O charme
Hoje apresentei um poema do Leminski em LIBRAS na aula. Sem a menor vontade reli/parodiei outro trabalho que estou fazendo, sobre remix/paródia, remixei, gaguejei, errei, voltei, tentei, falhei, enfim, foi tenebroso, mas imagino ter prosperado. Em algum nível simbólico onde se ouve The Sound of Silence. Dificilimo. Então, relendo o Leminski lembrei os motivos pelos quais ele tanto embalou minha puberdade. Bons e maus. E me dei conta que coloquei um Ezra que acabava assim:
Quando os nossos dois pós
Com o de Waller se deponham, mudos,
No olvido que refina a todos nós,
Até que a mutação apague tudo
Salvo a Beleza, a sós.
Que me levou pra outro, não o que eu apresentei. O do charme. O belo é tão difícil, mas o charme é ainda mais, ao que tudo indica. Acontece que, dizem, depois de encontrado, ele nunca acaba (RJ, 1999).
Apagar-me
diluir-me
desmanchar-me
até que depois
de mim
de nós
de tudo
não reste mais
que o charme.