Orgônio

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Eu sempre tive uma paranóia (ok, várias, mas hoje falarei desta. Hshshs). Eu achava que meus pais não tinham me criado dentro de padrões reais e sim dentro de padrões ideais, do que eles esperavam que a sociedade se tornasse depois das mudanças que sempre almejamos que algum dia cheguem. E por isso meu convívio na sociedade real estava danado pra todo sempre.

Claro que esta teoria é meio que um refúgio das minhas responsabilidades pessoais, pq eu tenho dois irmãos e eles vivem de maneira bem diferente de mim e das nossas próprias maneiras estamos todos adequados com a sociedade. Algumas vezes deixamos a desejar, todos deixam, mas nunca chegamos ao ponto de matar o presidente, pro sofrimento alheio. Hehehehhe.

E, enfim, também é obvio que boa parte do que eu sou vem dos meus pais, mas a maior parte vem de mim, de como eu optei por ser e do que eu optei ler. Talvez a opção pela leitura de uma coisa em lugar de outra passe por teorias de sublime e por opções irracionais, mas passa pelo que eu aceitei gostar também. E isso serve pras outras coisas da vida (como no Procura-se Amy Mallrats: “Eu aqui falando de assuntos sérios como quadrinhos e você vem falar de besteiras como amor”).

Então, apesar de sempre rolar um humor sofrido sobre o deslocamento, eu não trocaria ele pelo cabimento. Por mais leve e doce que seja caber. E por mais que eu também ache muito bonito a leveza, prefiro ela nos outros que em mim. E não muito perto, em geral. Se eu quisesse isso eu sei que poderia, mesmo que fosse menos feliz e demorasse um pouco pra aprender, enfim, poderia. Eu poderia levar uma vida simples sem leituras pornográficas ou sabedorias alheias. Até pq isso não é meu papo de boteco favorito, mesmo que eu não seja chegada em boteco. Enfim. Poder podemos quase tudo, mas vale a pena ficar atado pra sempre em coisas marromeno?

De toda forma, um dos caras que eu lembrava de ler precocemente foi o Wilhelm Reich. Muita gente o odeia. Eu achava que ele tinha pervertido minha capacidade de amar mas, porra, eu sou uma pessoa super altruísta. Então resolvi reler umas coisas e me dei conta que não, que foi super proveitoso ter lido aquilo naquela época pq, mesmo sem lembrar de detalhes, hoje, quando reli vi que ele tocou minha alma como uma definição do que eu queria ser quando fosse adulta. Depois descobri que não queria ser adulta, claro, então continuo querendo ser isso, menos o adulta. Cito um pedaço que reli e achei ingênuo e altruista e minha cara:

“Fui acusado de ser um utópico, de querer eliminar o desprazer do mundo e defender apenas o prazer. Contudo, tenho declarado claramente que a educação tradicional torna as pessoas incapazes para o prazer encouraçando-as contra o desprazer. Prazer e alegria de viver são inconcebíveis sem luta, experiências dolorosas e embates desagradáveis consigo mesmo. A saúde psíquica não se caracteriza pela teoria do nirvana dos iogues e dos budistas, nem pela hedonismo dos epicuristas, nem pela renúncia monástica; caracteriza-se, isso sim, pela alternância entre a luta desprazerosa e a felicidade, o erro e a verdade, o desvio e a correção da rota, a raiva racional e o amor racional; em suma, estar plenamente vivo em todas as situações da vida. A capacidade de suportar o desprazer e a dor sem se tornar amargurado e sem se refugiar na rigidez, anda de mãos dadas com a capacidade de aceitar a felicidade e dar amor.”

Então, nada pode ser mais delírio que estar plenamente vivo em tudo que se passe. Ok, podem chineliar ou citar zumbis, eu aceito. Hshshshs.

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Uma resposta to “Orgônio”

  1. […] conta). Como tudo. E acredito em prazer. Viver deve ser prazer, também. Ainda que o post do Reich diga mais ou menos o que sinto sobre isto, eu sou uma pessoa positiva, quase uma idiota […]

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