gogol Bordello).

Enfim, desde que eu li este poema (eu era jovem e fiz pelo dinheiro) fiquei com esta idéia cravada na cabeça. É super cafona (então os anal retentivos dirão que Baudelaire não deve ter escrito assim. Pq é bem mais fácil pensar que é tudo culpa do tradutor). De toda forma, cafona ou não, acho que devo ao meu quase autismo somado com esta idéia o fato de ser uma apreciadora contumaz (eu não resisto, porra) de coisas idiotas. Como assistir a chuva com minha gata haikaista, ler livros cheios de poemas ruins acreditando que é tão possível que entre eles tenha algo bom quanto em qualquer outro livro de poesia (então o pessoal do fundão ri diante das infinitas possibilidades de chineliar poesia) já que todo o autor que tenta muito acaba conseguindo pelo menos um Campari em vida.

E defendo: os poemas bons de autores medíocres, casos de literatura quase mediunica, não deveriam cair no esquecimento só pq os autores são mediocres ou pq eles são um feito único perdidos em um mar de merda. Zeus é minha testemunha, serei feliz quando a Martha conseguir o dela. Lerei e pensarei: Tolentino, velhaco, não morreste em vão. Hahahahaha.

E é nesta euforia que digo que graças ao ócio básico do cotidiano descobri Matanza, a banda pela qual nutria preconceito interminável e pensamentos profanos (porra, um ruivo gigante de óculos, barba e bigode-Lemmy. Onde está a garçonete com meu pedido?). Mais especificamente o disco deles fazendo covers versões de Johny Cash. É bom (e digo isso sem auxílio do YouTube, antes que alguém me acuse de ufanar Onan). Acho que Matanza continua fora do meu alcance sensorial (GARÇONETE?) no que diz respeito aos outros discos. Mas este é massa. Um vídeo fora de sync (tomei vergonha e achei uma versão melhor) como material pra chineliar meu gosto musical (hoje e sempre, que tradição é tradição por algum motivo, já diria o bagual. hshshshsh).

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: