Ensebando Ofélia

Como toda boa leitora de ficção e poesia eu sou uma apreciadora contumaz (contumaz melhor. ok, roubei. hshshs) de teorias científicas embasadas. Uma delas é a de que os nomes tem seu próprio destino, uma espécie de pathos, transferido imediatamente para quem os carrega.

Esta teoria foi muito difundida pelo Tiresias brasileiro, Carlos Gracie. Para confirmar isto basta ver os nomes dos filhos dele: Carlson, Geysa e Robson, este último também atendia pela alcunha de o sortudo, convenhamos.

Mas são raros casos tão claros como os de nomes como Ophelia (e variantes). Não direi que vou me aprofundar em Ofélia, pois ninguém nunca fez isso. A única coisa que uma Ofélia conhece nesta vida é ensebamento. Vejamos alguns casos:

A) A Ofélia Bebézinha, ie, ensebada por Fernando Pessoa: foi ensebada em namoro, ensebada por cartas. Chegou a ganhar um beijo velho em um ônibus. Mas o que mais ganhou, mesmo, foi ensebamento.

B) A Ofélia Maluca, ie, ensebada por Hamlet: foi ensebada em 3 atos, ensebada pq o pai estava morto, esteve do lado, segurou a mão, deu o ombro, enfim, tudo anatomicamente errado. Quando se deu conta do nível de ensebamento, preferiu partir desta para uma melhor. Já que não estava difícil melhorar aquela situação.

C) Ofélia satélite de Urano, ie, ensebada pelo castrado: todos sabem que Urano foi castrado por seu filho Chronos (já que eu disse isso no primeiro post). Além de satélite, ainda é satélite do planeta castrado, só podia ser Ofélia.

Por isto, segundo a sabedoria milenar, usa-se a expressão ensebar Ofélia quando fazemos com uma pessoa o que o mercado imobiliário faz comigo. Anuncia as ótimas qualidades de um apartamento e quando eu, desejosa, vou tentar ficar com o dito descubro que malandro chegou antes de mim.

A idéia deste post é facilitar o entendimento deste outro post, do Frugal Literário, que fala sobre o livro. Aquele que tu compra sempre dois exemplares. Um pra ler e ficar ensebando e outro pra deixar na estante amargurando os outros livros.

PS. Ciganomania (eu odeio os cariocas): Então, Eugene Hutz morando no RJ vai fazer sua primeira festa no Brasil. As festas que ele fazia em NY eram famosas pela ressaca que durava semanas, entre outras coisas. Sempre imaginei que elas fossem um tipo de ritual para Dionísio, admito. Hshshshs. É um sonho realizado mas mal localizado. Se eu não estivesse no inferno da mudança certamente iria (e talvez ainda vá, tudo depende, como cobiço). Serão no final do mês e eu desejo com toda a força do meu corpo amargo.

Tentando aumentar minha milhagem cármica em tempo de ir ao evento supracitado deixo um brinde via Rapidshare: I was born under Soviet Star. Um B Side ao vivo e tosco. Todos batendo palminhas.

(como muita gente chega aqui atrás de infos da Ciganomania ei-las:

fotos da primeira festa

comunidade de orkut

minha cobiça não tem preço, nem link. hshshsh)

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9 Respostas to “Ensebando Ofélia”

  1. eu não tenho blógue! hoje chegaram todos os stumbles atrasados. 12. devem ser deum asemana ou mais… sabe-se lá porque.

  2. Enseba-se Opheliae. Quase tão contundente quanto “Conserta-se gaitas”, placa que esteve no centro dos mais diversos mistérios da psiquê portoalegrense da década de 90.

  3. Vc é de São Paulo? To procurando companhia p/ ir na Ciganomania (embora não exista a menor possibilidade de eu não comparecer nessa festa). Mas se tiver companhia, é sempre melhor!

  4. K, sou de Porto Alegro. Tu sabe algo mais sobre preços, como comprar ingressos, enfim, estas coisas? Medo de fazer toda esta mão e nem conseguir entrar na festa que, pelo visto, vai reunir gente de todo país. No link abaixo tem pessoas de BH combinando, tb.
    http://avenue-b.net/forum/viewtopic.php?t=2028&view=next&sid=4c9ec31afcc5d1162e76454afba6bc47

  5. Mari, te gruda nesse textinho que a Ofelinha Bebézinha escreveu sobre sua experienciazinha com o Fernandinho… hehehahahaha

    “O Fernando, em geral, era muito alegre. Ria como uma criança, e achava muita graça às coisas. Dizia, por exemplo «ouvistaste?» em vez de «ouviste». Quando saía para engraxar os sapatos, dizia-me: «-Eu já venho, vou lavar os pés por fora». Um dia mandou-me um bilhetinho assim: « O meu amor é pequenino, tem calcinhas cor-de-rosa» Eu li aquilo e fiquei indignada. Quando saímos, disse-lhe zangada: « Ó Fernando, como é que você sabe que eu tenho calcinhas cor-de-rosa ou não, você nunca viu…» (tanto nos tratávamos por tu como por você). E ele respondeu-me assim a rir: « Não te zangues, Bebé, é que todas as bebés pequeninas têm calcinhas cor-de-rosa…»

    […]
    Vivia muito isolado, como se sabe. Muitas vezes não tinha quem o tratasse, e queixava-se-me. Estava realmente muito apaixonado por mim, posso dizê-lo, e tinha uma necessidade enorme da minha companhia, da minha presença.”

    Hahahahaha, sei!
    Ahan, estamos conversados então.
    Afe, Credo!

  6. se por apaixonado ela quer dizer se enganando quanto a sua real orientação sexual, concordo
    hshshshshshs

  7. […] Mas este não é o caso. O caso é que li isso e me urinei rindo, mas por nada saber da vida do senhor Yeats, recorri a Wikipedia pra conseguir rir com mais propriedade. Chegando lá descubro que o poeta merece o título de OFÉLIA FORÉVIS. […]

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